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Vampiros: poses e perversões (Fernando Monteiro de Barros)

vampiresummers“A sexualidade em sua modalidade violenta, noturna e predatória tem, desde a literatura gótica do final do século XVIII, sua mais recorrente metáfora no vampiro, figura mítica legada pelo Romantismo. Enfeixando o amor e a morte, os vampiros têm uma ligação indiscutível com as potências daimônicas e ctonianas: o romance Drácula, de 1897, coloca como principal ameaça do vampirismo a insaciabilidade de seu desejo sexual, tão mais ameaçador por ser percebido enquanto força incontrolável da natureza em sua indiferença arcaica. Neste sentido, os vampiros apresentam uma dimensão dionisíaca indiscutível e, curiosamente, além do próprio deus Dioniso também ter sido associado, por Eurípides, em As bacantes, a um caçador sedento de sangue, os rituais em sua homenagem culminavam na omofagia, ou seja, a ‘consumação imediata do sangue e da carne crua’ da vítima sacrificial, geralmente um touro ou um bode, após seu dilaceramento (diasparagmós, em grego) praticantes do culto.”

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O vampirismo na novela de Lúcio Cardoso (Cristiano de Jesus Rosa)

“Na novela Inácio (1944), de Lúcio Cardoso, o personagem homônimo apresenta traços que são semelhantes aos do vampiro em sua forma de ser e se comportar, principalmente no que diz respeito à sua atuação como um parasita em relação aos demais personagens que participam da narrativa cardosiana. Ele utiliza a sedução como uma das principais armas para envolver o filho, Rogério Palma, e tê-lo como aliado contra Lucas Trindade, seu maior inimigo. Além do mais, por ser um estudo comparativo recorreu-se a Nitrini (2010) e Samoyault (2008), sobre noções de intertextualidade, já Cohen (2000) e Nazário (1998), no que se refere às teorias sobre monstros. Em síntese, Inácio não é um vampiro no rigor do termo, mas as suas ações permitem a um leitor com um olhar mais apurado a fazer uma possível aproximação com esta criatura.”

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A figura do vampiro em obras de escritoras do final do século XX (Fernanda Sousa Carvalho)

“Vampiros sempre foram usados na literatura como símbolos da transgressão de normas e da subversão de papéis sociais, inclusive daqueles relacionados às questões de sexualidade, gênero e raça. Em consonância com teorias que postulam que essas questões estão interrelacionadas na construção de identidades, este trabalho demonstra como obras de escritoras do final do século XX as discutem explorando o potencial de representação de alteridade do vampirismo. Para tanto, são analisados aqui o conto ‘The Lady of the House of Love’, de Angela Carter, e os romances The Queen of the Damned, de Anne Rice, e The Gilda Stories, de Jewelle Gomez.”

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Patágios Fúnebres: uma leitura vampírica de “Otávio e Branca” (Cid Vale Ferreira)

“(…) Em sua “primeira mocidade”, João Cardoso ouviu estarrecido o jurisconsulto Antônio Joaquim Rigothic-castle-17209bas narrar-lhe Leonor, balada terrífica de Gottfried August Bürger que teve longa sequela em autores como Matthew Lewis, responsável por imbuí-la no imaginário gótico inglês. Disposto a se embrenhar pelo estilo, o santista redige Otávio e Branca ou A Maldição Materna, tragédia familiar que ecoa o moralismo macabro de Bürger numa ambientação em que abundam, da estrutura às menores filigranas, elementos típicos das narrativas góticas medievalistas. (…)”

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Octavio e Branca ou A Maldição Materna (João Cardoso de Menezes e Souza)

Meia noite soou! – Nos ares trêmulos

Fúnebre ecoa o som do campanário

De horror gelando o coração dos vivos!

Meia noite soou! – Por toda a parte

Silêncio sepulcral desdobra as asas!

Nem estrondo de andar, que trilhe as ruas

Nem brisa, que murmure brandamente!

Diríeis desmaiada a natureza

Ao pavoroso badalar do bronze.

Só ousa violar mudez tão erma

Do pássaro da noite o guincho agudo,

E uivos de cães, quiçá correndo em cata

De maligno Vampiro redivivo.

Qual lâmpada em dossel de azul safira,

Muda e serena a lua o céu perlustra,

E as nuvens, como bandos d’alvas garças,

De quando em quando a face lhe sombreiam.

Paleja ao longe a torre esbranquiçada,

Como enorme fantasma erguendo a lousa

Envolto no sudário do sepulcro.

Era a hora em que o negro anjo da morte,

Seguido d’um cortejo de finados,

Ergue co’a espada as lápides dos mortos,

E, sobre um solo de escamados ossos,

Planta o seu estandarte funerário.

(…)

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Encontro noturnos em “Noites Brancas”, de Gastão Cruls: traços do vampirismo na Literatura Brasileira (Ana Paula A. Santos)

“(…) Muitos foram os mitos e as culturas que contribuíram para formar a concepção do que entendemos por vampiro até os dias de hoje. Obviamente, essa miscigenação de culturas está refletida na extrema variedade de tipos de personagens vampíricas, que parecem convergir para um único traço em comum: a do morto que volta ao mundo dos vivos para atacar suas vítimas à noite. (…)”

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Noites brancas (Gastão Cruls)

kate“(…) Afigurava-se-lhe mesmo uma negrejante vilania querer supor que aquela criatura tão fina, tão angélica, tão espiritual, se pudesse transformar no vampiro luxurioso e insaciável, que todas as noites o possuía furiosamente, a arder na febre de mil desejos. Tão leves eram os seus passos e tanta a treva que a cercava, que, não raro, Carlos só pressentia a amante quando ela, já abeirada do seu leito, deixava cair as vestes, e uma onda de perfume se espalhava pelo quarto todo.(…)”

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