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“Tiro não o mata, fogo não o queima, água não o afoga”: as refigurações de Macobeba no Modernismo brasileiro (Thayane Verçosa e Nabil Araújo)

Macobeba“Partindo das colunas assinadas por José Mathias no periódico A província, de abril a setembro de 1929, nas quais as peripécias e as atrocidades de Macobeba são narradas, pretendemos analisar, comparar e contrastar o modo como o monstro reaparece em diferentes contextos e obras do Modernismo brasileiro. Para tanto, o nosso corpus é composto também, em ordem cronológica, por Macobeba (1929), de Mário de Andrade; pelos textos Macobeba pré-histórico (1930) e Macobeba antigo (1930), de Graciliano Ramos; e pelo Manuscrito Holandês ou a peleja do caboclo Mitavaí com o Monstro Macobeba (1960), livro de Manuel Cavalcanti Proença. Desse modo, a partir do conceito de refiguração (REIS, 2018), buscaremos analisar como ocorrem as reelaborações do monstro, atentando para os procedimentos retórico-estilísticos usados nas diferentes composições, e para o modo como elas dialogam, destacando eventuais aproximações e afastamentos.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, 2019.1, n. 8Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


O que há de monstruoso em “Passeio Noturno” e “O Psicopata Americano?” – uma análise do medo artístico em Rubem Fonseca e Bret Easton Ellis (Luciano Cabral)

“Partindo de uma perspectiva de comparação entre o conto ‘Passeio Noturno’, de Rubem Fonseca, e o romance O Psicopata AmericanoBlood-Splatter, de Bret Easton Ellis, o presente trabalho tentará refletir sobre as estratégias narrativas utilizadas nestas obras para gerar o medo artístico. Para tanto, utilizarei os conceitos de monstruosidade desenvolvidos por Jeffrey Jerome Cohen, Noël Carroll e Stephen King, assim como os ensaios de Zygmunt Bauman e Fred Botting. Um jovem negociante de Wall Street e um ordinário pai de família encarnam assassinos letais nestas obras, mas a simples presença deles não os torna monstros. O que, então, os faria monstruosos?”

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O quarto na torre (E. F. Benson)

reading“(…) Lá em cima o trovão ressoou, depois uma calmaria mortal seguiu-se e eu ouvi o ruído de um movimento aproximando-se de mim e, ainda mais assustador que isso, senti um mau cheiro de podridão. Então uma mão encostou no lado da minha garganta e, pertinho da minha orelha, ouvi uma respiração acelerada e curta. Embora eu pudesse percebê-la pelo toque, pelo cheiro, pela visão e pela audição, eu sabia que essa coisa não era desse mundo, mas algo que, apesar de ter deixado o corpo, tinha o poder de se manifestar. Nesse momento, uma voz, familiar para mim, falou:

— Eu sabia que você viria ao quarto na torre — ela disse. — Estou esperando você há muito tempo. Finalmente você veio. Esta noite eu vou me deleitar, depois de muito tempo nos deleitaremos juntos. (…)” (Tradução de Felipe Antunes)

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O monstro (Stephen Crane)

“Eu estou inclinado a dizer que você está realizando uma caridade questionável ao preservar a vida do negro. Até onde eu posso entender, ele será para Monster-Human-Masksempre um monstro, um perfeito monstro, e provavelmente com o cérebro danificado”

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O medo e o terror psicológico em “O Iluminado”, de Stephen King (Vansan Gonçalves)

“(…) O Iluminadothe_shining_by_stephen_king_jack_with_mallet, à primeira vista, não apresenta eventos inéditos ou extraordinários. Variadas obras do gênero já haviam abordado famílias em crise (aliás, um tema caro à literatura em geral), premonições (ou visões) e hotéis (ou casas) assombrados. O que faz este romance se destacar é a forma pela qual o horror, tanto sobrenatural quanto psicológico, se desenvolve, simultaneamente assustando e fascinando o leitor. As formas pelas quais o medo pode ser difundido, espalhado pela obra, fascinam o leitor. Se, na narrativa de horror tradicional pressupõe-se que haja um monstro para representar o medo, em seu romance Stephen King aproxima o monstro de cada um de nós. O leitor é “convidado” (termo proposto por King em seu ensaio Dança Macabra) a enredar-se por uma narrativa em que o monstro não é, ao contrário do que possa parecer, exclusivamente sobrenatural, mas também humano. (…)”

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O canto da sereia em terra brasileira: o caso de “A Ilha Maldita” de Bernardo Guimarães (Maurício Cesar Menon)

“Publicado em 1879 pela casa Garnier, o romance A Ilha Mmaxresdefaultaldita, de Bernardo Guimarães parece não ter encontrado grande ressonância entre os leitores da época, o que levou a editora a produzir essa única edição da obra. Uma nova edição do romance só veio a público em 1930, pelo Jornal do Brasil. O fato é que esse romance apresenta em sua composição uma espécie de personagem que raramente desfilou pelas páginas da narrativa oitocentista brasileira – a sereia ou a ondina. Bernardo Guimarães desenvolve uma história de teor maravilhoso, compondo uma personagem feminina envolta em diversos mistérios, bem ao gosto do romantismo que ainda figurava por essa época. Este trabalho pretende analisar a composição dessa personagem enquadrando-a na categoria de monstro, levando-se em conta não apenas suas características físicas, mas também seu caráter transgressor.”

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O antagonismo nos finais de Stephen King (Rhuan Felipe Scomação da Silva)

“A ficção de horror e a literatura gótica rumaram paralelas no decorrer da história e tiveram repercussão por onde passaram. Desde os antigos mitos até a literatura de hoje muitos escritores e pensadores passaram e deixaram suas marcas, marcas essas que fizeram o autor principal a que esse trabalho tem como fobest-stephen-king-moviesco, o mais lido da literatura de horror moderna. Stephen Edwin King deixou, e ainda deixa, sua marca na história, principalmente pelo grande número de adeptos que adquire a cada dia, desde leitores comuns, até escritores conceituados, os quais o intitulam como o autor que fez o gênero horror renascer. Seus mais variados temas e modos de conduzir o leitor a seu temido final o tornaram esse ―monstro‖ que é hoje, e uma das características mais evidentes de King é sua capacidade de tornar um final algo tão catastrófico, algo que faz o leitor se sentir acabado, com raiva, que após terminar um de seus romances faça-o pensar duas vezes antes de ler outro, algo que faz o leitor acostumado com o usual ―final feliz‖ sentir a poderosa força discursiva que seus livros proporcionam, e, com isso, fazer com que outros tenham o prazer de conhecer suas histórias.”

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