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“Sobre a superstição do Gótico” e “Sobre objetos de terror” (Nathan Drake)

cd5d2e23b063485b1d8bce7f477e1ea4Nathan Drake foi um médico e literato inglês, mais conhecido por ter produzido o livro Shakespeare and His Times (1817), que reúne informações da época elisabetana e análises da literatura da época – sobretudo, da obra shakespeariana. Desde a infância, Drake exibia interesses e habilidades científicas e literárias. Formou-se em Medicina pela Universidade de Edimburgo, em 1789, com a tese De Somno, que despertou suspeitas quanto à sua autoria devido à sua brilhante escrita em latim. Drake possuía profunda afeição pela literatura, e tornou-se membro honorário da Royal Society of Literature.

Em 1790, lançou o periódico The Speculator, em que publicou ensaios sobre literatura e dramaturgia alemãs, das quais era um grande entusiasta. Alcançou grande popularidade no início do século XIX a partir da repercussão de seu livro de ensaios críticos, Literary Hours (1798). Vinte e dois anos após o lançamento, a obra já contava com três volumes e fora traduzida para o alemão e para o francês. Nela, Drake também incluiu produções autorais em prosa e verso. Nesses textos, seu interesse pelo sobrenatural torna-se evidente, sobretudo no conto The Abbey of Clunedale, fortemente inspirado pelos elementos góticos radcliffeanos.

Tal como o seu título sugere, o ensaio “Sobre a superstição do Gótico” discorre a respeito das fontes da superstição gótica e, além disso, discute o prazer e o fascínio que esse tipo de literatura desperta em seus leitores. Já em “Sobre objetos de terror”, o autor divide os elementos que promovem reações emocionais em dois tipos: os que provêm de seres e de eventos naturais, e os originados por entes sobre-humanos. É neste ensaio que Drake confere à Ann Radcliffe a famosa alcunha de “Shakespeare dos romancistas”, ao produzir uma crítica apologética e instrutiva de O Italiano (1797).

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Os fundamentos da crítica em poesia (John Dennis)

dark academia“John Dennis foi um crítico literário e dramaturgo britânico. Estudou na Harrow School e em Cambridge, onde obteve o título de Mestre pelo Trinity Hall. Dennis viajou pela Europa antes de se instalar definitiva- mente em Londres, onde conviveu com importantes figuras literárias, entre elas, o escritor John Dryden. Apesar de suas odes e peças terem obtido pouco sucesso, Dennis tornou-se um dos principais críticos literários de sua geração, sendo um dos pioneiros na reflexão a respeito do conceito do sublime na Inglaterra. Sua defesa da paixão como um elemento importante para a poesia motivou uma longa polêmica com Alexander Pope.

Entre as principais obras críticas do autor destacam-se The Advancement and Reformation of Modern Poetry (1701) e An Essay on the Genius and Writings of Shakespeare (1712). Dennis defendia que a literatura se aproxima da religião na medida em que seu objetivo seria comover o público. Por esse motivo, privilegiava a emoção e a elevação em detrimento de um discurso polido e ornamentado. Essa postura explica a sua antipatia pela poesia de Pope e sua grande admiração pela obra de John Milton, assim como o seu grande entusiasmo pelo conceito do sublime.

Em The Grounds of Criticism in Poetry (1704), Dennis trata diretamente do sublime, e procura descrever em que consiste a poesia mais elevada e aquilo que compreende por entusiasmo, ou paixão entusiasmada. Em sua defesa da paixão como elemento essencial para a poesia, o crítico incorporou emoções como o terror e o assombro – desprezadas pelos teóricos do Neoclassicismo. Sua preferência pelo terror resulta em uma defesa da presença de ideias religiosas na poesia, pois somente assim um poeta poderia alcançar o mais alto grau de elevação.”

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Sobre o prazer derivado de objetos de terror (John Aikin e Anna Laetitia)

7c759f55-e6b6-4217-a26e-2bc6f0f118ed“John Aikin foi um escritor e médico inglês formado pela Universidade de Edimburgo. Mudou-se em 1792 para Londres, onde, tempos depois, deixaria de exercer seus trabalhos como cirurgião para se dedicar a questões relacionadas à liberdade religiosa e de consciência. Seus estudos trouxeram contribuições significativas para a medicina e para os estudos literários, relacionando, por vezes, as duas áreas – como em seus ensaios que associam as novas descobertas científicas ao aprimoramento da poesia. Entre suas realizações, destacam-se o trabalho como editor da The Monthly Magazine e o lançamento de Evenings at home (1792-1796), uma coleção de histórias infantis escritas em conjunto com sua irmã, a também escritora Anna Laetitia Barbauld.

