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“Pareciam de sangue seco, restos de crime…”: o Mal e as Monstruosidades Femininas em Fronteira, de Cornélio Penna (Lais Alves)

casarão“Ao longo da história do Ocidente, a questão do Mal esteve continuamente presente nas mais diversas obras filosóficas e literárias. No mundo moderno, muitos são os autores que perceberam uma considerável alteração na manifestação do Mal. Os atos maléficos deixaram de ser atribuídos a poderes e entidades sobrenaturais e passaram a ser entendidos como resultado das ações de seres humanos, que carregariam em si o potencial negativo para a execução das mais vis e condenáveis ações. Rejeitando as concepções ainda dominantes de uma origem teológica do Mal, teóricos como Todd Calder (2013) estudam novos sentidos para o entendimento do Mal a partir de conjunturas legais, políticas e, fundamentalmente, morais. Através da consideração dos vários elementos que podem ser considerados como predicativos do Mal, o presente trabalho procura explorar essa temática em Fronteira (1935), romance de estreia do escritor petropolitano Cornélio Penna (1896-1958). As principais personagens femininas da obra corneliana – Maria Santa e tia Emiliana – apresentam traços característicos de agentes morais maléficos: em relação às ações más, os predicados aparecem nas ideias de imputabilidade, motivação, frequência, intencionalidade e de seu imperativo caráter transgressivo; referentes à personalidade má, listam-se as concepções de consistência, noções de dano e sofrimento do agente sobre suas vítimas, e o prazer por ele cobiçado e obtido no planejamento e na prática de suas ações. O trabalho pretende ainda demonstrar como o lúgubre ambiente físico do romance – da cidade aos móveis e objetos da casa habitada pelas personagens – é construído de modo a garantir uma percepção de imanência do Mal, isto é, todo o espaço em Fronteira funcionaria como um catalisador do Mal, emanando uma aura criminosa e perniciosa que reverbera nos caracteres naturalmente perversos de seus moradores”.

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*Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do IV Congresso Internacional “Vertentes do Insólito Ficcional” – Mostruosidades ficcionais. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Couro ruim é que chama ferrão de ponta: a respeito da violência em Grande Sertão: Veredas (João Pedro Bellas e Júlio França)

1AberturaO presente artigo propõe uma leitura de Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa, sob a perspectiva das “poéticas do mal”. Partimos de observações e descrições feitas em um artigo anterior, em que demonstrávamos ser o medo um elemento temático e estrutural fundamental no romance rosiano. Dando continuidade a essa abordagem, nossa proposta é considerar especificamente a violência, tanto em sua dimensão temática quanto em sua função formal na narrativa. A hipótese a ser desenvolvida é que a violência também se configura como um elemento essencial da história de Riobaldo, não possuindo em si mesma um valor positivo ou negativo, uma vez que surge ora como um produto dos receios experimentados pelo protagonista, ora como um meio de conciliar e superar os seus temores.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente em PragMATIZES – Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura, n. 18 (2020). Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


No temor da inocência: a imagem do mal com a aparência infantil em narrativas populares no séc. XX (Soraia Cristina Balduíno)

