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Macário e Satã: viagem fantástica, diálogo crítico (Andréa Sirihal Werkema)

O Satã Conduz Macário pelo Braço, João Fahrion, 1940“O Primeiro Episódio do drama Macário, de Álvares de Azevedo, relata uma viagem feita por um jovem estudante, rumo à cidade na qual irá estudar. O estudante Macário, protótipo de ultrarromântico, cético, irônico e desencantado, flerta abertamente com o lado negativo da existência, o que culmina no encontro, em estalagem de beira da estrada, com um Desconhecido, que se revela, posteriormente, como o próprio Satã. Interessa discutir as implicações advindas de uma escolha pela trajetória fantástica em meio ao Romantismo brasileiro, tão marcado pelas demandas ‘realistas’ de um projeto de formação de identidade nacional via literatura. Analisaremos, portanto, as oscilações do fantástico no Primeiro Episódio de Macário, de forma a averiguar a filiação do drama de Azevedo a um outro Romantismo, que recusa o ‘veto ao ficcional’, em prol de uma literatura subjetivista ao extremo, que deforma a realidade com o intuito de, criticamente, sugerir outros caminhos para a formação da chamada ‘literatura nacional’.”

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do I Colóquio “Vertentes do Fantástico na Literatura”. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Macário (Álvares de Azevedo)

“SATÃ
Então, não bebes, Macário? Que tens, que estás pensativo e sombrio? Olha, desgraçado, é verdadeiro vinho do Reno que desdenhas!

MACÁRIOSatan-by-Helen-Bayly
E tu és mesmo Satã?

SATÃ
É nisso que pensavas? És uma criança. De certo que querias ver-me nu e ébrio como Calibã, envolto no tradicional cheiro de enxofre! Sangue de Baco! Sou o diabo em pessoa! Nem mais nem menos: porque tenha luvas de pelica, e ande de calças à inglesa, e tenha os olhos tão azuis como uma alemã! Queres que to jure pela Virgem Maria?”

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