Engajada politicamente, Anna Laetitia atuou como poeta, ensaísta, editora, e também como professora na Palgrave Academy. Seu trabalho enquanto educadora serviu de modelo para práticas pedagógicas durante muitos anos, e sua atuação como crítica e ensaísta colaborou para o estabelecimento do cânone da literatura do século XVIII. Entre suas obras, destacam-se a série de livros Lessons for Children (1778-1779) – seu mais notório trabalho, fundamental para o desenvolvimento da literatura infantil – e o poema que censurava a participação britânica nas guerras, Eighteen Hundred and Eleven (1812), cujas duras críticas recebidas deram fim a sua carreira literária.

Anna Laetitia e John Aikin publicaram juntos o livro Miscellaneous pieces, in prose (1773), de onde retirou-se Sobre o prazer derivados de terror, texto em que analisam o comportamento humano diante de cenas e objetos terríveis. Os dois irmãos buscam, no ensaio, compreender a intensidade e a variedade de sensações – do espanto à curiosidade, do estranhamento ao prazer – provocadas por cenas de horror artificialmente criadas através das artes literárias.”

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(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Aquele olhar (Rocha Pombo)

images (1)“Nascido em Morretes, cidade da região litorânea do Paraná, Rocha Pombo (1857-1933) teve uma carreira intelectual intensa. Aos 18 anos, já trabalhando como professor, escreveu seu primeiro artigo sobre educação, dando início ao que viria a ser uma extensa produção, sobretudo no campo da História. Em paralelo à sua abundante produção bibliográfica, Rocha Pombo desenvolveu uma ativa atuação como homem público, fundando colégios, criando e dirigindo jornais e sendo eleito Deputado Provincial. Ele foi membro tanto do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro quanto da Academia Brasileira de Letras.

Abolicionista e republicano de primeira hora, Rocha Pombo afastou-se da política após a proclamação da República, por motivos familiares, quando passou a se dedicar mais à carreira de escritor. Ele é autor dos dez volumes da História do Brasil (1918), obra que atingiu vinte e três edições e foi adotado como livro oficial para o ensino da disciplina no país. No campo da literatura, o romance No hospício (1905) talvez seja a sua principal obra, apesar da recepção crítica desfavorável à época, ainda dominada por concepções artísticas de cunho naturalista. Descrito por Andrade Muricy como precursora do romance metafísico no Brasil, a narrativa chama atenção pela exploração de um tema caro à tradição da literatura fantástica: o duplo. Tomando como pano de fundo o ambiente opressivo de obsessão e loucura do hospício, Rocha Pombo vale-se de convenções decadentes e simbolistas para compor um prosa poética que mescla misticismo, espiritualidade e terror.

Aquele olhar, selecionado para esta antologia, foi publicado em 1911, no livro Contos e pontos. Trata-se de uma narrativa em primeira pessoa, em que o narrador-protagonista, caminhando em meio a ruínas não plenamente identificadas, depara-se com um vulto. Ante a misteriosa figura, que não lhe responde aos chamados, o narrador especula sobre quem ou o que seria a disforme aparição, até que o enigmático ser decide narrar a trágica história de sua ‘dupla’ morte.”

Leia aqui o conto completo.

(*) Esse conto faz parte da coletânea Páginas Perversas: narrativas brasileiras esquecidas, organizada por Maria Cristina Batalha, Júlio França e Daniel Augusto P. Silva. Adquira o livro aqui.


Se eles apenas soubessem que ela tinha o poder: a monstruosidade feminina em Carrie, a estranha (Gabriela Müller Larocca)

Resultado de imagem para carrie 1976“A aproximação do feminino com o monstruoso é algo comum em diversas sociedades e invoca o medo da diferença e do corpo feminino. Nosso objetivo ao longo desse trabalho é analisar a produção cinematográfica estadunidense Carrie, a Estranha, lançada em 1976, e suas representações de gênero e sexualidade. Ademais, refletiremos acerca da feminilidade no gênero fílmico de horror, como parte de uma longa tradição cultural que a associa ao mal, despertando medos e inseguranças. Sendo assim, podemos argumentar que a presença da monstruosidade feminina no horror diz muito mais respeito à medos masculinos do que à desejos ou subjetividades femininas.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente nos  Anais do XXVIII Simpósio Nacional de História. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 


