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Violência, erotismo e transgressão: A Grande Arte, um romance “policial” de Rubem Fonseca (Clelia Simeão Pires)

Resultado de imagem para a grande arte rubem fonseca“A dissertação teve como objetivo a análise do romance A grande arte, de Rubem Fonseca, que, em sua composição, apresenta características de uma narrativa policial. Para dar início ao estudo, buscamos sistematizar algumas questões relativas à história do romance policial clássico tomando por base obras que trataram da tipologia do gênero, bem como sua evolução. Em seguida, traçamos um breve panorama da literatura policial produzida no Brasil com algumas de suas principais obras e autores. A partir daí, percebemos que a narrativa de A grande arte pode ser vista como uma paródia do gênero policial, pois resgata algumas das regras peculiares ao estilo ao mesmo tempo em que apresenta elementos discursivos que transgridem as leis que classificam um romance como tal. Aprofundamos nossa investigação na referência a textos de estudiosos que analisaram a obra de Rubem Fonseca com enfoque especial aos temas recorrentes na ficção do escritor por julgarmos tais estudos fundamentais para a compreensão do romance em questão. Com as conclusões chegadas nesse estágio do trabalho, observamos que A grande arte frustra as expectativas dos leitores habituados aos clichês encontrados em narrativas policiais por trazer uma narrativa bem elaborada na qual a descoberta da verdade é dispensável. Tentamos, ainda, relacionar a exploração da violência à atmosfera erótica que envolve alguns momentos da narração. Em conseqüência disso, comparamos a figura do protagonista do romance à do personagem mítico Don Juan, para, finalmente, tratarmos dos aspectos de sua personalidade e de suas relações afetivas.”

Leia a dissertação completa aqui.

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Um oásis de horror: o grotesco em Romance negro e outras histórias, de Rubem Fonseca (Luís Otávio Hott)

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“O presente estudo tem como objetivo analisar as estratégias narrativas que viabilizam a representação de diferentes aspectos do grotesco na obra Romance negro e outras histórias, de Rubem Fonseca, propondo a consideração do grotesco como gênero discursivo, estética literária, atitude e prática cultural, operando a partir de duas vias principais: o grotesco como representação estética predominante na contemporaneidade e o grotesco como forma de transgressão dos códigos sociais vigentes na sociedade capitalista moderna.”

 

Leia a dissertação completa aqui.


Rubem Fonseca: a representação da violência e das relações de poder enquanto agressão ao leitor no conto “O Cobrador” (Antonio Guizzo)

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“Em  linguagem concisa, contundente e perturbadora, a literatura de Rubem Fonseca procura revelar, nos menores detalhes, a violência, as diferenças econômicas, erotismo e as relações de poder surgidas nas grandes metrópoles. Nesta perspectiva, este artigo pretende analisar o conto “O cobrador”, no qual a voz do elemento marginalizado exibirá, por meio da violência, as falhas da sociedade moderna e conduzirá o leitor à incomoda reflexão sobre seus princípios, valores e leis, ora pela empatia, ora pela aversão ao indivíduo transgressor e seu discurso.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Terra Roxa e outras terras, v.21. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O Cobrador (Rubem Fonseca)

“Saquei o 38 e atirei no pára-brisas […] O sujeito estava deitado com a cabeça para trás, a cara e o peito cobertos por milhares de pequeninos estilhaços de vidor. Sangrava muito de um ferimento feio no pescoço e a roupa branca dele já estava toda vermelha. […] você vai morrer, ô cara, quer que eu te dê um tiro de misericórdia?”

Adquira o livro aqui.


Ossos do ofício: linguagem e violência em Rubem Fonseca (Sarah Diva Ipiranga)

pena-1“Análise da construção da imagem da violência nos contos de Rubem Fonseca por meio de recursos expressivos do código linguístico que criam o estado ‘brutal’ das narrativas. Através da referencialidade, da metonímia e da descrição, o narrador monta uma rede textual em que retrata situações de extrema violência e crueldade, como também personagens que se revelam por um discurso permeado de signos que agenciam o caráter letal de suas ações. O estilo, nomeado de hiper-realista, cria essa impressão de uma realidade ampliada e intensificada pelo impacto que a linguagem deposita nas cenas narrativas. Através da análise detalhada das categorias propostas em diálogo com os contos selecionados, deseja-se mostrar que o excesso referencial não subtrai a simbolização inerente à linguagem.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na revista O Eixo e a Roda, v. 24, n. 1. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Relendo “Feliz Ano Novo”, de Rubem Fonseca (José Castello)

“Fixo-me em “Feliz ano novo”, o conto que empresta título ao já lendário livro que Rubem Fonseca, cuja obra vem sendo relançada pela editora Agir, publicou em 1975. Não só, provavelmente, é o072412guns mais cruel relato da coletânea, mas uma das narrativas mais violentas produzidas pela literatura brasileira dos anos 1970. O conto guarda uma estranha síntese dos métodos da ditadura, que se espalharam pela entranhas da sociedade brasileira na ordem de uma peste — o livro de Fonseca seria censurado no ano seguinte ao seu lançamento. Antes de tudo, a violência, arbitrária, indiferente ao sentido, cruel que, na narrativa de Fonseca, deixa os cárceres do poder para penetrar na penumbra do dia a dia e se transformar em um método de ação. Contra a violência, mais violência. Contra a miséria, mais miséria. O método nefasto da duplicação e da retaliação. (…)”

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 (*) Esse texto foi publicado originalmente no suplemento “Prosa”, de O GLOBO, no sábado 22/03/2014. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O “monstro” de carne e osso em “Henri”, de Rubem Fonseca (Cristiane Vieira da Graça Cardaretti)

“O sujeito que provoca o horror, que será analisado no presente trabalho, é de carne e ossbloody-scratcho. Diferente dos monstros sobrenaturais, ele é um sujeito comum, desprovido de traços que possam denunciá-lo como um monstro aterrorizador, fato que acaba por velar seu poder letal. O autor escolhido para o presente trabalho é, em minha opinião, o maior criador de monstros de carne e osso de nossa literatura: Rubem Fonseca. Contemporâneos do mineiro Fonseca dizem que, na época em que ele trabalhava como comissário policial, os agentes operavam mais como juízes de paz, apartadores de briga, do que autoridades. Fonseca, portanto, enxergava debaixo das definições legais, as tragédias humanas. E, talvez por esse motivo, com sua vasta experiência, haja trazido para as páginas da ficção crimes de profunda violência e crueldade.”

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