md_a200e967e92c-creepyhalloweencostumes_pumpkin“Desde a configuração do ideal de infância no séc. XIII até sua evolução para o que se considera criança na era contemporânea, em muitas representações e iconografias aliava-se esta representação de fragilidade, ingenuidade, pureza, beleza, e sobretudo, inocência, geralmente sagrava-se a criança como alegria da alma ou ser angélico. No entanto, algumas obras literárias escritas no séc. XX trataram de focalizar outros ares para a inocência, revertendo-as ao um mal perturbador, onde o inocente e o sagrado são transmutados para o profano e aliado a imagem do que a sociedade considera como mal e monstruoso. O presente trabalho tem por objetivo analisar a imagem do mal tendo como veículo a aparência infantil em narrativas literárias – em conjunto com suas adaptações cinematográficas – do final da década de 50 até os meados dos anos 70 do século XX. Portanto, foram escolhidas quatro obras de populares para ilustrar esta proposta, nas quais temos crianças como agentes principais ou fatores associados e próximos, sendo: The Midwich Cuckoos (1957) de John Wydham; O Bebe de Rosemary (Rosemary’s Baby, 1961) de Ira Levin; O exorcista (The exorcist, 1971) de William Peter Blatty e o conto do escritor popular de histórias de horror Stephen King,  As Crianças do Milharal (Children of the Corn), do livro de contos Sombras da Noite (Night Shift, 1976). Para apontar aspectos sobre o conceito de infância, a primeira parte deste artigo fará uma breve explanação sobre o “sentimento de infância”.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do Fantástico na Literatura”. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Bem-aventurados os que podem impunemente praticar o mal: “A causa secreta”, de Machado de Assis (André Luis Rodrigues)

Resultado de imagem para a causa secreta machado de assis“O artigo dedica-se à leitura do conto “A causa secreta”, de Machado de Assis, buscando discernir alguns dos “níveis de realidade” (Ítalo Calvino) presentes na narrativa. A crueldade, a agressividade e a maldade são, por assim dizer, decantadas pelo escritor na figura de Fortunato, que pode exercê-las sob o disfarce do altruísmo e, dada a sua condição social, sem qualquer receio de castigo ou sanção, mas também se deixam entrever, modificadas para além de qualquer reconhecimento imediato e com consequências muito diversas, em vários aspectos da vida e das ações humanas formalizadas no conto. É assim que podem ser divisadas, com base no conceito freudiano de “pulsão de morte”, na origem da curiosidade de Garcia, que é também compartilhada pelos leitores, ou na própria criação e fruição estética, em que estão envolvidos escritor e leitor.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 27, n. 1 (2017).Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O mal em “A Professora Hilda” de Lúcio Cardoso (Gabriel Rosa, Carolina Reedjik e Moacir Felisbino)

Resultado de imagem para a professora hilda lucio cardoso“O mal e a prática do mal são umas das condições inerentes ao ser humano que sempre suscitaram profundos questionamentos. Tais questionamentos, levantados por estudiosos e filósofos das ciências humanas, levaram aos mais complexos resultados. Lendo em chave fenomenológica a novela de Lúcio Cardoso, A Professora Hilda, o presente estudo buscou responder à pergunta sobre o que é o mal, tendo como suporte a análise da obra citada. Lúcio Cardoso mostra que o mal é algo intrínseco ao homem e que todo ser humano busca a potência. A personagem movida por toda a sorte de sentimentos e de atitudes transfere a busca pela potência para o âmbito humano, restando-lhe a impotência. No entanto, por meio de suas mazelas, é levada à transcendência. O presente estudo tem como finalidade perscrutar e analisar a presença, a ação e a prática do mal em A Professora Hilda, de Lúcio Cardoso”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Crátilo, Vol. 10, n.2 Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


William Blake e a questão do mal na literatura contemporânea (Andrio J. R. dos Santos)

william-blake-the-marriage-of-heaven-and-hell“O ímpeto subversivo, assomado ao discurso “infernal” de seus livros proféticos, contribuiu para que William Blake fosse compreendido como um artista pertencente ao “Partido do Diabo”. Por outro lado, alguns escritores intentaram recuperar as ideias de Blake e empregá-las em suas obras, para discutir o problema do mal na contemporaneidade. Desse modo, intento discutir obras influenciadas pela crítica blakeana a “Lei Moral”, por sua concepção de mal, assim como por suas noções demoníacas e satânicas”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.2 (2018). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O mal na literatura medieval: o exemplo do estudante e incontinente (Daniel Padilha Pacheco da Costa)

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VILLON, 1489 apud COSTA, D. P P. Testamento do Vilão – Invenção e recepção da poesia atribuída a François Villon.

