Arquivo da tag: Monstruosidade

O clone e a teoria da monstruosidade (Marcio Markendorf)

“No imaginário do horror, os monstros são engendrados como imagens desmedidas, frequentemente concebidas como figuras persecutórias de excesso e/ou de exceção, e muitas vezes criadas com base na imediata oposiçãUnknown-1o ao humano ou natural. Ao analisar obras de cientificção da literatura e do cinema, este trabalho pretende refletir acerca do corpo clônico – uma variante moderna do doppelgänger – e sua relação com a teoria da monstruosidade, evidenciando como a tecnociência desampara os parâmetros naturalizados da ontologia do monstro ao apresentar o aterrador sob a identidade integral do ser humano.”

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As relações entre “Monstruosidade” e “Representação da Barbárie” na narrativa de “El matadero”, de Esteban Echeverría (Danielle Holanda Nogueira Simões)

“A partir da compreensão de que o ato de escrever na América Latina do século XIX é, além de um fato estético, um ato político, o presente trabalho pretende analisar de que forma o nacionalismo literárimagesio e os interesses políticos e econômicos da classe letrada se articulam na elaboração de um discurso que visa a representar a barbárie. Nosso objetivo específico será o de refletir sobre o uso do grotesco para a criação de uma imagem monstruosa dos caudilhos.”

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“Minha mãe me matou, meu pai me comeu”: a crueldade nos contos de fadas (Karin Volobuef)

“Os contos de fadas, ou contos maravilhosos, têm como constante a presença de personagens malignos, a começar pelas bruxas, madrastas mal-intencionadas e o lobo mau. Fora isso, são inúmeros os episódios de brutalidade em que mãos são decepadas (‘A moça sem mãos’), olhos furados (‘Cinderela’), cabeças cortadas (‘O rgirl-with-no-hands-by-h-j-ford-4ei da montanha de ouro’) e corpos esquartejados (‘O camarada Lustig’). Para completar, incesto (‘Bicho peludo’), canibalismo (‘O junípero’), pacto com o demônio (‘Pele de Urso’) e outros temas ligados à maldade ou torpeza povoam diversos contos. Ao contrário da opinião comumente difundida, as narrativas que circularam pela boca do povo muitas vezes tratam de assuntos escabrosos e chocantes. Trata-se de algo hoje desconhecido da maioria dos leitores de contos de fadas, uma vez que muitas narrativas chegam ao público em adaptações que expurgam as passagens sanguinolentas. Além disso, contos como ‘O pobre rapaz na sepultura’ ou ‘História do jovem que saiu pelo mundo para aprender o que é o medo’ sequer costumam ser reeditadas. Os filmes de Walt Disney, por seu turno, alteraram bastante os enredos e, assim, colaboraram extensivamente para cunhar a ideia de historias ingênuas e inocentes. Em vista desse quadro, o objetivo do presente trabalho é abordar o viés ‘cruel’ e ‘assustador’ dos contos de fadas, buscando discutir sua participação no imaginário popular e sua recepção pelo público adulto e infantil.”

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Filicídio e incesto como atos monstruosos, em “Lavoura arcaica”, de Raduan Nassar (Paulo R. B. Caetano)

“O romance Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, é um rico objeto para se pensar o caráter referencial dos personagens. A figura paterna, encarnando uma tradição que valoriza o trabalho, o comedimento como valores essenciais à vida, encontra forte resistência nos filhos Ana e André. Assim, o embate que se delineia reflete um clássico confronto entre tradição e liberdade. Tal disputa é fruto (e estopim) para atos tidos como monstruosos: o incesto e o filicídio. Este texto, desse modo, se ocupa em discutir a prática de ações capazes de “monstrificar” os personagens. Destarte, a investigação menciona peculiaridades que fazem com que um ser seja visto como ente horrífico. Com isso, o modo como as pessoas dessa família se tratam, como tratam o tempo e algumas leis fornece subsídios para que eles sejam vistos como ‘ameaças morais’. O lugar do incesto e do filicídio fulgura, portanto, como elemento fundamental na análise desses personagens.

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As relações entre “Monstruosidade” e “Medo Estético”: anotações para uma ontologia dos monstros na narrativa ficcional brasileira (Julio França)

“A partir dos conceitos de monstruosidade desenvolvidos por Noël Carroll e Jeffrey Jerome Cohen, o presente trabalho procurará refletir, no âmbito da Literatura Brasileira, sobre o medo artístico, uma peculiar emoção estética produzida por criações ficcionais. Nosso objetivo específico será o de refletir sobre as relações entre __monstrosity___concept_art___broken_reality_by_zaetak-d4gyszz‘Medo Artístico’ e ‘Monstruosidade’ no que chamamos, em caráter provisório, de literatura do medo no Brasil, analisando os diversos modos de produção desse efeito estético, através das representações dos ‘monstros’ em nossa literatura. O trabalho a ser apresentado é parte de uma pesquisa em curso que procura entender as peculiaridades das manifestações do medo em nossa literatura, a fim de estabelecer as condições para a elaboração de uma teoria do horror na narrativa ficcional brasileira.”

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