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As estéticas finisseculares e os vampiros (Fernando Monteiro de Barros)

“A palavra ‘vampiro’ vem do húngaro ‘vampir’ e entrou na língua portuguesa através do francês ‘vampire’. A crença em vampiros é documentada na antiga Babilônia, no Egito, na Grécia, na China, entre os astechistory-of-vampires-01as e os incas. No entanto, embora tenham raízes antigas, os vampiros adquirem proeminência na cultura ocidental na virada do século XVII para o XVIII, no momento em que o Iluminismo está prestes a proclamar a supremacia do COGITO e a objetividade da verdade. Nos decênios de 1720 e 1730 surgem relatos sobre vampirismo no leste europeu na imprensa ocidental: essas criaturas misteriosas assombram uma cultura ocupada naquele momento em se livrar da superstição e do irracionalismo. Borrando as oposições binárias nas quais o pensamento racionalista e a observação empírica dependem, o vampiro oportunamente passa a representar tudo o que o Iluminismo não pode reconhecer cientificamente. Encarnando o paradoxo, ele é um morto-vivo (undead, em inglês), transtornando a oposição entre vida e morte (…).”

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Zumbis, vampiros e… Jane Austen: a emergência do mash-up literário (Anderson Soares Gomes)

“Na literatura contemporânea, o mash-up literário vem se tornando um fenômeno cada vez mais popular. Saindo do universo das fanfics do mundo online para alcançar a lista dos mais vendidos, esse estilo literário Orgulho e Preconceito e Zumbis - Matt Smith, de Doctor Who, entra no elenco (02)caracteriza-se por inserir em textos canônicos elementos da cultura de massa e da paraliteratura.  Uma característica curiosa, contudo, chama a atenção na forma com que a maioria desses chamados mash-ups literários são compostos. Associado a um texto literário clássico, grande parte desses romances híbridos escolhe como elemento diferenciador algum aspecto ligado à literatura de horror ou ao universo do insólito. O principal objetivo deste trabalho é investigar a razão pela qual esses ‘romances mash-up’ tem tanto interesse em unir traços distintivos como zumbis, vampiros e monstros a textos clássicos como Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade de Jane Austen; e Jane Eyre de Charlotte Brontë.”

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Terror à brasileira: narrativas de medo para crianças e adolescentes (Rosa Gens)

“Por que dar atenção a narrativas que se centralizam no medo? Basta pensar, inicialmente, no movimento de fascinação que crianças e jovens têm apresentado, ao longo dos últimos anos, em relação a obras que se fundamentam no susto e no pavor. Nas três últimas décadas, principalmente, multiplicaram-se liv237a0ff26836e7e3175e59b1f260d8e0ros e filmes que provocam sensações de horror e, mais do que isso, fazem do medo o seu tema básico. Um arrepio, um recuo ao toque, uma sensação de náusea, repulsa e pronto: estamos face ao que não desejávamos e é impossível recuar. O horror, é certo, nos causa ameaça. Em última instância, ameaça o nosso mundo, que já anda para lá de ameaçador. Não é de espantar que o mundo se envolva em artefatos, à maneira das cidadelas medievais, para que se afaste o medo, e, é claro, os bárbaros que possam causá-lo. Assim, engenhocas são mentadas para que os civilizados se sintam mais seguros, envoltos em redes ou grades, em circuitos fechados. No entanto, por entre possibilidades de balas perdidas e um assalto a cada esquina, podemos nos dar ao luxo de ficarmos assustados com histórias de vampiros, lobisomens, monstros, fantasmas… (…)”