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Percepções da história e da crítica literárias acerca dos desdobramentos do Gótico na literatura brasileira do século XIX e o despontar do século XX (Maurício César Menon)

“Nas últimas décadas parece estar surgindo um interesse maior em torno do estudo da literatura gótica e de seus desmembramentos, como a literatura de terror e a de horror, bem como da forma como se manifestaram em terra brasileira. Este artigo pretende traçar um breve mapeamento sobre as percepções de alguns dos principais historiadores e críticos literários sobre tais manifestações na literatura brasileigothic-1920-1080-wallpaperra. Seja no silêncio a respeito do assunto, seja nos comentários muitas vezes econômicos, as ideias desses estudiosos se revelam e fornecem pistas sobre autores e obras que incorporaram elementos do Gótico europeu e de seus derivados, revelando possíveis caminhos para pesquisas que busquem aprofundar a matéria, bem como revelar seu perfil. Selecionou-se um recorte de tempo, para este estudo, que prioriza o século XIX, pelo fato de a tradição crítica e canônica brasileira não aasileirpontar muito para essa época, quando se trata do tema aqui estudado. Neste estudo, busca-se também elencar, ao longo do texto, uma série de obras, algumas das quais foram relegadas a um segundo plano ou que sequer estiveram em evidência em nossa história literária. Não se pretende aqui trazer respostas dirigidas a estudiosos dessas espécies de narrativa, mas sim contribuir, mesmo que parcialmente, com possíveis estudos sobre formação do cânone nacional.”

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A questão do duplo em duas narrativas brasileiras (Maurício Cesar Menon)

images-2“(…) o tema do duplo, no século XIX, agrega um valor maior aos textos que se classificam nas categorias do terror/horror, suspense/mistério. Ao se olhar para trás, nos primórdios da ficção gótica, o que se encontra são as dualidades trabalhadas nas figuras do herói/heroína e do vilão, os quais, na maioria das vezes, não conseguiam fugir às convenções que o gênero impunha, o que os tornava triviais e dedutíveis. Nem é possível, falar, nesse sentido em duplo; o que se tinha era mais um jogo de ações que se antagonizavam no perfil prescrito do bem, encarnado no herói ou na heroína, e no do mal, mérito exclusivo do vilão. (…)”

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Figurações do gótico e de seus desmembramentos na literatura brasileira de 1843 a 1932 (Maurício Cesar Menon)

“O romance gótico surgiu na Europa em meados do século XVIII. No início do século XIX, a literatura gótica desmembrou-se na Literatura de Terror/Horror, na Literatura de Mistério/Suspense, nas Histórias de Fantasmas, no Conto Policial e, até mesmo, nas Narrativas de Ficção Científica. Todas essas categorias evoluíram e encontraram no século XX um fértil terreno para sua propagação, fazendo parte, até os dias de hoje, de todo um corpus literário que possui grande aceitação. É comum encontrar estudos estrangeiros sobre esse assunto, devido à forte tradição que alguns países mantiveram no gênero. No Brasil, todavia, são poucos o3d-abstract_other_gothic-forest_36295s estudos levantados em favor da questão, embora nos últimos anos eles tenham surgido de maneira mais efetiva. Permanece essa constatação e sobra um questionamento: não teria o Brasil caminhado pelos domínios do terror/horror, do assombroso, do mistério e do suspense? A historiografia literária, a crítica e estudos à parte fornecem algumas pistas a respeito, no entanto, na maioria das vezes, não tratam do assunto com grande empenho. Tornou-se lugar-comum, dessa forma, afirmar que os escritores brasileiros pouco se aventuraram, principalmente no século XIX, em compor histórias de teor sombrio ou macabro. Esta tese, portanto, tem como objetivo primordial trazer à luz ou à discussão textos, reconhecidamente canônicos ou não, nos quais se nota maior ou menor ligação com o gótico ou com seus descendentes. Para isso, escolheu-se trabalhar com algumas figuras que integram as temáticas do gênero, mostrando de que forma elas aparecem em textos brasileiros. Sendo assim, trata-se de um trabalho de cunho antológico cujo objetivo é proporcionar ao leitor uma visita a textos mais desconhecidos da maioria, muitas vezes tidos como marginais ou periféricos, como também direcionar alguns olhares a textos já conhecidos. Espera-se, dessa forma, trazer contribuição para os estudos já existentes como também para eventuais estudos posteriores, ajudando a resgatar, assim, uma parcela, mesmo que pequena, da memória literária nacional que insiste em permanecer na sombra.”

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Ruídos no silêncio: a presença dos fantasmas na literatura brasileira (Maurício Cesar Menon)

“(…) Ao que tudo indica, as histórias de fantasmas brasileiras ocupam, especialmente, o ambiente rural. Isso é justificável ao se levar em conta que é esse o meio onde as lendas, crenças e superstiçõscary-images-of-real-ghosts-1024x819es se enraízam numa maior profundidade. Se a literatura inglesa revela os fantasmas habitando castelos ou casarões seculares, a brasileira os insere nas matas, em taperas ou à margem das estradas. Um fato, porém, pode ser verificado: há, ainda, muito silêncio, por parte dos estudos literários, em torno das histórias de fantasmas recorrentes no Brasil. Alguns ruídos, por vezes, quebram tal silêncio – como é o caso do estudo realizado por Gilberto Freyre em Assombrações do Recife Velho (1952). Não se pode olvidar que os fantasmas ajudam a escrever desde as histórias íntimas e familiares até as crônicas dos lugares, pois é no imaginário particular ou coletivo que eles insistem em aparecer. (…)”

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