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Macário e Satã: viagem fantástica, diálogo crítico (Andréa Sirihal Werkema)

satã“O Primeiro Episódio do drama Macário, de Álvares de Azevedo, relata uma viagem feita por um jovem estudante, rumo à cidade na qual irá estudar. O estudante Macário, protótipo de ultrarromântico, cético, irônico e desencantado, flerta abertamente com o lado negativo da existência, o que culmina no encontro, em estalagem de beira da estrada, com um Desconhecido, que se revela, posteriormente, como o próprio Satã. Interessa discutir, em nossa comunicação, as implicações advindas de uma escolha pela trajetória fantástica em meio ao Romantismo brasileiro, tão marcado pelas demandas “realistas” de um projeto de formação de identidade nacional via literatura. Analisaremos, portanto, as oscilações do fantástico no Primeiro Episódio de Macário, de forma a averiguar a filiação do drama de Azevedo a um outro Romantismo, que recusa o “veto ao ficcional”, em prol de uma literatura subjetivista ao extremo, que deforma a realidade com o intuito de, criticamente, sugerir outros caminhos para a formação da chamada ‘literatura nacional’ “.

Leia aqui o ensaio completo.

*Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do fantástico na literatura”. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O horror sobrenatural na literatura – introdução (H. P. Lovecraft)

11492c6d1ad064d7e58d072c18e5794bHoward Phillips Lovecraft (1890-1937) foi um escritor estadunidense que ficou conhecido por seus contos de horror e de weird fiction publicados em diversas pulp magazines. Apesar de sua vasta produção – que inclui também poemas e ensaios –, Lovecraft nunca teve reconhecimento literário durante a vida. Foi somente a partir da segunda metade do século XX que suas narrativas começaram a ganhar popularidade, sendo apreciadas por diversos nomes do cinema e da literatura de horror, como Guillermo del Toro, Stephen King e Neil Gaiman.

Ainda que tenha sido fortemente influenciado por autores como Edgar Allan Poe, Lorde Dunsany, Robert Chambers e Algernon Blackwood, Lovecraft criou um universo ficcional ímpar. É comum dividir sua obra em três fases: a dos Contos Macabros (1905-1920); a do Ciclo dos Sonhos (1920-1927); e a dos Mitos de Cthulhu (1925-1935). Essa última é responsável por caracterizar o estilo do escritor, pois compreende um conjunto de narrativas em que foi desenvolvida a ideia de horror cósmico, isto é, o horror experimentado quando somos confrontados por fenômenos que estão além de nossa capacidade de compreensão – um sentimento decorrente da percepção da insignificância do ser humano diante da grandiosidade e vastidão do universo.

“O horror sobrenatural na literatura” começou a ser escrito em 1925, foi publicado pela primeira vez em 1927, na revista The Recluse, mas sofreu alterações importantes em 1933 e 1934. O ensaio completo consiste fundamentalmente em uma história crítica da literatura fantástica e da literatura gótica. No excerto por nós selecionado – que correspondente à abertura do texto –, Lovecraft legitima o medo como uma poderosa emoção estética, e apresenta a narrativa de horror cósmico como o tipo superior de weird fiction.

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


“Do sobrenatural na literatura” (Ann Radcliffe)

New_Lead“Ann Ward Radcliffe (1764-1823), única filha de William Ward e Anne Oates Ward, foi uma influente romancista e poetisa inglesa, reconhecida por ser um dos pilares da ficção gótica setecentista. Em 1787, aos 23 anos, casou-se com William Radcliffe, jornalista que a incentivou em suas atividades literárias. Iniciou sua carreira de maneira anônima com a publicação de The Castles of Athlin and Dunbayne (1789) e A Sicilian Romance (1790). Sua fama começou a se delinear com seu terceiro romance, The Romance of the Forest (1791), ambientado na França do século XVII, mas foi com The Mysteries of Udolpho (1794) que ela se tornou a romancista mais popular da Inglaterra de sua época.

