Arquivo da tag: Stephen King

Uma Análise do Medo em “A Coisa” de Stephen King (Eduardo Casagrande)

“Este trabalho trata da questão do medo na obra A Coisa stephen_king__s_it_by_malevolentnatede Stephen King. Balizado em algumas obras da área de psicologia, este estudo tem como objetivo abordar algumas questões relativas ao medo, tema central em A Coisa. Primeiramente o trabalho procura discutir o que é o sentimento do medo e como ele se apresenta de modo geral. Posteriormente, trata-se da questão da representação do medo ao longo do tempo. Para fins de ilustração, são citados e discutidos as figuras de Deus e do Demônio, Dr. Jekyll e Mr. Hyde e também o personagem cinematográfico Freddy Krueger. Neste segmento busca-se argumentar que as figuras acima citadas geram medo por serem representativas de nosso próprio lado negro, que almejamos esconder do olhar alheio. São também abordados temas da psicologia como os arquétipos, principalmente o da sombra, o inconsciente coletivo e também o conceito de dissociação, entre outros. Por fim, em uma análise mais focada na obra de Stephen King, busca-se discutir como os conceitos previamente tratados aparecem na obra de ficção. Para este fim, são discutidos primordialmente as sete crianças e seus medos, bem como o vilão da trama, Pennywise em suas mais diversas formas. A premissa que permeia este estudo é de que o terror apresentado vai muito além de um terror sobrenatural ou de caráter externo, mas pelo contrário, o terror nada mais é do que habita no mais íntimo dos personagens.”

Leia o ensaio completo


A Coisa (Stephen King)

“O banheiro era iluminado por tubos fluorescentes. Tudo estava muito brilhante. Não havia sombras. Era possível ver-se tudo, querendo ou não. A água na banheira era de um tom rosa-vivo. Stanley jazia com as costas recostadas no final da banheira. A cabeça descambara tão para trás, sobre o pescoço, que mechas de seu curto cabelo negro roçavam a pele entre as omoplatas. Se os olhos abertos ainda pudessem ver, Patty lhe pareceria estar de cabeça para baixo. A boca pendia aberta, como uma porta de molas. Sua expressão era de gélido e abismal horror. Um pacotinho de lâminas de barbear Gillette Platinum Plus jazia sobre a borda da banheira. Ele havia cortado a parte interna dos antebraços, do punho à dobra do cotovelo, depois cruzando os cortes logo abaixo dos Braceletes da Fortuna, formando um par de sangrentos ‘T’ maiúsculos. Os cortes cintilavam em vermelho-púrpura, à crua luz branca. Patty pensou que os tendões expostos e os ligamentos pareciam os encontrados em carne de boi barata.

Uma gota d’água chegou à borda da brilhante torneira de cromo e começou a engordar. A engravidar, poder-se-ia dizer. Cintilou. Caiu. Plink. Stanley mergulhara o indicador direito no próprio sangue e escrevera uma única palavra nos ladrilhos azuis acima da banheira, escrevera-a em duas enormes, trêmulas letras. Uma ziguezagueante marca sangrenta de dedo caía da segunda letra da palavra — Patty viu que o dedo dele fizera aquela marca, quando a mão caíra dentro da banheira, onde agora boiava. Imaginou que Stanley devia ter feito aquela marca — sua impressão final sobre o mundo — enquanto perdia a consciência. Uma marca que parecia gritar para ela: ‘It’

Outra gota caiu dentro da banheira. Plink!

Foi a conta. Patty Uris finalmente recuperou a voz. Fitando a cabeça e os olhos cintilantes do marido morto, ela começou a gritar.”

Compre A Coisa, de Stephen King


A monstruosidade de Ângela: As macabras personagens femininas de Álvares de Azevedo (Karla Menezes Lopes Niels)

Jacek Malczewski Medusa Meduza“Cenas, personagens e descrições repugnantes, que giram em torno da morte e do macabro, estão presentes em algumas das obras de Manuel Antônio Álvares de Azevedo. Nessas obras, Álvares de Azevedo constrói personagens, como a Ângela de “Bertram”, que destacam um lado macabro da mulher e proporcionam um prazer estético peculiar. Mostramos, neste artigo, como através de algumas de suas personagens, o autor tematiza vários tabus: o assassinato, o suicídio, o infanticídio, a traição, o incesto e o fratricídio e, assim, marca a presença do macabro em sua literatura. Refletindo sobre o efeito estético causado pelas descrições e pelas ações dessas personagens, e tomando por base os conceitos de terror, horror e repulsa postulados por Stephen King, o trabalho propõe analisar as personagens femininas nas obras O Conde Lopo, Macário e Noite na Taverna, narrativas de três diferentes gêneros que se aproximam não só pela temática, mas também pela construção dos seus personagens.”

