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Possíveis caminhos para a utilização do medo no conto “Sem Olhos” de Machado de Assis (Thamires Gonçalves)

WhatsApp Image 2019-09-06 at 18.01.47“Na literatura brasileira não observamos uma “escola” da literatura do horror, que é a denominação usada para os textos que buscam provocar medo nos leitores. Poucos são os autores que se encaixariam nesse denominação, o exemplo mais comum seria Noite na taverna de Álvares de Azevedo. Nesse artigo, pretende-se demonstrar que o medo utilizado no conto Sem olhos está intrinsecamente ligado à estrutura da narrativa. Para isso, são apresentadas algumas interpretações sobre a maneira como esse sentimento aparece na construção da narrativa, para, então, refletir sobre: a utilização do medo como controle social; suas reações físicas; o medo como prazer estético; campo e cidade como espaços narrativos.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Machado de Assis em linha, n. 19. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Um vasto prazer, quieto e profundo (Eliane Robert Moraes)

Imagem relacionada“A descrição da tortura de um rato, no conto “A causa secreta” de Machado de Assis, pode parecer tímida se comparada às cenas de suplício narradas por Sade. Todavia, uma leitura mais atenta encontrará ali as condições essenciais para a eclosão de uma misteriosa forma de prazer que costuma estar associada à figura do “sádico”. Uma tal aproximação surpreende ainda mais quando se constata que o sadismo do protagonista do conto assume contornos bem mais verossímeis do que as inconcebíveis fabulações de crueldade dos devassos do marquês. Este texto parte do confronto entre os dois autores, valendo-se do diálogo entre uma dimensão estética (o realismo) e outra ética (o mal), na tentativa de propor uma interpretação do conto machadiano.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do Revista Estudos Avançados (USP), v. 23, n. 65.. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Bem-aventurados os que podem impunemente praticar o mal: “A causa secreta”, de Machado de Assis (André Luis Rodrigues)

Resultado de imagem para a causa secreta machado de assis“O artigo dedica-se à leitura do conto “A causa secreta”, de Machado de Assis, buscando discernir alguns dos “níveis de realidade” (Ítalo Calvino) presentes na narrativa. A crueldade, a agressividade e a maldade são, por assim dizer, decantadas pelo escritor na figura de Fortunato, que pode exercê-las sob o disfarce do altruísmo e, dada a sua condição social, sem qualquer receio de castigo ou sanção, mas também se deixam entrever, modificadas para além de qualquer reconhecimento imediato e com consequências muito diversas, em vários aspectos da vida e das ações humanas formalizadas no conto. É assim que podem ser divisadas, com base no conceito freudiano de “pulsão de morte”, na origem da curiosidade de Garcia, que é também compartilhada pelos leitores, ou na própria criação e fruição estética, em que estão envolvidos escritor e leitor.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Aletria, v. 27, n. 1 (2017).Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O horror ameno: contos de Machado de Assis no Jornal das Famílias (Lainister de Oliveira Esteves)

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“O objetivo do artigo é analisar os contos de horror escritos por Machado de Assis no Jornal das Famílias. Publicados entre seções de dicas de economia doméstica e sugestões de decoração, esses contos trazem para as práticas cotidianas de leitura o universo do pecado, do crime e do sobrenatural sem abrir mão da proposta de literatura amena.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmnte na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

 


Dor, Horror e Crueldade no Insólito Ficcional: A abjeção no conto “A causa secreta” de Machado de Assis (Mariana Silva Franzim)

“O presente artigo traz uma análise do conto ‘A causa secreta’, de Machado de AssisScreen Shot 2015-04-04 at 6.00.02 PM, publicado originalmente em 1885. O conto narra a sucessão de fatos que envolvem o encontro de três personagens: Garcia, jovem médico, Fortunato, capitalista e Maria Luísa, a submissa esposa do último. Os pontos a serem analisados passam pela questão do olhar na obra machadiana, a perversão, o sentimento de Schadenfreude (prazer na dor alheia), o monstruoso e a abjeção. O conto é narrado em terceira pessoa, por um narrador que assume o caráter de um voyeur que espia os fatos de muito perto, porém permanece oculto no desenrolar da trama. O narrador se propõe a voltar no tempo e contar uma história que leve o leitor até uma cena descrita de forma estática no início do conto, e que justifique as situações que a antecederam. Durante a análise do conto serão abordados os seguintes pontos: o conceito de abjeção nas artes a partir de Kristeva e a forma como o conto machadiano antecipa alguns de seus elementos; a ambiguidade na constituição das personagens que encaminham-se para uma condição monstruosa extrema, dando destaque a função dúbia do médico no final do século XIX aqui representado sob a imagem do personagem Garcia; a noção de Schadenfreude, prazer estético ou moral na dor alheia; e por fim a condição do leitor frente a esta obra ambígua, inquietante e insólita.”

