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As relações entre “Monstruosidade” e “Medo Estético”: anotações para uma ontologia dos monstros na narrativa ficcional brasileira (Julio França)

“A partir dos conceitos de monstruosidade desenvolvidos por Noël Carroll e Jeffrey Jerome Cohen, o presente trabalho procurará refletir, no âmbito da Literatura Brasileira, sobre o medo artístico, uma peculiar emoção estética produzida por criações ficcionais. Nosso objetivo específico será o de refletir sobre as relações entre __monstrosity___concept_art___broken_reality_by_zaetak-d4gyszz‘Medo Artístico’ e ‘Monstruosidade’ no que chamamos, em caráter provisório, de literatura do medo no Brasil, analisando os diversos modos de produção desse efeito estético, através das representações dos ‘monstros’ em nossa literatura. O trabalho a ser apresentado é parte de uma pesquisa em curso que procura entender as peculiaridades das manifestações do medo em nossa literatura, a fim de estabelecer as condições para a elaboração de uma teoria do horror na narrativa ficcional brasileira.”

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Prefácio a uma teoria do “medo artístico” na literatura brasileira (Julio França)

“[…] A que conjecturas nos levaram essas supostas observações empíricas? A primeira hipótese foi a de que, de fato, a julgar por nossa historiografia literária, não haveria, na literatura brasileira, nada que pudesse ser chamado de narrativa de horror após Noite na Taverna. Para contestar tal hipótese, adotamos um procedimento metodológico simples. Buscamos antologias nacionais de obras que mencionassem em seus títulos termos como narrativas ‘de horror’, ‘de terror’, ‘macabras’, ‘crueis’, ‘violentas’ e, o que se revelou um acerto metofear_of_the_darkdodógico fundamental, ‘fantásticas’, pois, na tradição crítica brasileira, o que chamamos de literatura do medo sempre foi pensada intimamente relacionada ao gênero fantástico. […] Tal conclusão nos levava a uma segunda hipótese: a de que haveria sim, no âmbito da literatura brasileira, uma produção que poderia ser chamada de literatura do medo, à margem da crítica e da historiografia acadêmica, ‘neutralizada’ pela ausência de uma recepção formal que houvesse se preocupado em torná-la observável. Como se explicaria a razão desse ‘sequestro’ da literatura do medo no Brasil? Creio não haver uma resposta simples a essa questão, mas um complexo de causas e fatores a serem considerados. […]”

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