Em The Italian (1797) Radcliffe atingiu o auge de sua perícia narrativa, consolidando-se como pedra angular do Gótico. Seus romances caracterizam-se pelas descrições romantizadas da natureza e por enredos que apostam em prolongadas cenas de suspense e que exploram os efeitos do terror em detrimento do horror. Os originais desses dois últimos títulos renderam-lhe, respectivamente, £500 e £800, em uma época em que o valor médio dos manuscritos era de £10.

Além do sucesso comercial, a escritora também obteve a aprovação da crítica da época e acumulou epítetos elogiosos, tais como o ‘Shakespeare dos escritores de romance’, atribuído por Nathan Drake, e ‘A primeira poetisa da ficção romântica’, dado por Walter Scott. Nos últimos vinte anos de sua vida, a escritora deixou de publicar romances e dedicou-se quase exclusivamente à poesia. Publicado postumamente no volume 16, número 1, da New Monthly Magazine, ‘Do Sobrenatural na Literatura’ (1826), o ensaio selecionado para compor esta antologia é, até hoje, uma das mais influentes distinções entre o terror e o horror na ficção.”

Leia aqui o ensaio.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Possíveis caminhos para a utilização do medo no conto “Sem Olhos” de Machado de Assis (Thamires Gonçalves)

WhatsApp Image 2019-09-06 at 18.01.47“Na literatura brasileira não observamos uma “escola” da literatura do horror, que é a denominação usada para os textos que buscam provocar medo nos leitores. Poucos são os autores que se encaixariam nesse denominação, o exemplo mais comum seria Noite na taverna de Álvares de Azevedo. Nesse artigo, pretende-se demonstrar que o medo utilizado no conto Sem olhos está intrinsecamente ligado à estrutura da narrativa. Para isso, são apresentadas algumas interpretações sobre a maneira como esse sentimento aparece na construção da narrativa, para, então, refletir sobre: a utilização do medo como controle social; suas reações físicas; o medo como prazer estético; campo e cidade como espaços narrativos.”

Leia o ensaio completo aqui

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Machado de Assis em linha, n. 19. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Diálogo entre H.P. Lovecraft e Arthur Machen: uma análise comparativa de The Dunwich Horror e The Great God Pan (Shirley de Souza Gomes Carreira)

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“Em seu ensaio sobre o horror sobrenatural na literatura, H. P. Lovecraft dedica parte de um capítulo à obra de Arthut Machen, por quem nutria admiração e a quem atribuía a capacidade de elaborar um “êxtase do medo” inalcançável aos outros escritores do gênero. The Great God Pan, primeira e mais conhecida obra de Machen, foi publicada no ano em que Lovecraft nasceu e este a menciona mais de uma vez em seus escritos, admitindo publicamente que ela o havia inspirado na escrita de alguns dos seus textos. Este trabalho propõe a análise do conto “The Dunwich Horror“, de Lovecraft, e da novela The Great God Pan, de Machen, a fim de verificar os pontos de convergência entre as obras.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n.4. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Escritas do medo: horror e sobrenatural na literatura (Michel Goulart da Silva)

Resultado de imagem para fear illustration dark“Este dossiê reúne um conjunto de textos que apresentam, a partir de perspectivas bastante diversas, reflexões das mais variadas acerca do horror e do sobrenatural na literatura. A literatura de horror se baseia fundamentalmente na construção do medo, ou melhor, na narrativa de acontecimentos que provocam medo no leitor. O medo, “inerente à nossa natureza, é uma defesa essencial, uma garantia contra os perigos, um reflexo indispensável que permite ao organismo escapar provisoriamente à morte” (DELUMEAU, 1993, p. 19). Na construção das narrativas, o medo é “uma emoção-choque, frequentemente precedida de surpresa, provocada pela tomada de consciência de um perigo presente e urgente que ameaça, cremos nós, nossa conservação” (DELUMEAU, 1993, p. 23).”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O Noturno no. 13 (Gastão Cruls)

“(…) Não me enganara. Pouco depois, dois vultos apareciam entre as trepadeiras e atravessavam o jardim em direção oposta à minha, demandando a porteira do caminho largo. Num deles, todo de negro, cabeleira ao vento, eu logo reconheci Paulo. O outro, mais franzino e mais baixo, devia

ser uma mulher, e estava envolto numa túnica branca que lhe descia até os pés. Eles caminhavam vagarosamente e bem unidos, a figura de branco torneando com o braço a cintura de Paulo.

