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O medo e o terror psicológico em “O Iluminado”, de Stephen King (Vansan Gonçalves)

“(…) O Iluminadothe_shining_by_stephen_king_jack_with_mallet, à primeira vista, não apresenta eventos inéditos ou extraordinários. Variadas obras do gênero já haviam abordado famílias em crise (aliás, um tema caro à literatura em geral), premonições (ou visões) e hotéis (ou casas) assombrados. O que faz este romance se destacar é a forma pela qual o horror, tanto sobrenatural quanto psicológico, se desenvolve, simultaneamente assustando e fascinando o leitor. As formas pelas quais o medo pode ser difundido, espalhado pela obra, fascinam o leitor. Se, na narrativa de horror tradicional pressupõe-se que haja um monstro para representar o medo, em seu romance Stephen King aproxima o monstro de cada um de nós. O leitor é “convidado” (termo proposto por King em seu ensaio Dança Macabra) a enredar-se por uma narrativa em que o monstro não é, ao contrário do que possa parecer, exclusivamente sobrenatural, mas também humano. (…)”

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O Iluminado (Stephen King)

“(…) Danny acordou ofegante de um pesadelo terrível. Tinha havido uma explosão. Um incêndio. O Overlook estava em chamas. Ele e a mãe assistiam ao desastre do jardim da frente.

A mãe dissera:The_Shining_by_Stephen_King_Redrum

– Veja, Danny, veja os arbustos.

Olhou-os, e eles estavam todos mortos. Suas folhas tinham ficado de um marrom sufocante. Os galhos muito juntos pareciam esqueletos de cadáveres semiesquartejados. E então o pai surgira pelas enormes portas do OverIook, ardendo como uma tocha. Suas roupas estavam em chamas, a pele adquirira um bronzeado escuro e sinistro que escurecia cada vez mais, o cabelo um matagal queimando.

Foi aí que ele acordou, a garganta sufocada de medo, as mãos agarradas ao lençol e cobertores. Gritara? Olhou para a mãe. Wendy estava deitada de lado, enrolada nas cobertas, o cabelo cor de palha caindo no rosto. Parecia uma criança. Não, ele não gritara.

Deitado na cama, olhando para cima, o pesadelo começou a apagar-se. Tinha uma sensação curiosa de que uma grande tragédia (incêndio? explosão?) tinha sido evitada por pouco. Deixou sua mente passear, à procura do pai, e o encontrou em algum lugar lá embaixo. No saguão. Danny se esforçou mais um pouco, tentando invadir o pai. Não era bom. O pai pensava sobre a Coisa Feia. (…)”

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