Arquivo da tag: Monstruosidade

As metamorfoses do monstro: imagens da Coisa no cinema e na literatura popular (André Cabral de Almeida Cardoso)

Resultado de imagem para the thing john carpenter illustration“No conto “The Things”, publicado em 2010, Peter Watts apresenta uma versão do filme The Thing, dirigido por John Carpenter, escrita do ponto de vista do monstro. Trata-se de um dos últimos elos de uma corrente de criação e adaptação que começa em 1938, com o conto “Who Goes There?”, de John W. Campbell. As mudanças pelas quais essa história passou apontam para transformações em nossas concepções a respeito da subjetividade, nossos medos e nossos desejos. A mais surpreendente dessas transformações talvez seja a conversão da criatura criada por Campbell de um objeto de horror indescritível para uma encarnação do desejo utópico, um ser que busca trazer comunhão para seres humanos isolados e fragmentados. O que mudou para fazer com que a possibilidade de ser absorvido pelo alienígena deixe de ser a temida extinção do “eu” para se tornar uma fantasia de integração e comunicação total? A criatura em “The Things” oferece uma vida em perpétuo fluxo que apaga as fronteiras da identidade. O objetivo deste artigo é discutir como a história cambiante da Coisa pode revelar alguns aspectos das transformações sofridas pelo ideal moderno de identidade e sua ligação com o corpo como o local do desejo utópico. Parte dessa história é a espetacular explosão do corpo em imagens cinematográficas e a projeção de sua interioridade para a superfície. A transformação da Coisa numa imagem marca um ponto essencial nas alterações que a noção de subjetividade vem sofrendo no mundo contemporâneo.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 23, n. 3 (2013). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

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Heathcliff: a representação gótica sublime do Mal em O Morro dos Ventos Uivantes (Alessandro Yuri Alegrette)

Resultado de imagem para wuthering heights“Este artigo procura apontar as prováveis origens de Heathcliff dentro da tradição literária inglesa e do romance gótico. Considerado pela crítica literária uma das grandes criações da escritora inglesa Emily Brontë, Heathcliff reúne em sua composição todas as características do vilão. Misterioso, cruel e capaz de cometer atos terríveis, alguns para demonstrar o amor intenso que sente por sua amada, esse personagem desafia a continuidade das convenções morais e sociais do século XIX. Assim, procuro ressaltar alguns aspectos sinistros desse personagem, que provavelmente tem suas origens no contexto histórico da era vitoriana, em obras clássicas da literatura inglesa e nas criaturas monstruosas, destacando-se dentre elas, o vampiro que aparece de forma recorrente em textos góticos publicados nesse período.”

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(*)Republicamos esse ensaio aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Maternidade monstruosa em Cornélio Penna (Josalba Fabiana dos Santos)

gothic_bg_var01____by_the_night_bird-d3bhgi6“Através da recorrente metáfora do monstro em Fronteira, Dois romances de Nico Horta e Repouso, Cornélio Penna configura, alegoricamente, o estado de violência que o patriarcalismo engendra. Mães potencialmente destrutivas geram seres que as repetem, mas que são diferentes. Portanto, não as reconhecem e com elas não se identificam. Ícone da criação monstruosa, Frankenstein, de Mary Shelley, é produtivo para uma reflexão a respeito da tensão presente entre criador e criatura que torna impossível fixar a monstruosidade num ou noutro. Num universo em constante mutação, também os seres se tornam mutantes, inapreensíveis e irreconhecíveis. Qualquer idéia de fixidez identitária se revela falsa.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na  Revista Aletria, v. 16, n. 2. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Meu tio o Iauaretê e a experiência abissal (Josué Godinho)

Resultado de imagem para meu tio iauaretê onça“Este texto busca formular perguntas e problematizar a natureza da violência que se encena no conto ‘Meu tio o Iauaretê’, de João Guimarães Rosa. Neste conto há um tipo de violência que está na ordem do absurdo, destituída de razão ou explicação aparentes. A violência que ali se encena, pela absurdidade e pela carência de fundo e razão, não parece admitir da crítica respostas satisfatórias, abalando, inclusive, os conceitos de representação e de representação da violência. “Meu tio o Iauaretê”, questionando as bases de qualquer racionalidade, se insere na ordem de uma violência crua e desprovida de sentidos, impactante por sua carência de motivações aparentes além da dissolução de limites entre o humano e o animal – espécie de monstruosidade – e por sua esterilidade. Interessa-nos a experiência abissal dessa violência que não se deixa reduzir e que mesmo depois do fim da fala dissemina-se para além do texto, incômoda e renitente. Tal leitura terá apoio teórico, principalmente, de Jacques Derrida.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Em Tese, V. 22, N. 2, 2016. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O clone e a teoria da monstruosidade (Marcio Markendorf)

“No imaginário do horror, os monstros são engendrados como imagens desmedidas, frequentemente concebidas como figuras persecutórias de excesso e/ou de exceção, e muitas vezes criadas com base na imediata oposiçãUnknown-1o ao humano ou natural. Ao analisar obras de cientificção da literatura e do cinema, este trabalho pretende refletir acerca do corpo clônico – uma variante moderna do doppelgänger – e sua relação com a teoria da monstruosidade, evidenciando como a tecnociência desampara os parâmetros naturalizados da ontologia do monstro ao apresentar o aterrador sob a identidade integral do ser humano.”

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As relações entre “Monstruosidade” e “Representação da Barbárie” na narrativa de “El matadero”, de Esteban Echeverría (Danielle Holanda Nogueira Simões)

“A partir da compreensão de que o ato de escrever na América Latina do século XIX é, além de um fato estético, um ato político, o presente trabalho pretende analisar de que forma o nacionalismo literárimagesio e os interesses políticos e econômicos da classe letrada se articulam na elaboração de um discurso que visa a representar a barbárie. Nosso objetivo específico será o de refletir sobre o uso do grotesco para a criação de uma imagem monstruosa dos caudilhos.”

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“Minha mãe me matou, meu pai me comeu”: a crueldade nos contos de fadas (Karin Volobuef)

“Os contos de fadas, ou contos maravilhosos, têm como constante a presença de personagens malignos, a começar pelas bruxas, madrastas mal-intencionadas e o lobo mau. Fora isso, são inúmeros os episódios de brutalidade em que mãos são decepadas (‘A moça sem mãos’), olhos furados (‘Cinderela’), cabeças cortadas (‘O rgirl-with-no-hands-by-h-j-ford-4ei da montanha de ouro’) e corpos esquartejados (‘O camarada Lustig’). Para completar, incesto (‘Bicho peludo’), canibalismo (‘O junípero’), pacto com o demônio (‘Pele de Urso’) e outros temas ligados à maldade ou torpeza povoam diversos contos. Ao contrário da opinião comumente difundida, as narrativas que circularam pela boca do povo muitas vezes tratam de assuntos escabrosos e chocantes. Trata-se de algo hoje desconhecido da maioria dos leitores de contos de fadas, uma vez que muitas narrativas chegam ao público em adaptações que expurgam as passagens sanguinolentas. Além disso, contos como ‘O pobre rapaz na sepultura’ ou ‘História do jovem que saiu pelo mundo para aprender o que é o medo’ sequer costumam ser reeditadas. Os filmes de Walt Disney, por seu turno, alteraram bastante os enredos e, assim, colaboraram extensivamente para cunhar a ideia de historias ingênuas e inocentes. Em vista desse quadro, o objetivo do presente trabalho é abordar o viés ‘cruel’ e ‘assustador’ dos contos de fadas, buscando discutir sua participação no imaginário popular e sua recepção pelo público adulto e infantil.”

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