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Terror e melancolia: o sublime na poesia de Fagundes Varela (João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para burke sublime“Este artigo analisa a manifestação do sublime na poesia de Fagundes Varela, tendo como objetos de investigação os poemas “Cântico do calvário” (1865) e “A sede” (1869). Neste ensaio, trabalhamos, especificamente, com duas dessas formulações, a saber, o sublime romântico wordsworthiano, que podemos reconstruir a partir das considerações de Wordsworth acerca da poesia, e o conceito definido por Edmund Burke em sua Investigação filosófica sobre a origem de nossas ideias do sublime e do belo (1757). Para contrastar ambas as teorias da sublimidade, partimos da divisão proposta por Thomas Weiskel (1994) entre um sublime negativo e outro positivo, o primeiro derivado da ideia de que a alma humana é finita e limitada e o segundo relacionado à noção de que ela é infinita. A partir dessa distinção, podemos afirmar que o sublime burkeano, pautado no instinto de autopreservação e nas ideias de dor e perigo, seria de natureza negativa, enquanto o sublime wordsworthiano, que visa a afirmar as capacidades quase divinas da alma, seria de natureza positiva. Nosso objetivo é demonstrar que o poeta fluminense, em sua produção, adotou elementos comuns a ambas as versões do sublime.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


Lovecraft e o Sublime (João Pedro Bellas)

cthulhu-rlyeh-rising“Nos estudos recentes sobre o pensamento e a ficção de H. P. Lovecraft um tema frequente diz respeito à influência que as teses do filósofo irlandês Edmund Burke acerca do sublime teriam exercido sobre o autor de Providence. Mesmo que não tenhamos nenhuma evidência de que Lovecraft tenha lido a obra de Burke, as ideias propostas no ensaio Supernatural Horror in Literature são bastante semelhantes à teoria do sublime formulada pelo filósofo em seu tratado A Philosophical Enquiry into the Origin of Our Ideas of the Sublime and Beautiful. O objetivo deste trabalho, portanto, é explicitar as semelhanças entre as teses de ambos os autores, bem como mostrar como, além de endossar a teoria burkeana do sublime, Lovecraft a assimila em sua produção ficcional, fazendo dela um guia de composição.”

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Wonderland: o efeito sublime e as aventuras de Alice (Marina Ferraz Rocha)

“O nome “Wonderland” sugere uma terra repleta de coisas estranhas e surpreendentes, fonte de interesse e de surpresa. Contudo, outra acepção da palavra “wonder” é importante para a compreensão da atitude de Alice. Como um verbo, “to wonder”, significa pensar ou especular curiosamente; ser tomado por admiração ou maravilhamento; duvidar. Dessa forma, Wonderland é tanto o país das maravilhas, quanto a terra das especulações. A atitude curiosa e especulativa de Alice é o ponto de partida para se investigar o sublime no texto de Lewis Carroll. Começa-se por esses elementos, pois é por meio deles que se dá o processo de maravilhamento na obra; ele não ocorre de forma sensorial, valendo-se de imagens ou outros recursos que produzam sensações sublimes.

O maravilhamento é produto da falta de sentido, é resultado de um jogo curioso com a razão; assim, ocorre nos domínios da cognição, pois está além do racional. É nesse ponto que poderia ser pensada a relação com o sublime, pois de acordo com Edmund Burke, a origem da força do sublime não resulta de raciocínios, mas “antecede-os e nos arrebata com uma força irresistível”. Sob a influência do efeito sublime, o sujeito não pode nem pensar sobre o objeto que é o foco de sua atenção. Alice vive uma sequência de acontecimentos fantásticos que escapam à racionalidade e, assim, inspiram-na maravilhamento e admiração – um efeito secundário do sublime.

No entanto, a produção do efeito sublime não é completa, pois falta um elemento essencial. Em Alice’s Adventures in Wonderland, o terror e o medo não figuram dentre o conjunto de reações da personagem. A produção do efeito sublime é abortada devido à ausência de elementos terríveis e ao excesso de curiosidade, que não abre espaço para a densidade e a intensificação da admiração produzida pelos acontecimentos incomuns que protagoniza.”

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