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A emergência do Complexo de William Wilson (Vinicius Lucas de Souza e Aparecido Donizete Rossi)

Imagem relacionada“Ao se vislumbrar o conto “William Wilson” (1839), de Edgar Allan Poe, o tema do duplo (Doppelgänger) perpassa toda a narrativa. Com a premissa de que esse conto é um marco nessa temática, como afirma Otto Rank, estudioso de tal motivo, pode-se dizer que a denominação “Complexo de William Wilson” seja adequada para representar a existência de uma segunda personagem que compartilha traços físicos e psíquicos de uma primeira. O presente artigo pretende demonstrar como os pilares/fatores do referido Complexo articulam-se no conto “William Wilson”, de Poe e como encontram seu início em “O homem da areia” (“Der Sandmann”, 1816), de E. T. A. Hoffmann, além de apresentar a revisitação a esse Complexo no romance O retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray, 1890-1891), de Oscar Wilde.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Vocábulo. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.

 

 


“Todos os seus dentes eram ideias”: a representação de gênero no conto “Berenice”, de Edgar Allan Poe (Greicy Bellin)

Resultado de imagem para berenice edgar allan poe ilustraçao“O objetivo do presente artigo é analisar as representações de gênero no conto “Berenice”, de Edgar Allan Poe (1809-1849), dentro da perspectiva que considera o gênero enquanto relação, o que se observa na narrativa a partir da constatação de uma dependência emocional entre Egeu, o narrador, e sua prima Berenice, por quem ele se apaixona. Observa-se que a representação da figura feminina no conto em questão está atrelada a um imaginário social no qual a beleza feminina aparece associada à morte, à doença, à destruição e à decadência, conforme as análises de Elizabeth Bronfen (1992) e Sandra Gilbert e Susan Gubar (1979), características estas que também podem ser observadas na representação do personagem masculino, permitindo uma análise que aproxime os dois. A representação de gênero também será associada ao contexto literário em que Poe produziu sua obra, tendo em vista a importância de sua inserção na vertente do Romantismo gótico que empresta várias de suas características ao conto “Berenice”.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Scripta Uniandrade, v. 15, n. 2Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O médico, o monstro e os outros (Vinicius Lucas de Souza e Aparecido Donizete Rossi)

Imagem relacionada“Visualizando-se o conto “William Wilson” (1839), de Edgar Allan Poe, o tema do duplo (Doppelgänger) conduz toda a narrativa. Com a premissa de que esse conto é um marco nessa temática, como afirma Otto Rank, estudioso de tal motivo, pode-se dizer que a denominação “Complexo de William Wilson” seja adequada para representar três elementos que emergem da narrativa mencionada de Poe: a existência de uma segunda personagem que compartilha traços físicos e psíquicos da personalidade “original”; a existência do Unheimliche (tal como definido por Sigmund Freud em seu ensaio “O ‘estranho'” (“Das Unheimliche“, 1919)), o familiar e o estranho convergindo para uma mesma personagem (o outro; o duplo); e o espelho, auxiliador da manifestação do Dopplegänger. Tendo em mente o referido Complexo (que é identificado pelo conto citado de Poe), o que se almeja demonstrar neste artigo é como o Complexo de William Wilson é revisto no romance O médico e o monstro (Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1886), de Robert Louis Stevenson. Com uma ampliação da abordagem da segunda entidade, uma inovação no elemento unheimlich e modificado o espectro de atuação e significação do espelho, o romance em questão ressignifica o tratamento do Complexo de William Wilson. Com a revisão dsses três fatores, Henry Jekyll, Edward Hyde e o “hóspede” dessas duas personalidades, bem como os jogos fractários, metaficcionais e catóptricos, promovem a insurgência do que aqui se denominou Paradoxo Jekyll-Hyde.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, nº 03. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


A influência de Edgar Allan Poe na escrita de H.P. Lovecraft: o narrador lovecraftiano e o narrador de Poe (Daniel Iturvides Dutra)

