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Possíveis caminhos para a utilização do medo no conto “Sem Olhos” de Machado de Assis (Thamires Gonçalves)

WhatsApp Image 2019-09-06 at 18.01.47“Na literatura brasileira não observamos uma “escola” da literatura do horror, que é a denominação usada para os textos que buscam provocar medo nos leitores. Poucos são os autores que se encaixariam nesse denominação, o exemplo mais comum seria Noite na taverna de Álvares de Azevedo. Nesse artigo, pretende-se demonstrar que o medo utilizado no conto Sem olhos está intrinsecamente ligado à estrutura da narrativa. Para isso, são apresentadas algumas interpretações sobre a maneira como esse sentimento aparece na construção da narrativa, para, então, refletir sobre: a utilização do medo como controle social; suas reações físicas; o medo como prazer estético; campo e cidade como espaços narrativos.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Machado de Assis em linha, n. 19. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Elipses do medo em “A menina morta”, de Cornélio Penna (Luiz Eduardo da Silva Andrade)

Resultado de imagem para a menina morta cornelio penna“A visão de mundo, em cada período histórico, pode ser determinada pelas figuras geométricas que foram privilegiadas na época (…). Ao transportarmos essa ideia para a escrita de Cornélio Penna (1896-1958) em A menina morta (1954), nasce um problema que é a compreensão das metáforas, entremeadas à forma como o romance é dimensionado, tanto no aspecto espacial quanto narrativo. Este último nos interessa especialmente, uma vez que buscamos compreender como a narrativa é delineada a partir dos movimentos das personagens na ação de uma sobre a outra, impulsionando-as à reação, à busca, à descoberta. Entendemos que o medo seria um operador narrativo do deslocamento das personagens durante a história.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro De Monstros e Maldades, publicado pela Editora Appris. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Às margens da cristandade: o imaginário macabro medieval (Juliana Schmitt)

Resultado de imagem para ilustrações macabras medievais“Fruto das intensas transformações sociais ocorridas ao fim da Idade Média, o imaginário macabro se desenvolveu como consequência das novas maneiras de se perceber a morte e o cadáver. Suas manifestações literárias e imagéticas, tais como “O encontro dos três mortos com os três vivos”, as “Danças Macabras”, os “Ars Moriendi”, os “Triunfos da Morte”, entre outras, concebidas como produções populares e anônimas, surgiram fora do discurso oficial da Igreja, ainda que tenham sido adotadas por ela como exempla. Nesse artigo, analisamos suas características e contribuições ao estudo acerca do entendimento da morte pelo homem medieval.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no Caderno de Estudos Culturais da UFMS, v. 8, n. 16. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Escritas do medo: horror e sobrenatural na literatura (Michel Goulart da Silva)

Resultado de imagem para fear illustration dark“Este dossiê reúne um conjunto de textos que apresentam, a partir de perspectivas bastante diversas, reflexões das mais variadas acerca do horror e do sobrenatural na literatura. A literatura de horror se baseia fundamentalmente na construção do medo, ou melhor, na narrativa de acontecimentos que provocam medo no leitor. O medo, “inerente à nossa natureza, é uma defesa essencial, uma garantia contra os perigos, um reflexo indispensável que permite ao organismo escapar provisoriamente à morte” (DELUMEAU, 1993, p. 19). Na construção das narrativas, o medo é “uma emoção-choque, frequentemente precedida de surpresa, provocada pela tomada de consciência de um perigo presente e urgente que ameaça, cremos nós, nossa conservação” (DELUMEAU, 1993, p. 23).”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Manifestações do medo numa literatura fantástica à brasileira (Karla Menezes Lopes Niels)

“Durante muitos anos, no Brasil, a literatura não pautada na realidade foi, de certo modo, marginalizada pela crítica. Hoje, entretanto, a literatura fantástica ganha cada vez mais espaço entre os estudos literários. Apesar de ainda pouco difundida em nossas letras, é vasta. Autores que não são reconhecidos por uma produção tumblr_mvar14NHTr1syumwko1_500de cunho fantástico, como Álvares de Azevedo e Machado de Assis, ensaiaram contos no gênero. Outros como Murilo Rubião e J.J. Veiga consagraram-se pela produção de uma literatura distanciada do real. Fantástico clássico, realismo mágico, neo-fantástico, horror. Gêneros que não só partilham uma origem comum, como também o efeito estético que produzem: o medo – sentimento potencializador dos efeitos emocionais e psicológicos que esse tipo de narrativa pode exercer sobre o seu leitor ao questionar a realidade e a veracidade daquilo que o homem conhece do mundo que o cerceia. O homem teme tudo aquilo que desconhece ou que não pode controlar. Por isso as supertições são tão afloradas em diversas culturas da humanidade. O gênero tem explorado essa característica pela via da incerteza, possibilitando que o medo se manifeste. É a partir dessas considerações que pretendemos analisar como o medo tem se manifestado em nossa literatura, em especial, na de cunho fantástico.”

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Um lugar para o medo (Camila Mello)

“Este trabalho é um ensaio acerca do medo e de suas ambiguidades. É resultado dos estudos que realizamos sobre o romance gótico desde o século XVIII até hoje, tendo como foco principal produções ficcUnknown-2ionais no Brasil, no Canadá e na Inglaterra. Aqui, buscamos relacionar percepções subjetivas, preceitos teóricos e obras ficcionais a fim de discutir diferentes noções de medo, principalmente em relação à sua localização espacial. Tendo isso em vista, traçamos um questionamento sobre a casa como um lugar para o medo sob a luz das ideias de Gastón Bachelard. Traçamos, dentro da casa, uma espécie de mapa dos acontecimentos que geram a noção de medo, concluindo que o porão é, muitas vezes, o local mais propício para essa manifestação, tendo em vista suas características fundamentais.”

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Sobre o medo (Michel de Montaigne)

“‘Tomado de estupor, fiquei de cabelos arrepiados, e sem voz’fear460. Não sou muito versado no estudo da natureza humana, como dizem, e ignoro de que maneira o medo atua em nós. Certo é que se trata de estranho sentimento. Nenhum, afirmam os médicos, nos projeta tão precipitadamente fora do bom-senso. E em verdade vi muita gente tomada insensata pelo medo. Mesmo entre os mais assentados provoca ele terríveis alucinações. (…)”

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