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A natureza como fonte do medo: o efeito sublime em “Os Salgueiros” e “Valsa Fantástica” (Marina Sena)

“A natureza é uma das principais fontes do sublime, por seu caráter magnífico, terrível e incontrolável. A percepção de que ela, bela e perigosa, está muito acima de suas forças e dita as leis de sobrevivência dos homens é, muitas vezes, aterrorizante. O trabalho visa analisar, de modo comparatista, as relações entre natureza, medo estético e efeito sublime nos contos ‘Os Salgueiros’ (1907), de Algernon Blackwood, e ‘Valsa Fantástica‘ (1894), de Afonso Celso. Parte-se da percepção de que a descrição do sublime natural é presente nos dois textos, mas com desdobramentos diversos: no conto do escritor brasileiro, o sublime se constrói a partir de causas estritamente naturais. Porém, na obra do escritor inglês, o sublime desdobra-se em uma série de eventos que são inicialmente tomados como naturais, mas que se revelam, ao decorrer da narrativa, ambíguos e, por fim, francamente sobrenaturais. Tal comparação permitirá exemplificar a tendência ao real da literatura do medo brasileira. Como fundamentação teórica, utilizaremos a teoria do sublime de Edmund Burke, em Uma investigação filosófica sobre as nossas ideias do sublime e do belo.”

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Os Salgueiros (Algernon Blackwood)

“E, contudo, o medo que sentia não era um simples medo de fantasmas. Era infinitamente maior e mais estranho, parecendo surgir de um senso de terror ancestral, muito mais perturbador do que qualquer outro temor que jamais tivera, mesmo em sonhos. Havíamos feito um “desvio”, como o Sueco dissera, e caímos numa região de enormes riscos, embora desconhecidos; uma região onde as fronteiras de um mundo misterioso algernon_blackwood_s_the_willows_by_mgkellermeyer-d6uh2kcestavam muito próximas. Um ponto dominado por habitantes do espaço, uma espécie de visor por onde eles espionavam a terra, às escondidas, um ponto em que era tênue a linha divisória entre os dois mundos. Se ficássemos por muito tempo mais, seríamos arrastados através da fronteira e privados daquilo que chamamos “nossa vida”, ainda que por um  processo mental e não-físico. Nesse sentido, seríamos, como ele dizia, as vítimas de nossa aventura  — as vítimas do sacrifício.”

Leia aqui o conto completo, em inglês