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O antagonismo nos finais de Stephen King (Rhuan Felipe Scomação da Silva)

“A ficção de horror e a literatura gótica rumaram paralelas no decorrer da história e tiveram repercussão por onde passaram. Desde os antigos mitos até a literatura de hoje muitos escritores e pensadores passaram e deixaram suas marcas, marcas essas que fizeram o autor principal a que esse trabalho tem como fobest-stephen-king-moviesco, o mais lido da literatura de horror moderna. Stephen Edwin King deixou, e ainda deixa, sua marca na história, principalmente pelo grande número de adeptos que adquire a cada dia, desde leitores comuns, até escritores conceituados, os quais o intitulam como o autor que fez o gênero horror renascer. Seus mais variados temas e modos de conduzir o leitor a seu temido final o tornaram esse ―monstro‖ que é hoje, e uma das características mais evidentes de King é sua capacidade de tornar um final algo tão catastrófico, algo que faz o leitor se sentir acabado, com raiva, que após terminar um de seus romances faça-o pensar duas vezes antes de ler outro, algo que faz o leitor acostumado com o usual ―final feliz‖ sentir a poderosa força discursiva que seus livros proporcionam, e, com isso, fazer com que outros tenham o prazer de conhecer suas histórias.”

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A podridão viva (Amândio Sobral)

“(…) No âmago de uma floresta, ao pé de uma serrania vulcânica, no meio de uma natureza convulsa, revolta, proveniente de um desses cataclismas de remotas eras, entre penedos gigantes, em que um vento gelado assobiava, ele ergueu-se… Baqueei desfalecente por terra! Jesus, que horror!… Um cheiro podre, a carne decomposta, empestou o ar tonteando os animais a centenas de metros de distância.tumblr_mm5ldrsNCh1s6my3uo1_500

Ele não possuía cabeça distinta do corpo. No meio de um colossal ovóide, completamente glabro, gelatinoso, dum roxo desmaiado de chaga rebelde, cheio de pústulas como um morfético, quatro grandes olhos amarelos – quatro ou seis? – duma fixidez e frieza de gelar o sangue, abriam-se desmesurados, perscrutando a mata.

No meio do lodo, encolhido entre as sarças de espinheiros, encharcado d’água fétida das lagoas que transpusera, pregado ao chão, incapaz de mover-me, eu vi – sim, vi com os olhos! – essa verdadeira podridão viva, esse horror dos horrores, mexer-se, firmar-se em oito – Seriam oito ou dez? – troncos roliços terminados em garras de ave de rapina, curvando as árvores como se fossem ervas. (…)”

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O inominável (H. P. Lovecraft)

“(…) Estávamos sentados numa sepultura dilapidada do Século XVII, no final de uma tarde de outono, no velho cemitério de Arkham, especulando sobre o inominável. Fitando o salgueunnamable_by_sbkmulletman-d3r7ppriro gigante do cemitério cujo tronco havia quase engolfado uma lápide antiga e ilegível, fiz uma observação macabra sobre os nutrientes espectrais e indizíveis que as raízes colossais deviam estar sugando daquela terra sepulcral e antiga, e meu amigo me repreendeu por semelhante asneira dizendo-me que, como ninguém fora sepultado ali havia mais de um século, não devia existir nada para nutrir a árvore que fosse diferente dos meios naturais. Ademais, acrescentou, minhas conversas constantes sobre coisas “inomináveis” e “indizíveis” eram um recurso muito pueril, muito condizente com a minha condição de escritor menor. Eu gostava de arrematar minhas histórias com sons ou suspiros que paralisavam as faculdades de meus heróis, tirando-lhes coragem, palavras ou associações de idéias para relatar o que haviam passado. Só conhecemos as coisas, dizia ele, por meio dos cinco sentidos ou de nossas intuições religiosas, razão por que era impossível referir-se a qualquer objeto ou aspecto que não pudesse ser claramente descrito pelas definições sólidas dos fatos ou pelas doutrinas apropriadas da teologia (…)”

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O intruso (H. P. Lovecraft)

“(…) Os gritos eram apavorantes e, quando fiquei sozinho e atônito no salão brilhante escutando o apagar de seus ecos, estremeci imaginando o que poderia estar invisível à espreita, ao meu lado. A primeira vista, o salão me pareceu deserto, mas, quando caminhei na direção de uma das recâmaras, pensei ter vislumbrado ali uma presença — uma sugestão de movimento além da passagem em arco dourada que conduzia para um salão parecido com o primeiro. Aproximando-me do arco, comecei a perceber melhor aquela presença e, então, com o primeiro e último som que jamais proferi — um uivo pavoroso que me causou quase tanta repugnância quanto a coisa medonha que o causara —, enxerguei, com plena e apavorante nitidez, a inconcebível, indescritível e indizível monstruosidade que, com seu mero surgimento, havia transformado um grupo alegre numa horda de fugitivos delirantes. (…)”

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Dagon (H. P. Lovecraft)

“(…) É durante a noite, especialmente quando a lua está muito curva e minguante, que eu vejo a coisa. Tentei a morfina, mas a droga deu-me apenas um alívio temporário e arrastou-me para suas garras como um escravo sem esperança. Sim, tendo escrito um relato completo para a informação ou a ddagonesdenhosa diversão de meus semelhantes, agora pretendo acabar com tudo. Muitas vezes me pergunto se tudo não teria passado de pura fantasmagoria — uma simples fantasia febril enquanto eu jazia, castigado pelo sol e delirante, naquele barco descoberto depois de minha fuga do vaso de guerra alemão. Isso eu me pergunto, mas sempre me vem uma visão terrivelmente pavorosa em resposta. Não consigo pensar no mar profundo sem estremecer com as coisas inomináveis que podem, neste exato momento, estar arrastando-se e espojando-se em seu leito lamacento, adorando seus antigos ídolos de pedra e cinzelando à sua própria e detestável semelhança em obeliscos submarinos de granito encharcado. Sonho com o dia em que elas poderão ascender acima dos vagalhões para arrastar para o fundo, com suas garras fétidas, os remanescentes de uma humanidade debilitada, exaurida pela guerra — o dia em que a terra poderia afundar e o escuro leito do oceano erguer-se em meio a um pandemônio universal. (…)”

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