Arquivo da tag: sadismo

Dentro da noite (João do Rio)

“(…) — Caso muito interessante, Rodolfo. Não ha dúvida que é uma degeneração sexual, mas o altruísmo de S. Francisco de Assis também é degeneração e o amor de Santa Teresa não foi outra coisa. Sabes que Rousseau tinha pouco mais ou menos esse mal? És mais um tipo a enriquecer a série enorme dos discípulos do Marquês de Sade. Um homem de espírito já definiu o sadismo: a depravação intelectual do assassinato.  (…)” (trecho de “Dentro da Noite”)

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O leitor cruel: sadismo e curiosidade em “A causa secreta”, de Machado de Assis (Jonatas Tosta Barbosa)

“(…) Ao longo do conto, o protagonista explicita a dificuldade de explicar, através do raciocínio lógico, a motivação do comportamento perverso, a causa do impulso cruel no ser humano e a ausência de uma pretensa função para a perversidade que não seja destrutiva. O protagonista não acredita que, após cometer-se um ato cruel, o indivíduo sinta satisfação. O remorso (ou a culpa) é a única reação possível, antagonizando com o sentimento de prazer obtido durante o ato cruel, que, por fim, faz com que o indivíduo sinta repulsa e horror por si próprio: ‘(…) no caso daquilo que denominei de perversidade, não somente o desejo de bem-estar não é excitado, mas existe um sentimento fortemente antagônico’ (POE, 2001, 346). (…)”

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A causa secreta (Machado de Assis)

causa_secreta“(…) Viu Fortunato sentado à mesa, que havia no centro do gabinete, e sobre a qual pusera um prato com espírito de vinho. O líquido flamejava. Entre o polegar e o índice da mão esquerda segurava um barbante, de cuja ponta pendia o rato atado pela cauda. Na direita tinha uma tesoura. (…) E com um sorriso único, reflexo de alma satisfeita, alguma coisa que traduzia a delícia íntima das sensações supremas, Fortunato cortou a terceira pata ao rato, e fez pela terceira vez o mesmo movimento até a chama. O miserável estorcia-se, guinchando, ensangüentado, chamuscado, e não acabava de morrer. (…) Faltava cortar a última pata; Fortunato cortou-a muito devagar, acompanhando a tesoura com os olhos; a pata caiu, e ele ficou olhando para o rato meio cadáver. Ao descê-lo pela quarta vez, até a chama, deu ainda mais rapidez ao gesto, para salvar, se pudesse, alguns farrapos de vida. (…)”

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