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O fim de Arsênio Godard (João do Rio)

Screen Shot 2015-03-28 at 12.11.05 PM“(…) Era um exemplo, mas seria pouco para o infame. Só se o fizéssemos mira de um tiro ao alvo geral. Todos nós atiraríamos.

— E ele só sentiria uma vez! O comandante, qual será o castigo do patife?


O comandante era um cavalheiro elegante e fino. Voltou-se a sorrir:


— Conforme. Na carta que mo denunciou dizem-no estrangeiro. Que seja. É impossível justiçá-lo. Se for brasileiro, porém, passamo-lo pelas armas.


Ah! íamos ter uma noite interessante e divertida afinal! O miserável veria com quem se metera! E no olhar de cada um de nós havia a expectativa e no riso dos outros, como talvez no nosso, um repuxamento de lábios queria sorrir e mostrava os dentes como um esgar de fera. (…)”

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O canto da sereia em terra brasileira: o caso de “A Ilha Maldita” de Bernardo Guimarães (Maurício Cesar Menon)

“Publicado em 1879 pela casa Garnier, o romance A Ilha Mmaxresdefaultaldita, de Bernardo Guimarães parece não ter encontrado grande ressonância entre os leitores da época, o que levou a editora a produzir essa única edição da obra. Uma nova edição do romance só veio a público em 1930, pelo Jornal do Brasil. O fato é que esse romance apresenta em sua composição uma espécie de personagem que raramente desfilou pelas páginas da narrativa oitocentista brasileira – a sereia ou a ondina. Bernardo Guimarães desenvolve uma história de teor maravilhoso, compondo uma personagem feminina envolta em diversos mistérios, bem ao gosto do romantismo que ainda figurava por essa época. Este trabalho pretende analisar a composição dessa personagem enquadrando-a na categoria de monstro, levando-se em conta não apenas suas características físicas, mas também seu caráter transgressor.”

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O Cobrador (Rubem Fonseca)

“Ele curvou. Levantei alto o facão, seguro nas duas mãos; vi as estrelas no céu, a noite imensa, o firmamento infinito e desci o facão, estrela de aço, com toda minha força, bem no meio do pescoço dele.
A cabeça não caiu e ele tentou levantar-se, se debatendo como se fosse uma galinha tonta nas mãos de uma cozinheira incompetente. Dei-lhe outro golpe e mais outro e outro e a cabeça não rolava. Ele tinha desmaiado ou morrido com a porra da cabeça presa no pescoço. Botei o corpo sobre o para­lama do carro. O pescoço ficou numa boa posição. Concentrei-me como um atleta que vai dar um salto mortal. Dessa vez, enquanto o facão fazia seu curto percurso mutilante, zunindo, fendendo o ar, eu sabia que ia conseguir o que queria. Brock! a cabeça saiu rolando pela areia. Ergui alto o alfanje e recitei: Salve o Cobrador! Dei um grito alto que não era nenhuma palavra, era um uivo comprido e forte, para que todos os bichos tremessem e saíssem da frente. Onde eu passo o asfalto derrete.”

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Elementos góticos no conto “Venha ver o pôr-do-sol” de Lygia Fagundes Telles (Isabelle Rodrigues de Mattos Costa)

12169189046_69e4e6221a_b“(…) A execução do plano foi impecavelmente fria e Ricardo se portou extremamente confiante na eficiência do cemitério para seus propósitos. De fato, temos a impressão de que ele está se escondendo por trás de uma máscara: uma máscara de amizade e de confiança, para fazer com que Raquel acreditasse nele e o seguisse, sem suspeitar do destino que a aguardava. E, talvez ainda, Ricardo tivera que colocar seus próprios sentimentos atrás da máscara, e distorcer o amor que tinha por Raquel em ciúme e vingança. (…)”

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Medo e morte em Álvares de Azevedo, Guy de Maupassant e Edgar Allan Poe (Karla Menezes Lopes Niels)

“‘O medo é a coisa de que mais medo tenho no mundo’ disse Montaigne em um de seus ensaios. O medo do desconhecido é um sentimento inerente à constituição humana e o gênero de horror é caracterizado pela capacidade de explorar essa característica. Entretanto, a literatura insólita em geral, fantástica ou de horror, prodlife_and_death_tree___commission_by_16shokushu-d75u38ouz um medo que pode emanar de qualquer tema desde que provoque um desconforto no leitor que o atraia à leitura. Sobretudo os temas relacionados à morte e à sobrevida causam efeitos singulares. Refletindo sobre tais aspectos, propomos uma análise comparativa entre os contos “Genaro” de Álvares de Azevedo, “Gato Preto” de Edgar Allan Poe e “Aparição” de Guy de Maupassant, procurando estabelecer relações entre eles. Para tanto, consideraremos os pontos de hesitação dessa obras, tomando como base os estudos de Lovecraft, de Todorov e de King.”

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Noite na Taverna (Álvares de Azevedo)

“Uma noite… foi horrível… vieram chamar-me: Laura morria. Na febre murmurava meu nome e palavras que ninguém podia reter, tão apressadas e confusas lhe soavam. Entrei no quarto dela: a doente conheceu-me. Ergueu-se branca, com a face úmida de um suor copioso, chamou-me. Sentei-me junto do leA+Taverna+do+Embu%C3%A7ado!ito dela. Apertou minha mão nas suas mãos frias e murmurou em meus ouvidos:

— Gennaro, eu te perdôo: eu te perdôo tudo… Eras um infame… Morrerei… Fui uma louca… Morrerei… por tua causa… teu filho… o meu… vou vê-lo ainda… mas no céu… Meu filho que matei… antes de nascer…”

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Narrativas monstruosas (Josalba Fabiana dos Santos)

“(…) O narrador [de A menina mortaanother_random_horror_painting_by_otkman1995-d4n8luq (Cornélio Penna)] conta uma história eliminando muitas informações, desorientando o leitor. Agrava a situação o fato de que há pequenas narrativas paralelas à maior, produzidas pelas escravas e que contribuem ainda mais para a desorientação. É o ‘Decifra-me ou te devoro’ edipiano que retorna. A narrativa se coloca de maneira monstruosa, pois na medida em que se desenvolve destrói parte daquilo mesmo que produz, como Crono devorando os próprios filhos. E a comparação com Crono não é de forma alguma gratuita, pois é conhecida a associação semântica desse deus com o tempo (cronos). (…) No entanto, na medida em que a narrativa se escoa como um fluxo, ela invariavelmente aponta para o seu fim, para o seu próprio término. A narrativa toda se devora. Tal devoramento é suscitado inclusive pelos enigmas que vão sendo fartamente distribuídos ao longo do romance. Ou seja, aquilo que é narrado já chega ao leitor meio desintegrado, como que faltando pedaços.”

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