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Mulheres monstruosas: o ctônico e o selvagem em Carmilla, de Le Fanu (Marina Pereira Penteado)

1200px-Carmilla“O presente trabalho propõe uma discussão a respeito da representação demoníaca das mulheres, através de aspectos que são normalmente ligados ao próprio feminino, na novela Carmilla: a vampira de Karnstein, de Sheridan Le Fanu. Com base em estudos que analisam a perda da autonomia da mulher sobre seu próprio corpo, o primitivo e animalesco e suas representações na literatura, além de estudos que debatem a monstruosidade percebida na figura da mulher e em quase tudo que é ligado ao feminino, busca-se fazer uma reflexão sobre como a incorporação do selvagem, do ctônico e do dionisíaco tomam forma em Carmilla, e até que medida esses aspectos são utilizados para justificar a morte da vampira.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 9, 2019.2. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


A besta dentro de cada um: metamorfoses do vampiro na literatura brasileira (Pedro Sasse)

Beast_by_Daywish“A publicação da primeira edição de Drácula sucede apenas em alguns anos os famosos assassinatos de Whitechapel, que marcam a ação de um dos primeiros e mais famosos serial killers do mundo, Jack, o estripador. Assim como Jack, o vampiro de Bram Stoker ameaça Londres não apenas fisicamente, mas ontologicamente: ainda que não seja um amaldiçoado morto-vivo, Jack é a confirmação de uma ansiedade crescente que Darwin, entre outros, instaurou na sociedade oitocentista, a de que o homem, longe de ser uma criação especial de Deus, era apenas um animal entre outros. Esse homem cujo interior guarda uma besta sedenta por sangue, representado pela literatura vitoriana de vampiros, encontrará seu espelho realista nos assassinos da literatura de crimes que floresce na mesma época, sem dúvida inflamada por casos como os horrendos crimes de Whitechapel. Enquanto o Brasil não se mostra um país pródigo em representações do vampiro propriamente dito, é rico em narrativas que abordam os mesmos medos inspirados por esse predador urbano, chegando, muitas vezes, a incorporar em suas figuras reais traços desses monstros sobrenaturais. Propomos, assim, uma leitura dos predadores urbanos brasileiros à luz dos medos da animalização do homem levantados pela literatura vitoriana, mostrando uma das metamorfoses possíveis do vampiro em território nacional.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 7, 2019.2. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O vampiro como metáfora na literatura brasileira oitocentista (Ana Paula Araújo dos Santos)

thumbnail (1)“Nas literaturas de língua inglesa e na literatura francesa o interesse pelo mito do vampiro pode ser facilmente observado na ampla produção ficcional do século XIX e XX.  Já no Brasil, até a metade do século XX não houve uma produção sistemática de uma ficção que explorasse o mito do vampiro semelhante à da Inglaterra e da França. Contudo, a figura do vampiro se faz presente em obras brasileiras que exploram o seu potencial simbólico. Nelas, o vampiro aparece como figuração de morte, doenças e maldades. O presente artigo visa a uma análise dessas obras, mais especificamente dos contos A esteireira (1898), de Afonso Arinos, e Noites brancas (1920), de Gastão Cruls, além do romance A mortalha de Alzira (1891), de Aluísio Azevedo. As leituras propostas focarão em elementos característicos da temática do vampirismo na literatura: misteriosos encontros noturnos, femme fatales, desregramentos sexuais, perigos de doença e de contágio. Tais características funcionarão como ponto de partida para uma reflexão sobre as razões da suposta ausência, na literatura brasileira oitocentista, daquele que é um dos personagens mais recorrentes na literatura do mal e do medo e da literatura gótica.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 7, 2019.2. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


As estéticas finisseculares e os vampiros (Fernando Monteiro de Barros)

“A palavra ‘vampiro’ vem do húngaro ‘vampir’ e entrou na língua portuguesa através do francês ‘vampire’. A crença em vampiros é documentada na antiga Babilônia, no Egito, na Grécia, na China, entre os astechistory-of-vampires-01as e os incas. No entanto, embora tenham raízes antigas, os vampiros adquirem proeminência na cultura ocidental na virada do século XVII para o XVIII, no momento em que o Iluminismo está prestes a proclamar a supremacia do COGITO e a objetividade da verdade. Nos decênios de 1720 e 1730 surgem relatos sobre vampirismo no leste europeu na imprensa ocidental: essas criaturas misteriosas assombram uma cultura ocupada naquele momento em se livrar da superstição e do irracionalismo. Borrando as oposições binárias nas quais o pensamento racionalista e a observação empírica dependem, o vampiro oportunamente passa a representar tudo o que o Iluminismo não pode reconhecer cientificamente. Encarnando o paradoxo, ele é um morto-vivo (undead, em inglês), transtornando a oposição entre vida e morte (…).”

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Zumbis, vampiros e… Jane Austen: a emergência do mash-up literário (Anderson Soares Gomes)

“Na literatura contemporânea, o mash-up literário vem se tornando um fenômeno cada vez mais popular. Saindo do universo das fanfics do mundo online para alcançar a lista dos mais vendidos, esse estilo literário Orgulho e Preconceito e Zumbis - Matt Smith, de Doctor Who, entra no elenco (02)caracteriza-se por inserir em textos canônicos elementos da cultura de massa e da paraliteratura.  Uma característica curiosa, contudo, chama a atenção na forma com que a maioria desses chamados mash-ups literários são compostos. Associado a um texto literário clássico, grande parte desses romances híbridos escolhe como elemento diferenciador algum aspecto ligado à literatura de horror ou ao universo do insólito. O principal objetivo deste trabalho é investigar a razão pela qual esses ‘romances mash-up’ tem tanto interesse em unir traços distintivos como zumbis, vampiros e monstros a textos clássicos como Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade de Jane Austen; e Jane Eyre de Charlotte Brontë.”

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Terror à brasileira: narrativas de medo para crianças e adolescentes (Rosa Gens)

“Por que dar atenção a narrativas que se centralizam no medo? Basta pensar, inicialmente, no movimento de fascinação que crianças e jovens têm apresentado, ao longo dos últimos anos, em relação a obras que se fundamentam no susto e no pavor. Nas três últimas décadas, principalmente, multiplicaram-se liv237a0ff26836e7e3175e59b1f260d8e0ros e filmes que provocam sensações de horror e, mais do que isso, fazem do medo o seu tema básico. Um arrepio, um recuo ao toque, uma sensação de náusea, repulsa e pronto: estamos face ao que não desejávamos e é impossível recuar. O horror, é certo, nos causa ameaça. Em última instância, ameaça o nosso mundo, que já anda para lá de ameaçador. Não é de espantar que o mundo se envolva em artefatos, à maneira das cidadelas medievais, para que se afaste o medo, e, é claro, os bárbaros que possam causá-lo. Assim, engenhocas são mentadas para que os civilizados se sintam mais seguros, envoltos em redes ou grades, em circuitos fechados. No entanto, por entre possibilidades de balas perdidas e um assalto a cada esquina, podemos nos dar ao luxo de ficarmos assustados com histórias de vampiros, lobisomens, monstros, fantasmas… (…)”