Leia o ensaio completo


O medo e o terror psicológico em “O Iluminado”, de Stephen King (Vansan Gonçalves)

“(…) O Iluminadothe_shining_by_stephen_king_jack_with_mallet, à primeira vista, não apresenta eventos inéditos ou extraordinários. Variadas obras do gênero já haviam abordado famílias em crise (aliás, um tema caro à literatura em geral), premonições (ou visões) e hotéis (ou casas) assombrados. O que faz este romance se destacar é a forma pela qual o horror, tanto sobrenatural quanto psicológico, se desenvolve, simultaneamente assustando e fascinando o leitor. As formas pelas quais o medo pode ser difundido, espalhado pela obra, fascinam o leitor. Se, na narrativa de horror tradicional pressupõe-se que haja um monstro para representar o medo, em seu romance Stephen King aproxima o monstro de cada um de nós. O leitor é “convidado” (termo proposto por King em seu ensaio Dança Macabra) a enredar-se por uma narrativa em que o monstro não é, ao contrário do que possa parecer, exclusivamente sobrenatural, mas também humano. (…)”

Leia o ensaio completo


O antagonismo nos finais de Stephen King (Rhuan Felipe Scomação da Silva)

“A ficção de horror e a literatura gótica rumaram paralelas no decorrer da história e tiveram repercussão por onde passaram. Desde os antigos mitos até a literatura de hoje muitos escritores e pensadores passaram e deixaram suas marcas, marcas essas que fizeram o autor principal a que esse trabalho tem como fobest-stephen-king-moviesco, o mais lido da literatura de horror moderna. Stephen Edwin King deixou, e ainda deixa, sua marca na história, principalmente pelo grande número de adeptos que adquire a cada dia, desde leitores comuns, até escritores conceituados, os quais o intitulam como o autor que fez o gênero horror renascer. Seus mais variados temas e modos de conduzir o leitor a seu temido final o tornaram esse ―monstro‖ que é hoje, e uma das características mais evidentes de King é sua capacidade de tornar um final algo tão catastrófico, algo que faz o leitor se sentir acabado, com raiva, que após terminar um de seus romances faça-o pensar duas vezes antes de ler outro, algo que faz o leitor acostumado com o usual ―final feliz‖ sentir a poderosa força discursiva que seus livros proporcionam, e, com isso, fazer com que outros tenham o prazer de conhecer suas histórias.”

Leia a monografia completa


Terror, Horror e Repulsa: Stephen King e o cálculo da recepção (Julio França)

“[…] creio que se possa dizer que as respostas do escritor americano às duas perguntas passam pela compreensão do próprio título do livro: “Danse macabre” é uma referência implícita a uma alegoria da baixa Idade Média que simboliza a universalidade da morte: independentemente do estrato social – reis, belos, papas, jovens – a morte une e iguala a todos. O misté

rio da morte, seu caráter tão inexorável quanto insondável, é a mola mestra da narrativa de horror. Sobre essa região da experiência humana, a ciência, o discurso da verdade demonstrada, pouco tem a dizer. Nos desvãos entre a fé religiosa e o conhecimento científico, a narrativa de horror encontra seu hábitat ideal. […]”

Leia o ensaio completo


O Iluminado (Stephen King)

“(…) Danny acordou ofegante de um pesadelo terrível. Tinha havido uma explosão. Um incêndio. O Overlook estava em chamas. Ele e a mãe assistiam ao desastre do jardim da frente.

A mãe dissera:The_Shining_by_Stephen_King_Redrum

– Veja, Danny, veja os arbustos.

Olhou-os, e eles estavam todos mortos. Suas folhas tinham ficado de um marrom sufocante. Os galhos muito juntos pareciam esqueletos de cadáveres semiesquartejados. E então o pai surgira pelas enormes portas do OverIook, ardendo como uma tocha. Suas roupas estavam em chamas, a pele adquirira um bronzeado escuro e sinistro que escurecia cada vez mais, o cabelo um matagal queimando.

Foi aí que ele acordou, a garganta sufocada de medo, as mãos agarradas ao lençol e cobertores. Gritara? Olhou para a mãe. Wendy estava deitada de lado, enrolada nas cobertas, o cabelo cor de palha caindo no rosto. Parecia uma criança. Não, ele não gritara.

Deitado na cama, olhando para cima, o pesadelo começou a apagar-se. Tinha uma sensação curiosa de que uma grande tragédia (incêndio? explosão?) tinha sido evitada por pouco. Deixou sua mente passear, à procura do pai, e o encontrou em algum lugar lá embaixo. No saguão. Danny se esforçou mais um pouco, tentando invadir o pai. Não era bom. O pai pensava sobre a Coisa Feia. (…)”

Compre aqui O Iluminado, de Stephen King