Arquivo da tag: Monteiro Lobato

Do casarão ao cemitério: o espaço e o horror em contos sertanistas de Monteiro Lobato (Bruno Silva de Oliveira)

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“O espaço é um elemento diegético que evidencia a face sobrenatural da narrativa para o leitor, possibilitando que aflore por meio dele sentimentos variados como estranhamento, empatia e medo. Neste artigo procura-se refletir sobre a relação sertão e horror, por meio dos contos “Bugio Moqueado” e “Bocatorta”, de Monteiro Lobato, em que sertão é retratado como uma região fronteiriça, um espaço de transição, para verificar como espaço permite que o medo aflore no leitor.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

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A face disforme da Belle époque: o monstruoso e a cosmovisão de Eu, de Augusto dos Anjos, e de Urupês, de Monteiro Lobato (Fabiano Rodrigo da Silva Santos)

Resultado de imagem para belle epoque macabra“O objetivo de nossas considerações é investigar os aspectos de Eu (1912), de Augusto dos Anjos, e de Urupês (1918), de Monteiro Lobato, que atestam uma cosmovisão sensível ao monstruoso e que se colocam em posição crítica diante dos modelos estéticos e ideológicos da Belle Époque brasileira. Publicados na década de 1910, época de modernização do país sob ideais de progressismo, eugenia e civilidade burguesa, Eu (livro de poesias) e Urupês (coletânea de contos) debruçam-se sobre aspectos evitados pela literatura oficial daqueles tempos, tais como as contradições sociais do país, as marcas de barbárie que se imprimem na história e o lado sórdido da condição humana. Tais temas ganham, nas obras, forma literária a partir de uma linguagem franca e, eventualmente, brutal que recorre ao grotesco e à ironia para efetivar uma estética de choque cuja máxima realização é o motivo do monstro. O corpo monstruoso em Eu e em Urupês (em particular no conto “Bocatorta”) converte-se em privilegiada alegoria da história, expressando a orientação crítica das duas obras em relação ao contraditório processo de modernização do país.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Outras Travessias, n. 22 (2016). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O Grotesco: um corpo estranho na literatura do medo no Brasil (Raphael Camara)

“O ensaio visa refletir sobre a categoria estética do Grotesco e suas implicações na literatura dthe_grotesque_by_muirin007-d3c48jdo medo brasileira, a partir dos estudos de Wolfgang Kayser, Mikhail Bakhtin e Geoffrey Galt Harpham. Meu objetivo específico é pensar, em caráter inicial, sobre as relações que podem ser estabelecidas entre essa categoria estética e a literatura do medo no Brasil, analisando assim os diversos modos de produção do efeito grotesco, causado especialmente por personagens monstruosas. Como corpus de análise, serão utilizadas narrativas brasileiras, publicadas entre o fim do século XIX e início do século XX, dos autores Inglês de Sousa, João do Rio e Monteiro Lobato.”

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Medo da escuridão: Racismo e monstruosidade em Monteiro Lobato e Stephen Crane (Alexander Meireles da Silva)

“O fim do século dezenove e as primeiras décadas do século vinte na Europa e nas Américas foram marcados por um intenso debate sobre a questão racial. Sendo um dos mais expressivos grupos racreally-scary-monster-pictures-and-videos-monsters-for-2096iais nos Estados Unidos e no Brasil, a situação da população negra e seu papel sobre a identidade nacional se colocou como um problema abordado por pensadores e políticos dos dois paises. A literatura não ficou insensível a este cenário. Marcado pela influência de um discurso eugenista que via a constituição do povo como um fator para o progresso do país, o negro foi visto tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil como um ser inferior cuja representação literária por vezes era similar aos monstros das narrativas góticas oitocentistas. Neste sentido, como este estudo pretende demonstrar a partir da análise dos contos ‘O Monstro’ (1898), de Stephen Crane e ‘O Bocatorta’ (1915), de Monteiro Lobato, o racismo das literaturas norte-americana e brasileira de fim de século, expressa nos textos através dos dois personagens negros monstruosos, funcionou como um elemento constitutivo do sublime.”

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Bocatorta (Monteiro Lobato)

“(…) Bocatorta excedeu a toda pintura. A hediondez personificara-se nele, avultando, sobretudo, na monstruosa deformação da boca. Não tinha beiços, e as gengivas largas, violáceas, com raros cotos de dentes bestiais fincados às tontas, mostravam-se cruas, como enorme chaga viva. E torta, posta de viés na cara, num esm054gar diabólico, resumindo o que o feio pode compor de horripilante. Embora se lhe estampasse na boca o quanto fosse preciso para fazer daquela criatura a culminância da ascosidade, a natureza malvada fora além, dando-lhe pernas cambaias e uns pés deformados que nem remotamente lembravam a forma do pé humano. E olhos vivíssimos, que pulavam das órbitas empapuçadas, veiados de sangue na esclerótica amarela. E pele grumosa, escamada de escaras cinzentas. Tudo nele quebrava o equilíbrio normal do corpo humano, como se a teratologia caprichasse em criar a sua obra-prima. (…)”

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