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Um passeio com Tânatos: a ficcionalização da morte nos contos de Lygia Fagundes Telles (João Pedro Rodrigues Santos)

Resultado de imagem para árvore escuro gótico“Esta dissertação apresenta um estudo sobre a ficcionalização e a representação da morte nos contos da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles. Partindo da ideia de que a perspectiva da finitude sempre amedrontou o ser humano, analisou-se como a morte vai se desdobrando e variando em diferentes contos de diferentes obras da trajetória literária de Telles. Assim sendo, a escritora em questão escreve e reescreve a morte de diferentes formas em suas narrativas, mostrando diversas faces desta questão, buscando, também, aprofundar a compreensão deste grande enigma atemporal que persegue o homem desde os primórdios até os dias de hoje. Verificou-se que nos contos estudados, existem dois tipos de abordagens da morte que são retratadas: a morte do outro e a morte de si mesmo. Além disso, discutiu-se como a fruição estética da literatura pode apaziguar e auxiliar as pessoas na busca por compreensão e aceitação da morte. Devido à complexidade do tema da morte, fez-se necessário, no desenrolar da pesquisa, adentrar teorias e conceitos de outras disciplinas, tais como: antropologia, filosofia, história das mentalidades, psicologia, psicanálise e sociologia. Sobretudo, Lygia Fagundes Telles, ao ficcionalizar a finitude, procura penetrar e aprofundar os mistérios da existência humana, convocando seus leitores a embarcarem em narrativas onde morte e vida parecem se amalgamar.”

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(*) Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras na PUC-RS, no ano de 2017. Republicamos aqui, com fins puramente acadêmicos.


Nos subterrâneos do gótico feminino moderno: um olhar em “O Jardim Selvagem”, de Lygia Fagundes Telles (Camila Batista e Alexander Meireles da Silva)

Resultado de imagem para o jardim selvagem lygia“O que vale ressaltar é o devido interesse em atentar para a personagem como heroína a partir das suas transgressões mesmo havendo indícios de modelos patriarcais. Neste conto, Lygia Fagundes Telles abre as possibilidades de reflexão para as relações homem/mulher. Temos o aspecto da mulher fatal como heroína gótica perante a sua transgressão, confrontando as margens que incumbira desde os primórdios da tradição patriarcal. Daniela era o que queria ser, talvez somente para ela, podendo optar por isso, não transparecendo totalmente sua essência, sendo, como Tio Ed dizia, um “jardim selvagem”.”

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A errância e o gótico em “Ciranda de Pedra” (Guilherme Copati e Adelaine LaGuardia)

“O romance Ciranda de pedra pode ser lido como uma narrativa que coloca a literatura brasileira em diálogo com a tradição do gótico inglês, especialmente por explorar as condições da errância e da orfandade, características das protagonistas de romances góticos pertencentes à tradição inglesa. A errância de Virginia, que a leva a incorporar os terrores ligados à hereditariedade da loucura, à dissolução da família, à educação da criança, à exploração da sexualidade da mulher e à desintegração do indivíduo, permitem, assim, perspectivar as especificidades narrativas do gótico inglês e apontar suas influências nesse romance emblemático de nossa literatura.”

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Elementos góticos no conto “Venha ver o pôr-do-sol” de Lygia Fagundes Telles (Isabelle Rodrigues de Mattos Costa)

12169189046_69e4e6221a_b“(…) A execução do plano foi impecavelmente fria e Ricardo se portou extremamente confiante na eficiência do cemitério para seus propósitos. De fato, temos a impressão de que ele está se escondendo por trás de uma máscara: uma máscara de amizade e de confiança, para fazer com que Raquel acreditasse nele e o seguisse, sem suspeitar do destino que a aguardava. E, talvez ainda, Ricardo tivera que colocar seus próprios sentimentos atrás da máscara, e distorcer o amor que tinha por Raquel em ciúme e vingança. (…)”

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O gótico literário no Brasil: Lygia Fagundes Telles (Camila Mello)

“(…) São os mistérios, os medos, as lembranças, os desejos e os fantasmas que rondam essa família que vão atribuir-lhe um caráter gótico, que vão explicitar fatos reprimidos e instigar a sensação do unheimlich. A questão da volta inconstante do passado na vida dos personagens como corpo assombrador, fantasma incansável, também é recorrente em outras narrativas góticas. Em Ciranda, o retorno do passado fica mais evidente na segunda parte do romance: antes de Virgínia sair do internato para retornar à casa de Natércio, ela rasga várias cartas como símbolo da superação de lembranças dolorosas. Além disso, afirma não ter memória sobre eventos da infância. Contudo, no contato com o pai, as irmãs, e os amigos, Virgínia percebe que o passado não havia sido realmente esquecido: ‘Mortos e vivos, voltaram todos (…) estão todos por aí, completamente soltos. E a confusão é geral’ (Telles, 1998: 100-101). O terror do passado é tal, que um dos motivos que a leva a se entregar à Rogério é que ele não trazia nenhuma lembrança, pois não fazia parte da ciranda da juventude. Talvez o maior motivo para tantas fugas de Virgínia – o internato, as saídas repentinas, a vontade de morrer, a viagem pelo mundo – seja exatamente a dificuldade de lidar com os fantasmas do passado, com os sentimentos que podem reaparecer e mostrar feridas. (…)”

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