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Macário e Satã: viagem fantástica, diálogo crítico (Andréa Sirihal Werkema)

O Satã Conduz Macário pelo Braço, João Fahrion, 1940“O Primeiro Episódio do drama Macário, de Álvares de Azevedo, relata uma viagem feita por um jovem estudante, rumo à cidade na qual irá estudar. O estudante Macário, protótipo de ultrarromântico, cético, irônico e desencantado, flerta abertamente com o lado negativo da existência, o que culmina no encontro, em estalagem de beira da estrada, com um Desconhecido, que se revela, posteriormente, como o próprio Satã. Interessa discutir as implicações advindas de uma escolha pela trajetória fantástica em meio ao Romantismo brasileiro, tão marcado pelas demandas ‘realistas’ de um projeto de formação de identidade nacional via literatura. Analisaremos, portanto, as oscilações do fantástico no Primeiro Episódio de Macário, de forma a averiguar a filiação do drama de Azevedo a um outro Romantismo, que recusa o ‘veto ao ficcional’, em prol de uma literatura subjetivista ao extremo, que deforma a realidade com o intuito de, criticamente, sugerir outros caminhos para a formação da chamada ‘literatura nacional’.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do Fantástico na Literatura”. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Um sonho dantesco: uma leitura de “O navio negreiro”, de Castro Alves (João Pedro Bellas)

navio“O artigo propõe uma leitura do poema O navio negreiro, de Castro Alves, que busca dar conta das imagens empregadas pelo poeta para lidar com as questões da escravidão. A abordagem terá como objetivo demonstrar que, para dar conta dos horrores engendrados pelo sistema escravocrata, o autor recorreu a uma série de imagens comuns ao Gótico literário. Além disso, será analisada com mais detalhe a imagem do mar, com vistas a compreender o seu significado no poema.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Crioula, USP, n. 23 (2019). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Frankenstein e as contradições da modernidade (Michel Goulart da Silva)

1303-lras-13-o+mason-williams-tattoo+frankenstein“Neste ensaio discute-se o romance Frankenstein, escrito por Mary Shelley, a partir das representações das contradições sociais que são expressas em suas páginas. Procura-se mostrar de que forma a obra, vinculada à escola romântica, se insere numa perspectiva crítica acerca da modernização pela qual passava a Europa no começo do século XX. Ademais, situa-se o romance de Mary Shelley em diálogo com outras produções literárias, anteriores e contemporâneas.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2018). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


“Todos os seus dentes eram ideias”: a representação de gênero no conto “Berenice”, de Edgar Allan Poe (Greicy Bellin)

Resultado de imagem para berenice edgar allan poe ilustraçao“O objetivo do presente artigo é analisar as representações de gênero no conto “Berenice”, de Edgar Allan Poe (1809-1849), dentro da perspectiva que considera o gênero enquanto relação, o que se observa na narrativa a partir da constatação de uma dependência emocional entre Egeu, o narrador, e sua prima Berenice, por quem ele se apaixona. Observa-se que a representação da figura feminina no conto em questão está atrelada a um imaginário social no qual a beleza feminina aparece associada à morte, à doença, à destruição e à decadência, conforme as análises de Elizabeth Bronfen (1992) e Sandra Gilbert e Susan Gubar (1979), características estas que também podem ser observadas na representação do personagem masculino, permitindo uma análise que aproxime os dois. A representação de gênero também será associada ao contexto literário em que Poe produziu sua obra, tendo em vista a importância de sua inserção na vertente do Romantismo gótico que empresta várias de suas características ao conto “Berenice”.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Scripta Uniandrade, v. 15, n. 2Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Victor Silva, poeta decadentista (Fernando Monteiro de Barros)

“(…) É principalmente pelo viés do gótico que se dá o liame entre Romantismo e Decadentismo, liame este proficuamente analisado por Mario Praz (1988, 1996), um dos principais teóricos da estética de Wilde e Huysmans. O gótico literário de fins do século XVIII e começo do século XIX é um estilo que, aaerosdecadente290mais que nenhum outro talvez, caracteriza-se, além da atmosfera aterrorizante, pelo cenário e pela decoração (WILLIAMS, 1995, p. 14), que lhe conferem um caráter de teatralidade e simulacro. Cristalizado em clichês que chegaram até o nosso século com os vampiros e castelos mal-assombrados do cinema e da televisão, o esteticismo gótico, antes de sua popularização midiática, já era massificado nos folhetins ingleses de meados do século XIX e no teatro de variedades e vaudeville franceses da década de 1820 (LECOUTEUX, 2005, p. 21), que popularizaram a tradução francesa do conto The Vampyre (1819) de John Polidori, texto-marco da literatura do gênero. Assim, ao fazerem uso de imagens já em fins do século XIX tão marcadas pelo chavão, os escritores decadentistas não apenas obtinham o tom mórbido de que tanto gostavam como também exibiam acintosamente as marcas da pura impostação de seu texto literário, tecido sob o signo do artifício. (…)”

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