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Ecos da Pulp Era no Brasil: o gótico e o decadentismo em Gastão Cruls (Julio França)

“Nos Estados Unidos do início do século XX, o período marcado por uma intensa produção e consumo de revistas de ficção de baixo custo ficou conhecido como Pulp Era. Ainda que não seja possível afirmar ter havido uma Pulp Era brasileira, ao menos não nos moldes da norte-americana, alguns escritores flertaram com os temas e os enredos característicos do gênero. Entre eles, destaca-se o carioca Gastão Cruls, autor de contos e romances que revelam traços das pulp magazines e da tradição gótico-decadentista.”

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Morfina (Humberto de Campos)

“(…) – A esposa, agora entregue a si mesma, continuava a tomar morfina, absorvendo doses espantosas. Uma tarde, achando-se em casa, encheu a seringa, e meteu a agulha na parte anterior dapicture of lady on bed with tb_fixed_thumb[2] coxa. Apertou o sifão. O líquido desapareceu da agulha. No mesmo instante, porém, a pobre rapariga soltou um grito. Uma nódoa vermelha surgira-lhe diante dos olhos. E essa nódoa se transformou em chamas, em labaredas enormes, que a envolviam como se a tivessem precipitado numa fogueira. Um calor intenso, infernal, subia-lhe pelo corpo todo, e tudo era vermelho, tudo era fogo ante os seus olhos horrivelmente abertos. As mãos na cabeça, o pavor estampado na face, a infeliz gritou para a criada, que lhe fazia companhia: “Chamem meu marido, que eu estou morrendo!”. (…)”

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Ecos da Pulp era no Brasil: “O monstro e outros contos”, de Humberto de Campos (Ana Carolina de Souza Queiroz)

“(…) O aspecto fluido da narrativa pode logo ser percebido. O modo como o narrador não ambiesqueletos-modelos-99enta o leitor de forma alguma, em relação ao espaço, época ou tempo, também é um traço típico nas histórias Pulp. O início tem como função fornecer apenas uma breve introdução: mostrar o personagem e quem ele é, para depois desenrolar um dramático evento na vida do mesmo. A rapidez da narrativa tem esse como um dos fatores de origem: perante os outros aspectos da história, como o terror e o drama dos acontecimentos, não muito importa os pensamentos dos personagens ou quando se dá o desenrolar dos fatos. O mais importante não é descrever de modo intenso e extenso o caráter psicológico ou físico das pessoas, tampouco o lugar ou o mundo onde eles vivem. (…)”

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