Arquivo da tag: Monstruosidade

“Tiro não o mata, fogo não o queima, água não o afoga”: as refigurações de Macobeba no Modernismo brasileiro (Thayane Verçosa e Nabil Araújo)

Macobeba“Partindo das colunas assinadas por José Mathias no periódico A província, de abril a setembro de 1929, nas quais as peripécias e as atrocidades de Macobeba são narradas, pretendemos analisar, comparar e contrastar o modo como o monstro reaparece em diferentes contextos e obras do Modernismo brasileiro. Para tanto, o nosso corpus é composto também, em ordem cronológica, por Macobeba (1929), de Mário de Andrade; pelos textos Macobeba pré-histórico (1930) e Macobeba antigo (1930), de Graciliano Ramos; e pelo Manuscrito Holandês ou a peleja do caboclo Mitavaí com o Monstro Macobeba (1960), livro de Manuel Cavalcanti Proença. Desse modo, a partir do conceito de refiguração (REIS, 2018), buscaremos analisar como ocorrem as reelaborações do monstro, atentando para os procedimentos retórico-estilísticos usados nas diferentes composições, e para o modo como elas dialogam, destacando eventuais aproximações e afastamentos.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, 2019.1, n. 8Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Frankenstein e a monstruosidade das intenções: a criatura como representação da condição feminina (Janile Pequeno Soares)

Resultado de imagem para frankenstein ilustração“Esta pesquisa tem por objetivo analisar Frankenstein (1818), da escritora inglesa Mary Shelley (1797-1851), sob uma perspectiva do conceito de monstruosidade aliada à crítica feminista, tomando como base os estudos de Gilmore (2003), Cawson (1995), Fay (1998), Gilbert e Gubar (1984), dentre outros. Publicado em 1818, Frankenstein permanece atraente, entre tantos pontos, pela crítica social que suas linhas transpiram ao decentralizar o foco da narrativa de castelos assombrados, maldições de família e fantasmas que atormentam os personagens, como havia se solidificado os romances góticos ingleses. Frankenstein inaugura uma nova fase do gótico de romances centrado nos limites psicológicos de seus personagens; explora as monstruosidades das atitudes e das intencionalidades como reflexo da sociedade do período do qual o romance é produto. A ficção de Shelley transborda a experiência feminina advinda do contato com uma sociedade assombrada pela dominação masculina. Assim, nossa análise está centrada na construção da alteridade da Criatura de Victor Frankenstein como representação da condição feminina da época em o romance foi escrito.”

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(*) Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba, no ano de 2015. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Se eles apenas soubessem que ela tinha o poder: a monstruosidade feminina em Carrie, a estranha (Gabriela Müller Larocca)

Resultado de imagem para carrie 1976“A aproximação do feminino com o monstruoso é algo comum em diversas sociedades e invoca o medo da diferença e do corpo feminino. Nosso objetivo ao longo desse trabalho é analisar a produção cinematográfica estadunidense Carrie, a Estranha, lançada em 1976, e suas representações de gênero e sexualidade. Ademais, refletiremos acerca da feminilidade no gênero fílmico de horror, como parte de uma longa tradição cultural que a associa ao mal, despertando medos e inseguranças. Sendo assim, podemos argumentar que a presença da monstruosidade feminina no horror diz muito mais respeito à medos masculinos do que à desejos ou subjetividades femininas.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente nos  Anais do XXVIII Simpósio Nacional de História. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 


As metamorfoses do monstro: imagens da Coisa no cinema e na literatura popular (André Cabral de Almeida Cardoso)