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O Sadismo em “A Causa Secreta” e “O Barril de Amontillado” (Nicole Ayres Luz)

“O trabalho propõe uma leitura comparativa dos contos ‘A Causa Secreta’, de Machado de Assis, e ‘O Barril de Amontillado’, de Edgar Allan Poe. Os objetivos são: (1) avaliar os comportamentos sádicos dos personagens Fortunato e Montresor – enquanto o primeiro é motivado por uma vingança, o segundo revela uma natureza sádica –, tomando por base as noções de monstruosidade, vício e virtude, apresentadas por Sade em Nota sobre Romances, e de perversidade, desenvolvida por Poe no conto ‘O Demônio da Perversidade’; e (2) analisar como, diante da narração de práticas sádicas, o leitor sente, ao mesmo tempo, repulsa, curiosidade e prazer, tornando-se cúmplice do sadismo estético. Pretende-se mostrar que o monstro humano, por sua proximidade e aparente normalidade, talvez seja ainda mais amedrontador. O narrador observador do conto de Machado tenta ser neutro, enquanto o narrador personagem do conto de Poe tenta se justificar ; ou seja, em nenhum dos dois casos há uma condenação dos atos dos personagens: as histórias se atêm aos fatos, cabendo ao leitor tirar suas próprias conclusões. Se a “causa secreta” da conduta de Fortunato e, por extensão, de Montresor, é o sadismo, a causa do sadismo, da prática do mal pelo mal, parece não ter uma explicação evidente. Permanecem em questão, portanto, as complexidades do comportamento humano.”

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Prefácio de “Contos fantásticos: Machado de Assis” (Raimundo Magalhães Júnior)

“Contos Fantásticos, de Machado de Assis? Se algum leitor fizer tal pergunta, é sinal de que pouco conhece a obra do grande escritor carioca, considerado, com justiça, um dos nossos grandes romancistas e o maior dos nossos contistas. Nascido na cidade do Rio de Janeiro, a 21 de junho de 1839 — do mesmo ano do nascimento de Casimiro de Abreu, de Tobias Barreto e de Floriano Peixoto — Joaquim Maria Machado de Assis seria poeta precoce, começando a versejar aos 15 anos, e publicaria antes de completar 18 anos, o seu primeiro conto, intitulado Três Tesouros Perdidos. Esse conto, saído em A Marmota de 5 de janeiro de 1858, seria incluído no volume Páginas Recolhidas, a partir de 1937. A princípio, dedicava-se Machado de Assis com mais frequência às musas, à crítica teatral e literária, à crônica, mas a partir de junho de 1864, quando se liga ao Jornal das Famílias, é a produção do contista que começa a adquirir relevo, através de longas narrativas, às vezes publicadas em dois a três números daquela publicação. (…)”

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Conto Alexandrino (Machado de Assis)

“(…) Ao lado dele, Pítias aparava o sangue e ajudava a obra, já contendo os movimentos convulsivos do paciente, já espiando-lhe nos olhos o progresso da agonia. As observações que ambos faziam eram notadas em folhas de papiro; e assim ganhava a ciência de duas maneiras. Às vezes, por divergência de apreciaçãoa_rat_by_gigowolf-d55uv08, eram obrigados a escalpelar maior número de ratos do que o necessário; mas não perdiam com isso, porque o sangue dos excedentes era conservado e ingerido depois. Um só desses casos mostrará a consciência com que eles procediam. Pítias observara que a retina do rato agonizante mudava de cor até chegar ao azul claro, ao passo que a observação de Stroibus dava a cor de canela como o tom final da morte. (…)”

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O leitor cruel: sadismo e curiosidade em “A causa secreta”, de Machado de Assis (Jonatas Tosta Barbosa)

“(…) Ao longo do conto, o protagonista explicita a dificuldade de explicar, através do raciocínio lógico, a motivação do comportamento perverso, a causa do impulso cruel no ser humano e a ausência de uma pretensa função para a perversidade que não seja destrutiva. O protagonista não acredita que, após cometer-se um ato cruel, o indivíduo sinta satisfação. O remorso (ou a culpa) é a única reação possível, antagonizando com o sentimento de prazer obtido durante o ato cruel, que, por fim, faz com que o indivíduo sinta repulsa e horror por si próprio: ‘(…) no caso daquilo que denominei de perversidade, não somente o desejo de bem-estar não é excitado, mas existe um sentimento fortemente antagônico’ (POE, 2001, 346). (…)”

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A causa secreta (Machado de Assis)

causa_secreta“(…) Viu Fortunato sentado à mesa, que havia no centro do gabinete, e sobre a qual pusera um prato com espírito de vinho. O líquido flamejava. Entre o polegar e o índice da mão esquerda segurava um barbante, de cuja ponta pendia o rato atado pela cauda. Na direita tinha uma tesoura. (…) E com um sorriso único, reflexo de alma satisfeita, alguma coisa que traduzia a delícia íntima das sensações supremas, Fortunato cortou a terceira pata ao rato, e fez pela terceira vez o mesmo movimento até a chama. O miserável estorcia-se, guinchando, ensangüentado, chamuscado, e não acabava de morrer. (…) Faltava cortar a última pata; Fortunato cortou-a muito devagar, acompanhando a tesoura com os olhos; a pata caiu, e ele ficou olhando para o rato meio cadáver. Ao descê-lo pela quarta vez, até a chama, deu ainda mais rapidez ao gesto, para salvar, se pudesse, alguns farrapos de vida. (…)”

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