Estarrecido, num arranco supremo, com as unhas cravejadas no peitoril da janela, e uma voz que mais se assemelharia a um estertor de agonizante, eu ainda pude gritar por Paulo umas duas ou três vezes.

Ao meu apelo, percebi que ele fizera tenção de parar e voltar-­se, masskeleton_playing_piano_by_ac44-d5pkxab a figura de branco aconchegou-­o mais de si, troux-e-lhe a cabeça ao peito carinhoso, e ambos, sempre enlaçados, desapareceram entre a ramagem do pomar. (…)”

Leia aqui o conto completo


Estranho incidente na vida do pintor Schalken (Sheridan Le Fanu)

“(…) ‘Não — não me deixem nem por um instante’, disse ela. ‘Estarei perdida para sempre se o fizerem.’

Para se chegar ao quarto de Gerard Douw era preciso atravessar um salão espaçoso, no qual eles estavam agora prestes a entrar. Gerard Douw e Schalken carregavam candeeiros, de modo que 6988659uma luz iluminava todos os objetos circundantes. Eles estavam entrando agora no salão espaçoso, o qual, como eu disse, se comunicava com o quarto de Douw, quando Rose deteve-se subitamente e, num sussurro que parecia tremer de horror, disse:

‘Meu Deus! Ele está aqui… ele está aqui! Vejam, vejam… lá vai ele!’

Ela apontou para a porta do quarto interno, e Schalken julgou ver o vulto de uma forma indefinida deslizar para dentro dele. Desembainhou a espada e, erguendo o candeeiro para iluminar mais fortemente os objetos do quarto, entrou no local para onde a sombra deslizara. Nada havia lá — nada senão a mobília que pertencia ao quarto, e contudo não restava dúvida de que algo se movera diante deles em direção ao quarto.

Um pavor terrível tomou-o, e o suor frio jorrou em enormes gotas sobre sua fronte; pavor que só aumentou por continuar a ouvir a insistência cada vez maior, as súplicas aflitas com as quais Rose lhes implorava para não a deixarem nem por um instante.

‘Eu o vi’, disse ela. ‘Ele está aqui! Tenho certeza… eu o conheço. Ele está ao meu lado… ele está comigo… ele está no quarto. Então, pelo amor de Deus, salvem-me, não se afastem de mim! (…)’ ”

Leia o aqui conto completo, em inglês


“Dagon”, “O intruso” e “O inominável”: uma leitura do insólito na composição do horror cósmico de H. P. Lovecraft (Bruno da Silva Soares)

“O ensaio se propõe a analisar o insólito e sua relação com o horror na obra ficcional do escritor americano Howard Philips Lovecraft. O corpus escolhido para esta análise é composto de três contos do autor: O Inominável, O Intruso e Dagon. Cada um apresenta uma construção singular do uso da estética lovecraftiana, propiciando à análise, concepções plurais de sua estética. O Inominável uma escolha que, dentre as três obras, podemos considerar como a que mais se concentra no que poderíamos chamar de estilo lovecraftiano, serve-nos de base comparatista. Já O Intruso, inverte o foco narrativo tradicional do horror: o horror parte do sobrenatural para o real, criando uma atmosfera incomum. Por fim, Dagon sustenta-se no Cthulhu Mythos, o panteão cosmogônico criado por Lovecraft e que vem sendo ampliado por outros autores posteriores.”

Leia o ensaio completo


O horror sobrenatural em literatura (H. P. Lovecraft)

lovecraft02“A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o tipo de medo mais antigo e mais poderoso é o medo do desconhecido. Poucos psicólogos contestarão esses fatos e sua reconhecida verdade deve estabelecer, para todos os tempos, a autenticidade e dignidade da ficção fantástica de horror como forma literária. (…)”

Leia o ensaio completo, em inglês