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Romance de Sensação: os monstros morais de “A Emparedada da Rua Nova” (Daniel Augusto P. Silva)

“Entre o final do século XIX e o início do XX, mudanças foram promovidas na forma como a literatura brasileira era feita e divulgada. Esse período possui relações com a chamada Pulp Era, um momento de criação literária nos Estados Unidos em que houve um barateamento dos custos de produção, de edição e de compra de livros e revistas. No Brasil, circulavam diversos romances voltados ao gosto popular com edições baratas e preços bastante acessíveis, os chamados romances de sensação. Os temas literários diversificaram-se, tornando-se comuns assuntos característicos da pulp fiction, como sexo, violência e crimes. Nesses livros, é possível perceber como os limites éticos daquela sociedade eram postos em foco, tanto para demarcá-los quanto para espelhar uma atração pelo interdito. Nesse sentido, percebe-se que são criados verdadeiros monstros morais, cujas atitudes suspendem as normas de conduta aceitas pela sociedade. A Emparedada da Rua Nova, romance-folhetim escrito pelo pernambucano Carneiro Vilela (1846-1913), também causou impacto nos leitores ao retratar o emparedamento de uma mulher, grávida, por seu próprio pai. Com personagens que agem, diversas vezes, fora das regras sociais estabelecidas, trata-se de um bom exemplo de romance de sensação que também se enquadra na noção de literatura do medo brasileira.”

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Romance sensacional e histórias de crime no Rio de Janeiro de início do século XX (Ana Gomes Porto)

“O sucesso das histórias de crime era visível. Os periódicos publicavam, entre os mais diversos folhetins, romances traduzidos ou originais que versavam sobre crimes, os quais rapidamente se transformavam em volume pelas coleções vendidas pelos jornais. Da mesma forma, narrativas de folhetinistas de renome (como XavieRipper-Suspects-Mainr de Montépin, Ponson du Terrail) tinham como chamariz um caso criminal no início do folhetim. De fato, bastava folhear um jornal da época para notar a presença marcante dos crimes, tanto entre o noticiário como no rodapé. Como era de se esperar, nessas narrativas o criminoso ocupava lugar central e, em muitos casos, notava-se uma preferência por personagens que poderiam ser referenciados à história. Assim, entre os criminosos célebres de Moreira de Azevedo, encontramos alguns afamados bandidos que circularam por terras brasileiras na década de 1830.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Escritos, Ano 4, no. 4. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.