“Este artigo discute a representação do mal na literatura medieval a partir do exemplo do estudante incontinente, em particular, da personagem do célebre malfeitor François Villon. Para isso, procuramos decifrar a enigmática conclusão do seu primeiro poema longo, o Lais, cuja descrição metalinguística da perda de consciência pelo louco amante oferece uma explicação escolástica para a sua perturbação mental. Essa explicação permite a Villon justificar a fuga de Paris por meio da sua incontinência que, como sempre acontece na lírica cortês da época, é amorosa e moral ao mesmo tempo.”

 

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 27, n. 1.  Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O mal como princípio de desordem em Edgar Allan Poe (Maria Alice Ribeiro Gabriel)

Resultado de imagem para bon bon edgar allan poe“O problema filosófico do mal constitui um tema recorrente na literatura. A ideia de uma propensão humana ao mal, resultando em uma forma de desvario é mencionada diversas vezes na ficção de Edgar Allan Poe. O mal proveniente de fonte externa é elemento secundário nos contos de Poe, porém o mal resultante de um tipo de insanidade moral é frequente. Este artigo pretende analisar como este preceito foi integrado pelas primeiras narrativas de Poe, particularmente em “Bon-Bon”. O objetivo é demonstrar que o mal, enquanto corrupção moral da natureza humana, não é assunto exclusivo das obras mestras de Poe, mas igualmente de suas obras cômicas iniciais.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na  Revista Aletria, v. 27, n. 1. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O serial killer como narrador em Zombie, de Joyce Carol Oates (Luciano Cabral)

Resultado de imagem para zombie joyce carol oates“Partindo do julgamento de Adolph Eichmann e das observações de Arendt, pretendo mostar que há uma estreita relação entre o que acontece e o relato deste acontecimento (ou entre fábula e enredo, respectivamente). A pesquisa que planejo, como doutorando, encontra-se justamente nesta relação. A narrativa do serial killer enquanto produtor e transmissor do horror (um horror artístico) que ele mesmo inflige é meu corpus de investigação – por isso, a necessidade de sua narração ser autodiegética. As obras ficcionais de crime têm frequentemente utilizado informações sobre matadores seriais reais para compor suas tramas. Porém, assim como Eichmann, o comportamento deste assassino real é tão trivial e suas motivações tão banais, que ele se torna ineficiente como narrador de seus próprios atos horríveis. Para que eventos e relatos tornem-se igualmente horríveis, argumento ser preciso alinhar estes dois elementos. Isto implica dizer que a narrativa deve afastar-se da monotonia discursiva do serial killer real. Há romances, entretanto, que optam por manter esta monotonia discursiva, como parece ser o caso de Zombie (1995), de Joyce Carol Oates. Se é correto afirmar tal coisa, como este assassino ainda mantém (se é que mantem) seu caráter horrível? Explorar as estratégias narrativas desta obra parece ser o caminho para responder a esta pergunta.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Por uma semiótica do mal: “The imp of the perverse”, de Edgar Allan Poe (Leonardo Almeida)

“Publicado pela primeira vez no Graham’s Lady’s and Gentleman’s Magazine, em julho de 1845, o conto The imp of the perverse, de Edgar Allan Poe, trata de um insólito acontecimento: o assassinato premeditado por intermédio de um ato de leitura. Procurando desvendar a causa secreta da impulsividade humana, Poe questiona a acepção da liberdade, já que o homem é livre na medida em que o gesto do pensamento pode ser sua perdição. Ou seja, se o narrador em primeira pessoa infringe a lei, buscando a liberdade, consegue esta na sua própria impossibilidade: é livre para perder o direito de sê-lo. Desse modo, o paradoxo do autor de O corvo se constrói mediante a proliferação do ‘gênio maligno’ de René Descartes, descrito em suas Meditações, a qual se afirma por uma semiótica do mal, procedimento que tem na anatomia do impulso seu móbil particular.”

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*Este texto foi publicado originariamente no no. 24 da Revista Soletras, da UERJ-FFP.