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Um passeio com Tânatos: a ficcionalização da morte nos contos de Lygia Fagundes Telles (João Pedro Rodrigues Santos)

Resultado de imagem para árvore escuro gótico“Esta dissertação apresenta um estudo sobre a ficcionalização e a representação da morte nos contos da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles. Partindo da ideia de que a perspectiva da finitude sempre amedrontou o ser humano, analisou-se como a morte vai se desdobrando e variando em diferentes contos de diferentes obras da trajetória literária de Telles. Assim sendo, a escritora em questão escreve e reescreve a morte de diferentes formas em suas narrativas, mostrando diversas faces desta questão, buscando, também, aprofundar a compreensão deste grande enigma atemporal que persegue o homem desde os primórdios até os dias de hoje. Verificou-se que nos contos estudados, existem dois tipos de abordagens da morte que são retratadas: a morte do outro e a morte de si mesmo. Além disso, discutiu-se como a fruição estética da literatura pode apaziguar e auxiliar as pessoas na busca por compreensão e aceitação da morte. Devido à complexidade do tema da morte, fez-se necessário, no desenrolar da pesquisa, adentrar teorias e conceitos de outras disciplinas, tais como: antropologia, filosofia, história das mentalidades, psicologia, psicanálise e sociologia. Sobretudo, Lygia Fagundes Telles, ao ficcionalizar a finitude, procura penetrar e aprofundar os mistérios da existência humana, convocando seus leitores a embarcarem em narrativas onde morte e vida parecem se amalgamar.”

Leia a dissertação completa aqui.

(*) Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras na PUC-RS, no ano de 2017. Republicamos aqui, com fins puramente acadêmicos.


O fim de Arsênio Godard (João do Rio)

Screen Shot 2015-03-28 at 12.11.05 PM“(…) Era um exemplo, mas seria pouco para o infame. Só se o fizéssemos mira de um tiro ao alvo geral. Todos nós atiraríamos.

— E ele só sentiria uma vez! O comandante, qual será o castigo do patife?


O comandante era um cavalheiro elegante e fino. Voltou-se a sorrir:


— Conforme. Na carta que mo denunciou dizem-no estrangeiro. Que seja. É impossível justiçá-lo. Se for brasileiro, porém, passamo-lo pelas armas.


Ah! íamos ter uma noite interessante e divertida afinal! O miserável veria com quem se metera! E no olhar de cada um de nós havia a expectativa e no riso dos outros, como talvez no nosso, um repuxamento de lábios queria sorrir e mostrava os dentes como um esgar de fera. (…)”

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O canto da sereia em terra brasileira: o caso de “A Ilha Maldita” de Bernardo Guimarães (Maurício Cesar Menon)

“Publicado em 1879 pela casa Garnier, o romance A Ilha Mmaxresdefaultaldita, de Bernardo Guimarães parece não ter encontrado grande ressonância entre os leitores da época, o que levou a editora a produzir essa única edição da obra. Uma nova edição do romance só veio a público em 1930, pelo Jornal do Brasil. O fato é que esse romance apresenta em sua composição uma espécie de personagem que raramente desfilou pelas páginas da narrativa oitocentista brasileira – a sereia ou a ondina. Bernardo Guimarães desenvolve uma história de teor maravilhoso, compondo uma personagem feminina envolta em diversos mistérios, bem ao gosto do romantismo que ainda figurava por essa época. Este trabalho pretende analisar a composição dessa personagem enquadrando-a na categoria de monstro, levando-se em conta não apenas suas características físicas, mas também seu caráter transgressor.”

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O Cobrador (Rubem Fonseca)

“Ele curvou. Levantei alto o facão, seguro nas duas mãos; vi as estrelas no céu, a noite imensa, o firmamento infinito e desci o facão, estrela de aço, com toda minha força, bem no meio do pescoço dele.
A cabeça não caiu e ele tentou levantar-se, se debatendo como se fosse uma galinha tonta nas mãos de uma cozinheira incompetente. Dei-lhe outro golpe e mais outro e outro e a cabeça não rolava. Ele tinha desmaiado ou morrido com a porra da cabeça presa no pescoço. Botei o corpo sobre o para­lama do carro. O pescoço ficou numa boa posição. Concentrei-me como um atleta que vai dar um salto mortal. Dessa vez, enquanto o facão fazia seu curto percurso mutilante, zunindo, fendendo o ar, eu sabia que ia conseguir o que queria. Brock! a cabeça saiu rolando pela areia. Ergui alto o alfanje e recitei: Salve o Cobrador! Dei um grito alto que não era nenhuma palavra, era um uivo comprido e forte, para que todos os bichos tremessem e saíssem da frente. Onde eu passo o asfalto derrete.”

