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A ironia (quase) invisível na narrativa de Poe (Andréa Sirihal Werkema)

0348bffefd8be52774947a421a85513c180f631e_hq“Poe pode ser caracterizado, em sua extrema modernidade, como um criador ou renovador de gêneros literários, incluindo-se aí não apenas as narrativas policiais e científicas ou o conto de horror moderno. Interessa a esta comunicação o exame de um gênero difícil de precisar, mas facilmente reconhecível para os frequentadores da ficção poesca: trata-se de contos que misturam referências eruditas, literárias e/ou filosóficas, a uma atmosfera totalmente irrealista, com a presença de narradores não-confiáveis envoltos em enredos estereotipados de horror, no limite do clichê da narrativa gótica. Este é, evidentemente, um gênero paródico, em que comparece a ironia no seu sentido mais próximo da ironia romântica, ou seja, uma ironia formal e de gênero. Esboça-se então um problema de adequação da ficção de Poe a seu público leitor: há um leitor popular, visado pelos periódicos que publicaram os contos de Poe, que absorve ansioso as peripécias que avançam para o clímax de horror; e há um posterior leitor analítico, reflexo do próprio autor, que procura nas entrelinhas do texto a releitura de um gênero estereotipado, visível apenas nesta convivência problemática de elementos díspares. A leitura pelas margens do conto Berenice norteará a presente tentativa de caracterização de um gênero.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do Congresso Para Sempre Poe, realizado na UFMG em 2009. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.