Arquivo da tag: rubem fonseca

Rubem Fonseca: a representação da violência e das relações de poder enquanto agressão ao leitor no conto “O Cobrador” (Antonio Guizzo)

Resultado de imagem para o cobrador rubem fonseca
“Em  linguagem concisa, contundente e perturbadora, a literatura de Rubem Fonseca procura revelar, nos menores detalhes, a violência, as diferenças econômicas, erotismo e as relações de poder surgidas nas grandes metrópoles. Nesta perspectiva, este artigo pretende analisar o conto “O cobrador”, no qual a voz do elemento marginalizado exibirá, por meio da violência, as falhas da sociedade moderna e conduzirá o leitor à incomoda reflexão sobre seus princípios, valores e leis, ora pela empatia, ora pela aversão ao indivíduo transgressor e seu discurso.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Terra Roxa e outras terras, v.21. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

Anúncios

O Cobrador (Rubem Fonseca)

“Saquei o 38 e atirei no pára-brisas […] O sujeito estava deitado com a cabeça para trás, a cara e o peito cobertos por milhares de pequeninos estilhaços de vidor. Sangrava muito de um ferimento feio no pescoço e a roupa branca dele já estava toda vermelha. […] você vai morrer, ô cara, quer que eu te dê um tiro de misericórdia?”

Adquira o livro aqui.


Ossos do ofício: linguagem e violência em Rubem Fonseca (Sarah Diva Ipiranga)

pena-1“Análise da construção da imagem da violência nos contos de Rubem Fonseca por meio de recursos expressivos do código linguístico que criam o estado ‘brutal’ das narrativas. Através da referencialidade, da metonímia e da descrição, o narrador monta uma rede textual em que retrata situações de extrema violência e crueldade, como também personagens que se revelam por um discurso permeado de signos que agenciam o caráter letal de suas ações. O estilo, nomeado de hiper-realista, cria essa impressão de uma realidade ampliada e intensificada pelo impacto que a linguagem deposita nas cenas narrativas. Através da análise detalhada das categorias propostas em diálogo com os contos selecionados, deseja-se mostrar que o excesso referencial não subtrai a simbolização inerente à linguagem.”

Leia o ensaio completo

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na revista O Eixo e a Roda, v. 24, n. 1. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Relendo “Feliz Ano Novo”, de Rubem Fonseca (José Castello)

“Fixo-me em “Feliz ano novo”, o conto que empresta título ao já lendário livro que Rubem Fonseca, cuja obra vem sendo relançada pela editora Agir, publicou em 1975. Não só, provavelmente, é o072412guns mais cruel relato da coletânea, mas uma das narrativas mais violentas produzidas pela literatura brasileira dos anos 1970. O conto guarda uma estranha síntese dos métodos da ditadura, que se espalharam pela entranhas da sociedade brasileira na ordem de uma peste — o livro de Fonseca seria censurado no ano seguinte ao seu lançamento. Antes de tudo, a violência, arbitrária, indiferente ao sentido, cruel que, na narrativa de Fonseca, deixa os cárceres do poder para penetrar na penumbra do dia a dia e se transformar em um método de ação. Contra a violência, mais violência. Contra a miséria, mais miséria. O método nefasto da duplicação e da retaliação. (…)”

Leia o ensaio completo

 (*) Esse texto foi publicado originalmente no suplemento “Prosa”, de O GLOBO, no sábado 22/03/2014. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O “monstro” de carne e osso em “Henri”, de Rubem Fonseca (Cristiane Vieira da Graça Cardaretti)

“O sujeito que provoca o horror, que será analisado no presente trabalho, é de carne e ossbloody-scratcho. Diferente dos monstros sobrenaturais, ele é um sujeito comum, desprovido de traços que possam denunciá-lo como um monstro aterrorizador, fato que acaba por velar seu poder letal. O autor escolhido para o presente trabalho é, em minha opinião, o maior criador de monstros de carne e osso de nossa literatura: Rubem Fonseca. Contemporâneos do mineiro Fonseca dizem que, na época em que ele trabalhava como comissário policial, os agentes operavam mais como juízes de paz, apartadores de briga, do que autoridades. Fonseca, portanto, enxergava debaixo das definições legais, as tragédias humanas. E, talvez por esse motivo, com sua vasta experiência, haja trazido para as páginas da ficção crimes de profunda violência e crueldade.”

Leia o ensaio completo


O que há de monstruoso em “Passeio Noturno” e “O Psicopata Americano?” – uma análise do medo artístico em Rubem Fonseca e Bret Easton Ellis (Luciano Cabral)

“Partindo de uma perspectiva de comparação entre o conto ‘Passeio Noturno’, de Rubem Fonseca, e o romance O Psicopata AmericanoBlood-Splatter, de Bret Easton Ellis, o presente trabalho tentará refletir sobre as estratégias narrativas utilizadas nestas obras para gerar o medo artístico. Para tanto, utilizarei os conceitos de monstruosidade desenvolvidos por Jeffrey Jerome Cohen, Noël Carroll e Stephen King, assim como os ensaios de Zygmunt Bauman e Fred Botting. Um jovem negociante de Wall Street e um ordinário pai de família encarnam assassinos letais nestas obras, mas a simples presença deles não os torna monstros. O que, então, os faria monstruosos?”

Leia o ensaio completo


A moral mínima de Rubem Fonseca (João Gabriel Lima)

“Poucos escritores na literatura brasileira abordaram o problema da violência quanto Rubem Fonseca. Críticos importantes legaram-lhe o adjetivo de ‘brutalista’ ou ‘realista feroz’, entre eles Antônio Cândido e Alfredo Bosi. É indiscutível que as histórias de Fonseca – em especial em seu livro Feliz ano novo psychoknife-294x300– apresentam a violência através das ações de seus personagens. Não obstante, antes de acusar com igual violência o autor de tais histórias, é preciso ter em conta o que alcançam esses escritos naquele que lê. Esse artigo deseja demonstrar que, longe de escrever histórias para incitar um leitor cruel, Rubem Fonseca é, na verdade, um escritor ético, cuja obra tem o propósito de interromper os impulsos destrutivos através da literatura. O valor de sua obra não está apenas na re-encenação literária da violência urbana, tal como parece apontar o consenso crítico sobre sua obra, mas em uma ambição – tão modesta quanto verdadeira – de impedir que o mal se apresente em forma de violência. Nosso percurso aqui será partir do livro Feliz ano novo de Rubem Fonseca, localizando a resposta da crítica literária à violência fonsequiana; depois, para considerar se há um propósito maior para essa violência, iremos até os escritos de Jean-Jacques Rousseau; ao fim, então, retornaremos à análise de Rubem Fonseca para considerar essa hipótese à luz das contribuições psicanalíticas.”

Leia o ensaio completo