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Carmilla (Sheridan Le Fanu)

“Vi, exatamente, o rosto que havia me visitado naquela noite, quando eu era criança, e que se fixara nitidamente em minha memória, e que durante tantos anos me fizera ruminar com tamanho pavor, em momentos em que ninguém suspeitava o que eu estava pensando.

Era belo, lindo; e a primeira vez que o vi, exibia aquela mesma expressão melancólica.

Mas tal expressão, quase instantaneamente, iluminou-se, com um estranho sorriso de reconhecimento.

Seguiu-se um silêncio de quase um minuto, e finalmente ela falou; eu não tinha condições de fazê-lo.

— Que incrível! – ela exclamou. — Há doze anos, vi seu rosto num sonho, e desde aquela noite seu rosto tem me perseguido.

— Incrível mesmo! – repeti, esforçando-me para dominar o pavor que havia me impedido de falar. – Doze anos atrás, seja em sonhou ou em realidade, eu a vi, sem dúvida. Não pude esquecer seu rosto. Trago-o diante dos olhos desde aquela noite.”

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Estranho incidente na vida do pintor Schalken (Sheridan Le Fanu)

“(…) ‘Não — não me deixem nem por um instante’, disse ela. ‘Estarei perdida para sempre se o fizerem.’

Para se chegar ao quarto de Gerard Douw era preciso atravessar um salão espaçoso, no qual eles estavam agora prestes a entrar. Gerard Douw e Schalken carregavam candeeiros, de modo que 6988659uma luz iluminava todos os objetos circundantes. Eles estavam entrando agora no salão espaçoso, o qual, como eu disse, se comunicava com o quarto de Douw, quando Rose deteve-se subitamente e, num sussurro que parecia tremer de horror, disse:

‘Meu Deus! Ele está aqui… ele está aqui! Vejam, vejam… lá vai ele!’

Ela apontou para a porta do quarto interno, e Schalken julgou ver o vulto de uma forma indefinida deslizar para dentro dele. Desembainhou a espada e, erguendo o candeeiro para iluminar mais fortemente os objetos do quarto, entrou no local para onde a sombra deslizara. Nada havia lá — nada senão a mobília que pertencia ao quarto, e contudo não restava dúvida de que algo se movera diante deles em direção ao quarto.

Um pavor terrível tomou-o, e o suor frio jorrou em enormes gotas sobre sua fronte; pavor que só aumentou por continuar a ouvir a insistência cada vez maior, as súplicas aflitas com as quais Rose lhes implorava para não a deixarem nem por um instante.

‘Eu o vi’, disse ela. ‘Ele está aqui! Tenho certeza… eu o conheço. Ele está ao meu lado… ele está comigo… ele está no quarto. Então, pelo amor de Deus, salvem-me, não se afastem de mim! (…)’ ”

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