Arquivo da tag: Terror

Os desdobramentos estéticos do medo cósmico: o riso bakhtiniano, o horror lovecraftiano (Júlio França e João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para horror cósmico lovecraft“O artigo propõe a comparação entre as noções de “medo cósmico” formuladas por H. P. Lovecraft (2007) e Mikhail Bakhtin (2010), com especial atenção aos seus desdobramentos estéticos: no primeiro caso, o sublime de orientação burkeana observável na reflexão crítica e na ficção do escritor norte-americano; no segundo, a teoria do grotesco proposta pelo ensaísta russo a partir de seus estudos sobre a cultura popular medieval. O objetivo é demonstrar que embora o sublime e o grotesco sejam entendidos, por Lovecraft e Bakhtin, respectivamente, como consequências de um mesmo fenômeno antropológico – a percepção do papel insignificante do homem no cosmos – as duas categorias estéticas são empregadas para descrever obras artísticas que produzem efeitos de recepção tradicionalmente entendidos como antagônicos: o horror e o humor. A hipótese proposta para compreender tal paradoxo baseia-se no estudo de Noël Carroll (1999) sobre as relações de contiguidade entre o medo e o riso.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n.4. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.

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Terror e melancolia: o sublime na poesia de Fagundes Varela (João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para burke sublime“Este artigo analisa a manifestação do sublime na poesia de Fagundes Varela, tendo como objetos de investigação os poemas “Cântico do calvário” (1865) e “A sede” (1869). Neste ensaio, trabalhamos, especificamente, com duas dessas formulações, a saber, o sublime romântico wordsworthiano, que podemos reconstruir a partir das considerações de Wordsworth acerca da poesia, e o conceito definido por Edmund Burke em sua Investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo (1757). Para contrastar ambas as teorias da sublimidade, partimos da divisão proposta por Thomas Weiskel (1994) entre um sublime negativo e outro positivo, o primeiro derivado da ideia de que a alma humana é finita e limitada e o segundo relacionado à noção de que ela é infinita. A partir dessa distinção, podemos afirmar que o sublime burkeano, pautado no instinto de autopreservação e nas ideias de dor e perigo, seria de natureza negativa, enquanto o sublime wordsworthiano, que visa a afirmar as capacidades quase divinas da alma, seria de natureza positiva. Nosso objetivo é demonstrar que o poeta fluminense, em sua produção, adotou elementos comuns a ambas as versões do sublime.”

Leia o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


O lugar enquanto emanação do terror (Maurício Cesar Menon)

7354504_Y8epD“O lugar encontra, em nossa vida, um espaço afetivo de singular importância capaz de delinear os contornos de nossa própria existência. É nele que nascemos e que nos identificamos culturalmente e socialmente, mas também é nele que morremos e deixamos a nossa memória. Essa memória pode tornar-se, também, parte integrante do lugar, ajudando a escrever a história deste.

Construída de diferentes maneiras, tal memória pode ser constituída de fatos que trazem à tona momentos felizes, momentos de grande decisão, momentos trágicos e por vezes, até, momentos que guardam uma aura de mistério ou de terror. Geralmente quando se dá este último aspecto da memória ligada ao lugar, cria-se ao redor dele uma atmosfera fantástica que pode passar a gerar outras histórias do mesmo cunho.

Há muito lugares ao redor do mundo que encontram-se envoltos por uma atmosfera de mistério. Visita-se o castelo de Drácula na Romênia, onde viveu o príncipe Vlad Tepes, espaço figurativo do romance homônimo de Bram Stocker; visitam-se os castelos ditos assombrados da Inglaterra, espaços que deram origem a muitas das histórias inglesas de fantasmas; viaja-se até Loch Ness, na Escócia, na esperança de se ver um monstro emergir das profundezas do lago escuro, mesmo já desmentida a lenda. Eis aí apenas alguns dos constructos ligados ao imaginário de lugares onde a fantasia e mistério mesclam-se à realidade, tornando as fronteiras entre o real e o irreal, muitas vezes, indefinidas.”

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O Gato Preto (Edgar Allan Poe)

“Certa noite, de volta a casa, bastante embriagado, de uma das tascas dos subúrbios, supus que o gato evitava minha presença. Agarrei-o, mas, nisto, amedrontado  com a minha violência, deu-me ele leve dentada na mão. Uma fúria diabólica apossou-se instantaneamente de mim. Cheguei a desconhecer-me. Parecia que minha alma original havia abandonado dBlack-Cate repente o corpo e uma maldade mais do que satânica, saturada de álcool, fazia vibrar todas as fibras de meu corpo. Tirei do bolso do colete um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pela garganta e, deliberadamente, arranquei-lhe um dos olhos da órbita! Coro, abraso-me, estremeço ao narrar a condenável atrocidade.”

Leia aqui o conto completo, em inglês


A noção de crime no apocalipse zumbi em “The Walking Dead” (Claudio Vescia Zanini)

twdO objetivo deste trabalho é discutir o conceito de crime no universo ficcional proposto pela série de TV estadunidense The Walking Dead. Parte-se da ideia que o cenário proposto pelo universo ficcional da série – um mundo dominado por mortos dotados de movimento e instinto, onde apenas uma minoria permanece sem ser afetada pela nova condição – acarreta mudanças significativas no que diz respeito às noções de identidade, sobrevivência, interação social e ética, afetando as relações entre os personagens e a ideia básica do que seja crime.”

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De Charles Perrault a Angela Carter: uma releitura da personagem Chapeuzinho Vermelho no conto “A Companhia dos Lobos” (Fabianna Simão Bellizzi Carneiro e Alexander Meireles da Silva)

“Este trabalho fará um recorte no conto ‘A companhia dos lobos’ da escritora inglesa Angela Carter, tendo como suporte teórico textos de autores que pontuaram relevantes análises críticas a respeito da inserção feminina em vários campos da sociedade contemporânea. Daí que temas como gênero, identidade, feminismo e comparativismo serão de fundamental importância para este trabalho, que se pretende analítico e não conclusivo. Portanto, teremos alcançado nossos objetivos na medida em que conseguirmos problematizar a questão feminina não somente pelo viés da escrita das mulheres, mas imbricada a outros temas que são de fundamental importância para pensarmos a condição feminina pós-moderna.”

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Há perigo na esquina: ficção e realidade nos espaços do medo de João do Rio (Pedro Sasse)

“Na literatura do medo, a ambientação é fundamental para a produção de seus efeitos estéticos. Esse trabalho pretende des­crever os espaços do medo no Rio de Janeiro do início do século XX, a partir de duas victorian-man-with-top-hat-on-a-cobbled-street-at-night-lee-avisonobras de João do Rio: Dentro da noite, uma coletânea de contos sobre os terrores e deturpações da ci­dade, abordando temas como tortura, suicídios e deformações; e A alma encantadora das ruas, uma coletânea de crônicas sobre o lado menos glamoroso da Belle Époque carioca, veremos a visão social e histórica do autor sobre os mesmos temas. Através de uma leitura comparativa, visa-se demonstrar como, na litera­tura de medo urbano, as fronteiras entre os espaços ficcionais e os espaços reais são difusas, e como essa característica contribui para a produção do medo como efeito de recepção.”

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