Resultado de imagem para the thing john carpenter illustration“No conto “The Things”, publicado em 2010, Peter Watts apresenta uma versão do filme The Thing, dirigido por John Carpenter, escrita do ponto de vista do monstro. Trata-se de um dos últimos elos de uma corrente de criação e adaptação que começa em 1938, com o conto “Who Goes There?”, de John W. Campbell. As mudanças pelas quais essa história passou apontam para transformações em nossas concepções a respeito da subjetividade, nossos medos e nossos desejos. A mais surpreendente dessas transformações talvez seja a conversão da criatura criada por Campbell de um objeto de horror indescritível para uma encarnação do desejo utópico, um ser que busca trazer comunhão para seres humanos isolados e fragmentados. O que mudou para fazer com que a possibilidade de ser absorvido pelo alienígena deixe de ser a temida extinção do “eu” para se tornar uma fantasia de integração e comunicação total? A criatura em “The Things” oferece uma vida em perpétuo fluxo que apaga as fronteiras da identidade. O objetivo deste artigo é discutir como a história cambiante da Coisa pode revelar alguns aspectos das transformações sofridas pelo ideal moderno de identidade e sua ligação com o corpo como o local do desejo utópico. Parte dessa história é a espetacular explosão do corpo em imagens cinematográficas e a projeção de sua interioridade para a superfície. A transformação da Coisa numa imagem marca um ponto essencial nas alterações que a noção de subjetividade vem sofrendo no mundo contemporâneo.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 23, n. 3 (2013). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Heathcliff: a representação gótica sublime do Mal em O Morro dos Ventos Uivantes (Alessandro Yuri Alegrette)

Resultado de imagem para wuthering heights“Este artigo procura apontar as prováveis origens de Heathcliff dentro da tradição literária inglesa e do romance gótico. Considerado pela crítica literária uma das grandes criações da escritora inglesa Emily Brontë, Heathcliff reúne em sua composição todas as características do vilão. Misterioso, cruel e capaz de cometer atos terríveis, alguns para demonstrar o amor intenso que sente por sua amada, esse personagem desafia a continuidade das convenções morais e sociais do século XIX. Assim, procuro ressaltar alguns aspectos sinistros desse personagem, que provavelmente tem suas origens no contexto histórico da era vitoriana, em obras clássicas da literatura inglesa e nas criaturas monstruosas, destacando-se dentre elas, o vampiro que aparece de forma recorrente em textos góticos publicados nesse período.”

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(*)Republicamos esse ensaio aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Maternidade monstruosa em Cornélio Penna (Josalba Fabiana dos Santos)

gothic_bg_var01____by_the_night_bird-d3bhgi6“Através da recorrente metáfora do monstro em Fronteira, Dois romances de Nico Horta e Repouso, Cornélio Penna configura, alegoricamente, o estado de violência que o patriarcalismo engendra. Mães potencialmente destrutivas geram seres que as repetem, mas que são diferentes. Portanto, não as reconhecem e com elas não se identificam. Ícone da criação monstruosa, Frankenstein, de Mary Shelley, é produtivo para uma reflexão a respeito da tensão presente entre criador e criatura que torna impossível fixar a monstruosidade num ou noutro. Num universo em constante mutação, também os seres se tornam mutantes, inapreensíveis e irreconhecíveis. Qualquer idéia de fixidez identitária se revela falsa.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na  Revista Aletria, v. 16, n. 2. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Meu tio o Iauaretê e a experiência abissal (Josué Godinho)

Resultado de imagem para meu tio iauaretê onça“Este texto busca formular perguntas e problematizar a natureza da violência que se encena no conto ‘Meu tio o Iauaretê’, de João Guimarães Rosa. Neste conto há um tipo de violência que está na ordem do absurdo, destituída de razão ou explicação aparentes. A violência que ali se encena, pela absurdidade e pela carência de fundo e razão, não parece admitir da crítica respostas satisfatórias, abalando, inclusive, os conceitos de representação e de representação da violência. “Meu tio o Iauaretê”, questionando as bases de qualquer racionalidade, se insere na ordem de uma violência crua e desprovida de sentidos, impactante por sua carência de motivações aparentes além da dissolução de limites entre o humano e o animal – espécie de monstruosidade – e por sua esterilidade. Interessa-nos a experiência abissal dessa violência que não se deixa reduzir e que mesmo depois do fim da fala dissemina-se para além do texto, incômoda e renitente. Tal leitura terá apoio teórico, principalmente, de Jacques Derrida.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Em Tese, V. 22, N. 2, 2016. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.