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O espaço como elemento irradiador do medo na literatura sertanista de Afonso Arinos e Bernardo Guimarães (Bruno Silva de Oliveira e Marisa Martins Gama-Khalil)

tumblr_mowztvQUKl1s0tsu6o1_500“Os objetos de estudo do presente artigo são os contos “Uma noite sinistra” de Afonso Arinos e “A dança dos ossos”, de Bernardo Guimarães, que terão como perspectiva de análise a relação entre a irrupção do insólito, a ambientação fantástica e a deflagração do medo. São duas narrativas que trazem o sertão brasileiro como cenário, o qual abarca como características fundamentais o rústico e o afastado do urbano e gera uma ambientação em que a racionalidade cede lugar ao insólito.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, v. 01, n. 01. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos


Do casarão ao cemitério: o espaço e o horror em contos sertanistas de Monteiro Lobato (Bruno Silva de Oliveira)

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“O espaço é um elemento diegético que evidencia a face sobrenatural da narrativa para o leitor, possibilitando que aflore por meio dele sentimentos variados como estranhamento, empatia e medo. Neste artigo procura-se refletir sobre a relação sertão e horror, por meio dos contos “Bugio Moqueado” e “Bocatorta”, de Monteiro Lobato, em que sertão é retratado como uma região fronteiriça, um espaço de transição, para verificar como espaço permite que o medo aflore no leitor.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O medo que habita o sertão: a presença do Gótico nos contos “À beira do pouso” e “Pelo Caiapó velho”, de Hugo de Carvalho Ramos (Fabianna Simão Belizzi Carneiro)

“Este trabalho aborda a manifestação da literatura gótica no interior do Brasil, mais especificamente no Estado de Goiás. Será levantada a presença desta vertente do modo fantástico, tendo como corpus dois contos do escritor goiano Hugo de Carvalho Ramos: ‘À beira do pouso‘ e ‘Pelo caiapó velho’ por_do_sol_no_sert_opublicados em 1912 e 1917, respectivamente. A análise desses dois contos mostra-se relevante por ser pequena a quantidade de pesquisas que abordam a produção de Ramos, principalmente estudos que trazem análises da obra do autor à luz da vertente gótica. O Gótico ressalta, dentre outros fatores, a fala de personagens colocadas às margens, portanto este estudo objetiva avaliar em que medida as duas narrativas de Hugo de Carvalho Ramos revelam a presença de um discurso “imperialista” expresso por indivíduos pertencentes à elite rural em oposição ao discurso insólito dos moradores locais – permeado por assombramentos, superstições e crendices. Trata-se de uma pesquisa analítica sustentada por fontes bibliográficas que serão devidamente referenciadas ao longo da escrita do texto.”

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A garupa (Afonso Arinos)

“(…) Toquei para diante. Ah! patrão! não gosto de falar no que foi a passagem do ribeirão aquela noite! Não gosto de lembrar a descida do barranco, a correnteza, as pedras roliças do fundo d’água, aq1920x1080_android-jones-fan-horse-men-fantasy-horror-death-wings-HD-Wallpaperuele vau que a gente só passa de dia e com muito jeito, sabendo muito bem os lugares. Basta dizer que a água me chegou quase às borrainas da sela, e do outro lado, cavalo, cavaleiro e defunto – tudo pingava!

Eu já não sentia mais o meu corpo: o meu, o do defunto e o do cavalo misturaram-­se num mesmo frio bem frio; eu não sabia mais qual era a minha perna, qual a dele… Eram três corpos num só corpo, três cabeças numa cabeça, porque só a minha pensava… Mas quem sabe também se o defunto não estava pensando? Quem sabe se não era eu o defunto e se não era ele que me vinha carregando na frente dos arreios? (…)”

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Assombramento (Afonso Arinos)

“(…) Súbito, uma luz indecisa, coada por alguma janela próxima, fê-lo vislumbrar um vulto branco, esguio, semelhante a uma grande serpente, coleando, sacudindo-se. O vento trazia vozes estranhas das socavsnapshot_00-40-00_2011-02-11_12-30-35as da terra, misturando-se com os lamentos do sino, mais acentuados agora.

Manuel estacou, com as fontes latejando, a goela constrita e a respiração curta. A boca semi-aberta deixou cair a faca: o fôlego, a modo de um sedenho, penetrou-lhe na garganta seca, sarjando-a e o arneiro roncou como um barrão acuado pela cachorrada. Correu a mão pelo assoalho e agarrou a faca; meteu-a de novo entre os dentes, que rangeram no ferro; engatilhou a garrucha e apontou para o monstro; uma pancada seca do cão no aço do ouvido mostrou-lhe que sua arma fiel o traía. A escorva caíra pelo chão e a garrucha negou fogo. O arneiro arrojou contra o monstro a arma traidora e gaguejou em meia risada de louco:

– Mandingueiros do inferno! Botaram mandinga na minha arma de fiança! Tiveram medo dos dentes da minha garrucha! Mas vocês hão de conhecer homem, sombrações do demônio! (…)

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