Arquivo da tag: Mal

O mal na literatura medieval: o exemplo do estudante e incontinente (Daniel Padilha Pacheco da Costa)

foto blog

VILLON, 1489 apud COSTA, D. P P. Testamento do Vilão – Invenção e recepção da poesia atribuída a François Villon.

“Este artigo discute a representação do mal na literatura medieval a partir do exemplo do estudante incontinente, em particular, da personagem do célebre malfeitor François Villon. Para isso, procuramos decifrar a enigmática conclusão do seu primeiro poema longo, o Lais, cuja descrição metalinguística da perda de consciência pelo louco amante oferece uma explicação escolástica para a sua perturbação mental. Essa explicação permite a Villon justificar a fuga de Paris por meio da sua incontinência que, como sempre acontece na lírica cortês da época, é amorosa e moral ao mesmo tempo.”

 

Leia o ensaio completo aqui.

 

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 27, n. 1.  Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

Anúncios

O mal como princípio de desordem em Edgar Allan Poe (Maria Alice Ribeiro Gabriel)

Resultado de imagem para bon bon edgar allan poe“O problema filosófico do mal constitui um tema recorrente na literatura. A ideia de uma propensão humana ao mal, resultando em uma forma de desvario é mencionada diversas vezes na ficção de Edgar Allan Poe. O mal proveniente de fonte externa é elemento secundário nos contos de Poe, porém o mal resultante de um tipo de insanidade moral é frequente. Este artigo pretende analisar como este preceito foi integrado pelas primeiras narrativas de Poe, particularmente em “Bon-Bon”. O objetivo é demonstrar que o mal, enquanto corrupção moral da natureza humana, não é assunto exclusivo das obras mestras de Poe, mas igualmente de suas obras cômicas iniciais.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na  Revista Aletria, v. 27, n. 1. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O serial killer como narrador em Zombie, de Joyce Carol Oates (Luciano Cabral)

Resultado de imagem para zombie joyce carol oates“Partindo do julgamento de Adolph Eichmann e das observações de Arendt, pretendo mostar que há uma estreita relação entre o que acontece e o relato deste acontecimento (ou entre fábula e enredo, respectivamente). A pesquisa que planejo, como doutorando, encontra-se justamente nesta relação. A narrativa do serial killer enquanto produtor e transmissor do horror (um horror artístico) que ele mesmo inflige é meu corpus de investigação – por isso, a necessidade de sua narração ser autodiegética. As obras ficcionais de crime têm frequentemente utilizado informações sobre matadores seriais reais para compor suas tramas. Porém, assim como Eichmann, o comportamento deste assassino real é tão trivial e suas motivações tão banais, que ele se torna ineficiente como narrador de seus próprios atos horríveis. Para que eventos e relatos tornem-se igualmente horríveis, argumento ser preciso alinhar estes dois elementos. Isto implica dizer que a narrativa deve afastar-se da monotonia discursiva do serial killer real. Há romances, entretanto, que optam por manter esta monotonia discursiva, como parece ser o caso de Zombie (1995), de Joyce Carol Oates. Se é correto afirmar tal coisa, como este assassino ainda mantém (se é que mantem) seu caráter horrível? Explorar as estratégias narrativas desta obra parece ser o caminho para responder a esta pergunta.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Por uma semiótica do mal: “The imp of the perverse”, de Edgar Allan Poe (Leonardo Almeida)

“Publicado pela primeira vez no Graham’s Lady’s and Gentleman’s Magazine, em julho de 1845, o conto The imp of the perverse, de Edgar Allan Poe, trata de um insólito acontecimento: o assassinato premeditado por intermédio de um ato de leitura. Procurando desvendar a causa secreta da impulsividade humana, Poe questiona a acepção da liberdade, já que o homem é livre na medida em que o gesto do pensamento pode ser sua perdição. Ou seja, se o narrador em primeira pessoa infringe a lei, buscando a liberdade, consegue esta na sua própria impossibilidade: é livre para perder o direito de sê-lo. Desse modo, o paradoxo do autor de O corvo se constrói mediante a proliferação do ‘gênio maligno’ de René Descartes, descrito em suas Meditações, a qual se afirma por uma semiótica do mal, procedimento que tem na anatomia do impulso seu móbil particular.”

Leia o ensaio completo

*Este texto foi publicado originariamente no no. 24 da Revista Soletras, da UERJ-FFP.