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Manifestações do medo numa literatura fantástica à brasileira (Karla Menezes Lopes Niels)

“Durante muitos anos, no Brasil, a literatura não pautada na realidade foi, de certo modo, marginalizada pela crítica. Hoje, entretanto, a literatura fantástica ganha cada vez mais espaço entre os estudos literários. Apesar de ainda pouco difundida em nossas letras, é vasta. Autores que não são reconhecidos por uma produção tumblr_mvar14NHTr1syumwko1_500de cunho fantástico, como Álvares de Azevedo e Machado de Assis, ensaiaram contos no gênero. Outros como Murilo Rubião e J.J. Veiga consagraram-se pela produção de uma literatura distanciada do real. Fantástico clássico, realismo mágico, neo-fantástico, horror. Gêneros que não só partilham uma origem comum, como também o efeito estético que produzem: o medo – sentimento potencializador dos efeitos emocionais e psicológicos que esse tipo de narrativa pode exercer sobre o seu leitor ao questionar a realidade e a veracidade daquilo que o homem conhece do mundo que o cerceia. O homem teme tudo aquilo que desconhece ou que não pode controlar. Por isso as supertições são tão afloradas em diversas culturas da humanidade. O gênero tem explorado essa característica pela via da incerteza, possibilitando que o medo se manifeste. É a partir dessas considerações que pretendemos analisar como o medo tem se manifestado em nossa literatura, em especial, na de cunho fantástico.”

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Um lugar para o medo (Camila Mello)

“Este trabalho é um ensaio acerca do medo e de suas ambiguidades. É resultado dos estudos que realizamos sobre o romance gótico desde o século XVIII até hoje, tendo como foco principal produções ficcUnknown-2ionais no Brasil, no Canadá e na Inglaterra. Aqui, buscamos relacionar percepções subjetivas, preceitos teóricos e obras ficcionais a fim de discutir diferentes noções de medo, principalmente em relação à sua localização espacial. Tendo isso em vista, traçamos um questionamento sobre a casa como um lugar para o medo sob a luz das ideias de Gastón Bachelard. Traçamos, dentro da casa, uma espécie de mapa dos acontecimentos que geram a noção de medo, concluindo que o porão é, muitas vezes, o local mais propício para essa manifestação, tendo em vista suas características fundamentais.”

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Sobre o medo (Michel de Montaigne)

“‘Tomado de estupor, fiquei de cabelos arrepiados, e sem voz’fear460. Não sou muito versado no estudo da natureza humana, como dizem, e ignoro de que maneira o medo atua em nós. Certo é que se trata de estranho sentimento. Nenhum, afirmam os médicos, nos projeta tão precipitadamente fora do bom-senso. E em verdade vi muita gente tomada insensata pelo medo. Mesmo entre os mais assentados provoca ele terríveis alucinações. (…)”

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A noção de crime no apocalipse zumbi em “The Walking Dead” (Claudio Vescia Zanini)

twdO objetivo deste trabalho é discutir o conceito de crime no universo ficcional proposto pela série de TV estadunidense The Walking Dead. Parte-se da ideia que o cenário proposto pelo universo ficcional da série – um mundo dominado por mortos dotados de movimento e instinto, onde apenas uma minoria permanece sem ser afetada pela nova condição – acarreta mudanças significativas no que diz respeito às noções de identidade, sobrevivência, interação social e ética, afetando as relações entre os personagens e a ideia básica do que seja crime.”

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Congresso internacional do medo (Carlos Drummond de Andrade)

Em homenagem ao Dia D.Screen Shot 2015-04-02 at 9.44.48 PM

Congresso internacional do medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do mundo. 1940.


De Charles Perrault a Angela Carter: uma releitura da personagem Chapeuzinho Vermelho no conto “A Companhia dos Lobos” (Fabianna Simão Bellizzi Carneiro e Alexander Meireles da Silva)

“Este trabalho fará um recorte no conto ‘A companhia dos lobos’ da escritora inglesa Angela Carter, tendo como suporte teórico textos de autores que pontuaram relevantes análises críticas a respeito da inserção feminina em vários campos da sociedade contemporânea. Daí que temas como gênero, identidade, feminismo e comparativismo serão de fundamental importância para este trabalho, que se pretende analítico e não conclusivo. Portanto, teremos alcançado nossos objetivos na medida em que conseguirmos problematizar a questão feminina não somente pelo viés da escrita das mulheres, mas imbricada a outros temas que são de fundamental importância para pensarmos a condição feminina pós-moderna.”

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O espelho (Gastão Cruls)

“(…) O efeito era deveras surpreendente. Criava-­se uma atmosfera de sonho e fantasmagoria. Víamo-­nos com os rostos muito pálidos, quase com um livor de morte, e onde os traços mais marcantes, contrastando com manchas de sombra, se recortavam em linhas nítidas. Apenas, naquelas máscaras hirtas, naquelas faces descaveiradas, dentro das órbitas fundas, os olhos chamejavam com fulgor estranho. (…)”

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