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“O presente artigo visa analisar como Edgar Allan Poe foi uma influência importante no desenvolvimento do estilo literário de H.P. Lovecraft. Discutiremos como Lovecraft se apropriou dos recursos narrativos de Poe e os reinventou a sua maneira, criando assim sua própria forma de narrar. Para tanto, faremos uma análise comparativa de contos de Poe e de Lovecraft para compreender como se deu a influência.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O espaço gótico em “A máscara da morte rubra” (Luciana Moura Colucci de Camargo e Ozíris Borges Filho)

a-mc3a1scara-da-morte-rubra“Neste trabalho, analisamos o conto de Edgar Allan Poe, A máscara da morte rubra, focalizando principalmente a categoria do espaço. Como suporte teórico, partimos da proposta da Topoanálise que foi desenvolvida a partir das idéias de Bachelard, Iuri Lotman, Osman Lins entre outros. Juntamente com a Topoanálise, também recorremos ao ensaio de Poe intitulado Filosofia do mobiliário. Em nossa análise, verificamos que o percurso espacial do texto se divide principalmente pela coordenada da interioridade, dividindo-se então em exterior vs. interior. Temos o país como um espaço englobante e externo e, como espaço englobado e interior aparece a abadia para onde o duque foge com sua corte. A partir dessa espacialidade, a narrador nos apresenta um enredo politópico que tematiza principalmente a fugacidade da vida e a inexorabilidade da morte.”

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A máscara da morte rubra (Edgar Allan Poe)

“Que voluptuosa cena a daquela mascarada! Mas antes descrevamos os salões em que ela se desenrolava. Era uma série imperial de sete salões. Em muitos palácios, porém, esses salões formam uma perspectiva longa e reta, quando as portas se abrem até se encostarem nas paredes de ambos os lados, de tal modo que a vista de toda essa sucessão é quase desimpedida. Ali, a situação era muito diferente, como se devia esperar da paixão do príncipe pelo fantástico. Os salões estavam dispostos de maneira tão irregular que os olhos só podiam abarcar pouco mais de cada um por vez. Havia um desvio abrupto a cada vinte ou trinta metros e, a cada desvio, um efeito novo. À direita e à esquerda, no meio de cada parede, uma alta e estreita janela gótica dava para um corredor fechado que acompanhava as curvas do salão. A cor dos vitrais dessas janelas variava de acordo com a tonalidade dominante na decoração do salão para o qual se abriam. O da extremidade leste, por exemplo, era azul – e de um azul intenso eram suas janelas. No segundo salão os ornamentos e tapeçarias, assim como as vidraças, eram cor de púrpura. O terceiro era inteiramente verde, e verdes também os caixilhos das janelas. O quarto estava mobiliado e iluminado com cor alaranjada. O quinto era branco, e o sexto, roxo. O sétimo salão estava todo coberto por tapeçarias de veludo negro, que pendiam do teto e pelas paredes, caindo em pesadas dobras sobre um tapete do mesmo material e tonalidade. Apenas nesse salão, porém, a cor das janelas deixava de corresponder a das decorações. As vidraças, ali, eram rubras – de uma violenta cor de sangue.”

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O destino errante de “Paraíso Perdido”, de John Milton, no conto “Nunca aposte sua cabeça com o diabo”, de Edgar Allan Poe (Miriam Andrade)

“ […] este artigo propõe um estudo das relações possíveis e pertinentes entre o gótico na literaturanever_bet_the_devil_your_head_by_watadrag-d48yglx e o insólito, sendo o caráter do insólito lido, segundo Todorov, como estruturador. Nessa perspectiva, o gótico e o insólito se fundem em uma estética que frustra o comum e o ordinário e se abre ao sobrenatural. Essa estética é estudada no diálogo entre a obra de Milton, Paraíso Perdido, e o conto de Edgar Allan Poe, “Nunca aposte sua cabeça com o diabo: conto moral”. Ao dialogar com Milton, Poe não legitima ou reitera o poder da obra do poeta inglês, mas estabelece com ela uma relação de suplementaridade e, por conseguinte, assume seu destino errante, ou sua herança literária, tanto nos aspectos góticos, como dos insólitos.”

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