Arquivo da tag: Terror

Se eles apenas soubessem que ela tinha o poder: a monstruosidade feminina em Carrie, a estranha (Gabriela Müller Larocca)

Resultado de imagem para carrie 1976“A aproximação do feminino com o monstruoso é algo comum em diversas sociedades e invoca o medo da diferença e do corpo feminino. Nosso objetivo ao longo desse trabalho é analisar a produção cinematográfica estadunidense Carrie, a Estranha, lançada em 1976, e suas representações de gênero e sexualidade. Ademais, refletiremos acerca da feminilidade no gênero fílmico de horror, como parte de uma longa tradição cultural que a associa ao mal, despertando medos e inseguranças. Sendo assim, podemos argumentar que a presença da monstruosidade feminina no horror diz muito mais respeito à medos masculinos do que à desejos ou subjetividades femininas.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente nos  Anais do XXVIII Simpósio Nacional de História. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 


Terror e Deleite: o sublime terrível em “A guarida de pedra” de Fagundes Varela (João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para a guarida de pedra fagundes varela“O objetivo deste ensaio […] é analisar “A guarida de pedra”, tomando-a como uma produção gótica, à luz da teoria estética de Edmund Burke. A hipótese de trabalho é a de que as principais estratégias narrativas para a produção de um efeito sublime são, por um lado, o elemento sobrenatural aliado à descrição espacial e, por outro, a narração em moldura. Assim, na análise aqui proposta, dar-se-á ênfase à construção do espaço ficcional, e à moldura como um artifício para promover o distanciamento necessário ao sublime. Para tanto, pretendemos fazer, em um primeiro momento, algumas breves reflexões teóricas que possibilitarão uma melhor compreensão da narrativa de Varela.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios das Jornadas FantásticasRepublicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Os desdobramentos estéticos do medo cósmico: o riso bakhtiniano, o horror lovecraftiano (Júlio França e João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para horror cósmico lovecraft“O artigo propõe a comparação entre as noções de “medo cósmico” formuladas por H. P. Lovecraft (2007) e Mikhail Bakhtin (2010), com especial atenção aos seus desdobramentos estéticos: no primeiro caso, o sublime de orientação burkeana observável na reflexão crítica e na ficção do escritor norte-americano; no segundo, a teoria do grotesco proposta pelo ensaísta russo a partir de seus estudos sobre a cultura popular medieval. O objetivo é demonstrar que embora o sublime e o grotesco sejam entendidos, por Lovecraft e Bakhtin, respectivamente, como consequências de um mesmo fenômeno antropológico – a percepção do papel insignificante do homem no cosmos – as duas categorias estéticas são empregadas para descrever obras artísticas que produzem efeitos de recepção tradicionalmente entendidos como antagônicos: o horror e o humor. A hipótese proposta para compreender tal paradoxo baseia-se no estudo de Noël Carroll (1999) sobre as relações de contiguidade entre o medo e o riso.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n.4. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Terror e melancolia: o sublime na poesia de Fagundes Varela (João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para burke sublime“Este artigo analisa a manifestação do sublime na poesia de Fagundes Varela, tendo como objetos de investigação os poemas “Cântico do calvário” (1865) e “A sede” (1869). Neste ensaio, trabalhamos, especificamente, com duas dessas formulações, a saber, o sublime romântico wordsworthiano, que podemos reconstruir a partir das considerações de Wordsworth acerca da poesia, e o conceito definido por Edmund Burke em sua Investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo (1757). Para contrastar ambas as teorias da sublimidade, partimos da divisão proposta por Thomas Weiskel (1994) entre um sublime negativo e outro positivo, o primeiro derivado da ideia de que a alma humana é finita e limitada e o segundo relacionado à noção de que ela é infinita. A partir dessa distinção, podemos afirmar que o sublime burkeano, pautado no instinto de autopreservação e nas ideias de dor e perigo, seria de natureza negativa, enquanto o sublime wordsworthiano, que visa a afirmar as capacidades quase divinas da alma, seria de natureza positiva. Nosso objetivo é demonstrar que o poeta fluminense, em sua produção, adotou elementos comuns a ambas as versões do sublime.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


O lugar enquanto emanação do terror (Maurício Cesar Menon)

7354504_Y8epD“O lugar encontra, em nossa vida, um espaço afetivo de singular importância capaz de delinear os contornos de nossa própria existência. É nele que nascemos e que nos identificamos culturalmente e socialmente, mas também é nele que morremos e deixamos a nossa memória. Essa memória pode tornar-se, também, parte integrante do lugar, ajudando a escrever a história deste.

Construída de diferentes maneiras, tal memória pode ser constituída de fatos que trazem à tona momentos felizes, momentos de grande decisão, momentos trágicos e por vezes, até, momentos que guardam uma aura de mistério ou de terror. Geralmente quando se dá este último aspecto da memória ligada ao lugar, cria-se ao redor dele uma atmosfera fantástica que pode passar a gerar outras histórias do mesmo cunho.

Há muito lugares ao redor do mundo que encontram-se envoltos por uma atmosfera de mistério. Visita-se o castelo de Drácula na Romênia, onde viveu o príncipe Vlad Tepes, espaço figurativo do romance homônimo de Bram Stocker; visitam-se os castelos ditos assombrados da Inglaterra, espaços que deram origem a muitas das histórias inglesas de fantasmas; viaja-se até Loch Ness, na Escócia, na esperança de se ver um monstro emergir das profundezas do lago escuro, mesmo já desmentida a lenda. Eis aí apenas alguns dos constructos ligados ao imaginário de lugares onde a fantasia e mistério mesclam-se à realidade, tornando as fronteiras entre o real e o irreal, muitas vezes, indefinidas.”

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O Gato Preto (Edgar Allan Poe)

“Certa noite, de volta a casa, bastante embriagado, de uma das tascas dos subúrbios, supus que o gato evitava minha presença. Agarrei-o, mas, nisto, amedrontado  com a minha violência, deu-me ele leve dentada na mão. Uma fúria diabólica apossou-se instantaneamente de mim. Cheguei a desconhecer-me. Parecia que minha alma original havia abandonado dBlack-Cate repente o corpo e uma maldade mais do que satânica, saturada de álcool, fazia vibrar todas as fibras de meu corpo. Tirei do bolso do colete um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pela garganta e, deliberadamente, arranquei-lhe um dos olhos da órbita! Coro, abraso-me, estremeço ao narrar a condenável atrocidade.”

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A noção de crime no apocalipse zumbi em “The Walking Dead” (Claudio Vescia Zanini)

twdO objetivo deste trabalho é discutir o conceito de crime no universo ficcional proposto pela série de TV estadunidense The Walking Dead. Parte-se da ideia que o cenário proposto pelo universo ficcional da série – um mundo dominado por mortos dotados de movimento e instinto, onde apenas uma minoria permanece sem ser afetada pela nova condição – acarreta mudanças significativas no que diz respeito às noções de identidade, sobrevivência, interação social e ética, afetando as relações entre os personagens e a ideia básica do que seja crime.”

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