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Elementos góticos no conto “Venha ver o pôr-do-sol” de Lygia Fagundes Telles (Isabelle Rodrigues de Mattos Costa)

12169189046_69e4e6221a_b“(…) A execução do plano foi impecavelmente fria e Ricardo se portou extremamente confiante na eficiência do cemitério para seus propósitos. De fato, temos a impressão de que ele está se escondendo por trás de uma máscara: uma máscara de amizade e de confiança, para fazer com que Raquel acreditasse nele e o seguisse, sem suspeitar do destino que a aguardava. E, talvez ainda, Ricardo tivera que colocar seus próprios sentimentos atrás da máscara, e distorcer o amor que tinha por Raquel em ciúme e vingança. (…)”

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Medo e morte em Álvares de Azevedo, Guy de Maupassant e Edgar Allan Poe (Karla Menezes Lopes Niels)

“‘O medo é a coisa de que mais medo tenho no mundo’ disse Montaigne em um de seus ensaios. O medo do desconhecido é um sentimento inerente à constituição humana e o gênero de horror é caracterizado pela capacidade de explorar essa característica. Entretanto, a literatura insólita em geral, fantástica ou de horror, prodlife_and_death_tree___commission_by_16shokushu-d75u38ouz um medo que pode emanar de qualquer tema desde que provoque um desconforto no leitor que o atraia à leitura. Sobretudo os temas relacionados à morte e à sobrevida causam efeitos singulares. Refletindo sobre tais aspectos, propomos uma análise comparativa entre os contos “Genaro” de Álvares de Azevedo, “Gato Preto” de Edgar Allan Poe e “Aparição” de Guy de Maupassant, procurando estabelecer relações entre eles. Para tanto, consideraremos os pontos de hesitação dessa obras, tomando como base os estudos de Lovecraft, de Todorov e de King.”

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Noite na Taverna (Álvares de Azevedo)

“Uma noite… foi horrível… vieram chamar-me: Laura morria. Na febre murmurava meu nome e palavras que ninguém podia reter, tão apressadas e confusas lhe soavam. Entrei no quarto dela: a doente conheceu-me. Ergueu-se branca, com a face úmida de um suor copioso, chamou-me. Sentei-me junto do leA+Taverna+do+Embu%C3%A7ado!ito dela. Apertou minha mão nas suas mãos frias e murmurou em meus ouvidos:

— Gennaro, eu te perdôo: eu te perdôo tudo… Eras um infame… Morrerei… Fui uma louca… Morrerei… por tua causa… teu filho… o meu… vou vê-lo ainda… mas no céu… Meu filho que matei… antes de nascer…”

Leia aqui o livro de contos completo


Narrativas monstruosas (Josalba Fabiana dos Santos)

“(…) O narrador [de A menina mortaanother_random_horror_painting_by_otkman1995-d4n8luq (Cornélio Penna)] conta uma história eliminando muitas informações, desorientando o leitor. Agrava a situação o fato de que há pequenas narrativas paralelas à maior, produzidas pelas escravas e que contribuem ainda mais para a desorientação. É o ‘Decifra-me ou te devoro’ edipiano que retorna. A narrativa se coloca de maneira monstruosa, pois na medida em que se desenvolve destrói parte daquilo mesmo que produz, como Crono devorando os próprios filhos. E a comparação com Crono não é de forma alguma gratuita, pois é conhecida a associação semântica desse deus com o tempo (cronos). (…) No entanto, na medida em que a narrativa se escoa como um fluxo, ela invariavelmente aponta para o seu fim, para o seu próprio término. A narrativa toda se devora. Tal devoramento é suscitado inclusive pelos enigmas que vão sendo fartamente distribuídos ao longo do romance. Ou seja, aquilo que é narrado já chega ao leitor meio desintegrado, como que faltando pedaços.”

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A Menina Morta (Cornélio Penna)

“De quando em quando chegavam até ela, em ondas, os sons quebrados de gargalhadas, mas tinha ouvido as ordens deixadas por seu pai antes de partir e sabia terem sido as armas embaladas dtumblr_lia9nmH6gu1qam3fqo1_500istribuídas aos feitores e aos guardas, com a recomendação de atirar ao primeiro sinal de revolta. Assim estava informada de que toda aquela paz, na aparência nascida da ordem e da abundância, todo aquele burburinho fecundo de trabalho, guardavam no fundo a angústia do mal, da incompreensão dos homens, a ameaça sempre presente de sangue derramado.”

Compre o livro A Menina Morta, de Cornélio Penna


Os castelos de Athlin e Dunbayne (Ann Radcliffe)

“(…) Na costa nordeste da Escócia, na parte mais romântica daquelas terras altas, erguia-se o Castelo de Athlin: uma construção sobre um rochedo que tinha sua base no mar. Era venerável por sua anti933b04edd1b688b41d16891a1c2cfb5eguidade e sua estrutura gótica, porém mais venerável pelas virtudes que encarcerava. Era a residência de uma bela viúva e dos filhos do nobre barão de Athlin, morto pelas mãos de Malcolm: um chefe vizinho, orgulhoso, opressivo e vingativo, que ainda morava com toda a pompa da grandeza feudal a poucos quilômetros do castelo de Athlin. A invasão às terras de Athlin foi o que causou a inimizade que permanecia entre os dois chefes. Brigas constantes aconteciam entre seus clãs, das quais Athlin geralmente saía vitorioso. Malcolm, cujo orgulho era ferido pela derrota de seu clã, cuja ambição era limitada pela autoridade e a grandeza encontrava rivalidade no poder no barão, concebeu por ele um ódio mortal que resistia nas paixões que naturalmente excitam uma mente como a dele, arrogante e desacostumada ao controle; e ele planejou sua destruição. (…)”

Leia o romance completo, em inglês