Terror e Deleite: o sublime terrível em “A guarida de pedra” de Fagundes Varela (João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para a guarida de pedra fagundes varela“O objetivo deste ensaio […] é analisar “A guarida de pedra”, tomando-a como uma produção gótica, à luz da teoria estética de Edmund Burke. A hipótese de trabalho é a de que as principais estratégias narrativas para a produção de um efeito sublime são, por um lado, o elemento sobrenatural aliado à descrição espacial e, por outro, a narração em moldura. Assim, na análise aqui proposta, dar-se-á ênfase à construção do espaço ficcional, e à moldura como um artifício para promover o distanciamento necessário ao sublime. Para tanto, pretendemos fazer, em um primeiro momento, algumas breves reflexões teóricas que possibilitarão uma melhor compreensão da narrativa de Varela.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios das Jornadas FantásticasRepublicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Os desdobramentos estéticos do medo cósmico: o riso bakhtiniano, o horror lovecraftiano (Júlio França e João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para horror cósmico lovecraft“O artigo propõe a comparação entre as noções de “medo cósmico” formuladas por H. P. Lovecraft (2007) e Mikhail Bakhtin (2010), com especial atenção aos seus desdobramentos estéticos: no primeiro caso, o sublime de orientação burkeana observável na reflexão crítica e na ficção do escritor norte-americano; no segundo, a teoria do grotesco proposta pelo ensaísta russo a partir de seus estudos sobre a cultura popular medieval. O objetivo é demonstrar que embora o sublime e o grotesco sejam entendidos, por Lovecraft e Bakhtin, respectivamente, como consequências de um mesmo fenômeno antropológico – a percepção do papel insignificante do homem no cosmos – as duas categorias estéticas são empregadas para descrever obras artísticas que produzem efeitos de recepção tradicionalmente entendidos como antagônicos: o horror e o humor. A hipótese proposta para compreender tal paradoxo baseia-se no estudo de Noël Carroll (1999) sobre as relações de contiguidade entre o medo e o riso.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n.4. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Terror e melancolia: o sublime na poesia de Fagundes Varela (João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para burke sublime“Este artigo analisa a manifestação do sublime na poesia de Fagundes Varela, tendo como objetos de investigação os poemas “Cântico do calvário” (1865) e “A sede” (1869). Neste ensaio, trabalhamos, especificamente, com duas dessas formulações, a saber, o sublime romântico wordsworthiano, que podemos reconstruir a partir das considerações de Wordsworth acerca da poesia, e o conceito definido por Edmund Burke em sua Investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo (1757). Para contrastar ambas as teorias da sublimidade, partimos da divisão proposta por Thomas Weiskel (1994) entre um sublime negativo e outro positivo, o primeiro derivado da ideia de que a alma humana é finita e limitada e o segundo relacionado à noção de que ela é infinita. A partir dessa distinção, podemos afirmar que o sublime burkeano, pautado no instinto de autopreservação e nas ideias de dor e perigo, seria de natureza negativa, enquanto o sublime wordsworthiano, que visa a afirmar as capacidades quase divinas da alma, seria de natureza positiva. Nosso objetivo é demonstrar que o poeta fluminense, em sua produção, adotou elementos comuns a ambas as versões do sublime.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


O lugar enquanto emanação do terror (Maurício Cesar Menon)

7354504_Y8epD“O lugar encontra, em nossa vida, um espaço afetivo de singular importância capaz de delinear os contornos de nossa própria existência. É nele que nascemos e que nos identificamos culturalmente e socialmente, mas também é nele que morremos e deixamos a nossa memória. Essa memória pode tornar-se, também, parte integrante do lugar, ajudando a escrever a história deste.

Construída de diferentes maneiras, tal memória pode ser constituída de fatos que trazem à tona momentos felizes, momentos de grande decisão, momentos trágicos e por vezes, até, momentos que guardam uma aura de mistério ou de terror. Geralmente quando se dá este último aspecto da memória ligada ao lugar, cria-se ao redor dele uma atmosfera fantástica que pode passar a gerar outras histórias do mesmo cunho.

Há muito lugares ao redor do mundo que encontram-se envoltos por uma atmosfera de mistério. Visita-se o castelo de Drácula na Romênia, onde viveu o príncipe Vlad Tepes, espaço figurativo do romance homônimo de Bram Stocker; visitam-se os castelos ditos assombrados da Inglaterra, espaços que deram origem a muitas das histórias inglesas de fantasmas; viaja-se até Loch Ness, na Escócia, na esperança de se ver um monstro emergir das profundezas do lago escuro, mesmo já desmentida a lenda. Eis aí apenas alguns dos constructos ligados ao imaginário de lugares onde a fantasia e mistério mesclam-se à realidade, tornando as fronteiras entre o real e o irreal, muitas vezes, indefinidas.”

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O Gato Preto (Edgar Allan Poe)

“Certa noite, de volta a casa, bastante embriagado, de uma das tascas dos subúrbios, supus que o gato evitava minha presença. Agarrei-o, mas, nisto, amedrontado  com a minha violência, deu-me ele leve dentada na mão. Uma fúria diabólica apossou-se instantaneamente de mim. Cheguei a desconhecer-me. Parecia que minha alma original havia abandonado dBlack-Cate repente o corpo e uma maldade mais do que satânica, saturada de álcool, fazia vibrar todas as fibras de meu corpo. Tirei do bolso do colete um canivete, abri-o, agarrei o pobre animal pela garganta e, deliberadamente, arranquei-lhe um dos olhos da órbita! Coro, abraso-me, estremeço ao narrar a condenável atrocidade.”

Leia aqui o conto completo, em inglês