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A besta dentro de cada um: metamorfoses do vampiro na literatura brasileira (Pedro Sasse)

Beast_by_Daywish“A publicação da primeira edição de Drácula sucede apenas em alguns anos os famosos assassinatos de Whitechapel, que marcam a ação de um dos primeiros e mais famosos serial killers do mundo, Jack, o estripador. Assim como Jack, o vampiro de Bram Stoker ameaça Londres não apenas fisicamente, mas ontologicamente: ainda que não seja um amaldiçoado morto-vivo, Jack é a confirmação de uma ansiedade crescente que Darwin, entre outros, instaurou na sociedade oitocentista, a de que o homem, longe de ser uma criação especial de Deus, era apenas um animal entre outros. Esse homem cujo interior guarda uma besta sedenta por sangue, representado pela literatura vitoriana de vampiros, encontrará seu espelho realista nos assassinos da literatura de crimes que floresce na mesma época, sem dúvida inflamada por casos como os horrendos crimes de Whitechapel. Enquanto o Brasil não se mostra um país pródigo em representações do vampiro propriamente dito, é rico em narrativas que abordam os mesmos medos inspirados por esse predador urbano, chegando, muitas vezes, a incorporar em suas figuras reais traços desses monstros sobrenaturais. Propomos, assim, uma leitura dos predadores urbanos brasileiros à luz dos medos da animalização do homem levantados pela literatura vitoriana, mostrando uma das metamorfoses possíveis do vampiro em território nacional.”

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 7, 2019.2. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O vampiro como metáfora na literatura brasileira oitocentista (Ana Paula Araújo dos Santos)

thumbnail (1)“Nas literaturas de língua inglesa e na literatura francesa o interesse pelo mito do vampiro pode ser facilmente observado na ampla produção ficcional do século XIX e XX.  Já no Brasil, até a metade do século XX não houve uma produção sistemática de uma ficção que explorasse o mito do vampiro semelhante à da Inglaterra e da França. Contudo, a figura do vampiro se faz presente em obras brasileiras que exploram o seu potencial simbólico. Nelas, o vampiro aparece como figuração de morte, doenças e maldades. O presente artigo visa a uma análise dessas obras, mais especificamente dos contos A esteireira (1898), de Afonso Arinos, e Noites brancas (1920), de Gastão Cruls, além do romance A mortalha de Alzira (1891), de Aluísio Azevedo. As leituras propostas focarão em elementos característicos da temática do vampirismo na literatura: misteriosos encontros noturnos, femme fatales, desregramentos sexuais, perigos de doença e de contágio. Tais características funcionarão como ponto de partida para uma reflexão sobre as razões da suposta ausência, na literatura brasileira oitocentista, daquele que é um dos personagens mais recorrentes na literatura do mal e do medo e da literatura gótica.”

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 7, 2019.2. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Vampiros: algumas faces do monstro em narrativas brasileiras (Maurício Cesar Menon)

original“O vampiro, ao que tudo indica, configura-se como um ser atemporal, seja ocupando as crenças de determinadas sociedades, seja apresentando-se como personagem na literatura, na TV, no cinema, nos quadrinhos, nos jogos etc. Da sua concepção arcaica até as modernas figurações, ele sofreu (e ainda sofre) inúmeras metamorfoses; cada cultura apresenta-o sob formatos diferentes, afirmando ou negando valores de épocas distintas, reinterpretando o mito de diversas formas. Neste trabalho, analisam-se algumas incursões do vampiro pela literatura brasileira, mais precisamente entre 1849 (ano da publicação de Otávio e Branca ou a Maldição Materna – de João Cardoso de Menezes e Souza) e 1908 (ano da publicação de Esfinge – de Coelho Neto). Procura-se, com isso, evidenciar quais foram as faces que a literatura brasileira emprestou a esse mito e perceber se a sua presença em território nacional, de meados do século XIX ao alvorecer do século XX, firmou-se ou se apenas constituiu algo passageiro.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente no Anuário de Literatura (UFSC), v. 2, n.2 (2011). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Octavio e Branca ou A Maldição Materna (João Cardoso de Menezes e Souza)

Meia noite soou! – Nos ares trêmulos

Fúnebre ecoa o som do campanário

De horror gelando o coração dos vivos!

Meia noite soou! – Por toda a parte

Silêncio sepulcral desdobra as asas!

Nem estrondo de andar, que trilhe as ruas

Nem brisa, que murmure brandamente!

Diríeis desmaiada a natureza

Ao pavoroso badalar do bronze.

Só ousa violar mudez tão erma

Do pássaro da noite o guincho agudo,

E uivos de cães, quiçá correndo em cata

De maligno Vampiro redivivo.

Qual lâmpada em dossel de azul safira,

Muda e serena a lua o céu perlustra,

E as nuvens, como bandos d’alvas garças,

De quando em quando a face lhe sombreiam.

Paleja ao longe a torre esbranquiçada,

Como enorme fantasma erguendo a lousa

Envolto no sudário do sepulcro.

Era a hora em que o negro anjo da morte,

Seguido d’um cortejo de finados,

Ergue co’a espada as lápides dos mortos,

E, sobre um solo de escamados ossos,

Planta o seu estandarte funerário.

(…)

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Noites brancas (Gastão Cruls)

kate“(…) Afigurava-se-lhe mesmo uma negrejante vilania querer supor que aquela criatura tão fina, tão angélica, tão espiritual, se pudesse transformar no vampiro luxurioso e insaciável, que todas as noites o possuía furiosamente, a arder na febre de mil desejos. Tão leves eram os seus passos e tanta a treva que a cercava, que, não raro, Carlos só pressentia a amante quando ela, já abeirada do seu leito, deixava cair as vestes, e uma onda de perfume se espalhava pelo quarto todo.(…)”

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