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Lovecraft e os matizes goticistas em “The Dreams in the Witch-House” (Fernando M. de Barros e Luciana Colucci)

Imagem relacionada“O conto “Dreams in the Witch-House”, do norte-americano H. P. Lovecraft, publicado em 1933, apresenta várias nuances goticistas em sua tessitura. Por Goticismo compreendemos aquilo que se aproxima da estética gótica. Há convergências assim como há também inovações do conto em questão em relação ao modelo gótico tradicional. Os pontos de intersecção que mais se fazem notar são o espaço da casa mal assombrada, a figura monstruosa da bruxa, bem como de seu familiar, o peso do passado opressor que assombra o presente, a presença da tradição como potência ameaçadora, a apresentação de uma modernidade desencantada, com fortes traços decadentistas e expressionistas, estéticas aparentadas do Gótico, e a semelhança com o enredo do chamado Gótico masculino, em que o feminino avulta como força destruidora. Os diferenciais em relação ao Gótico tradicional assumem aspectos inovadores e marcadamente lovecraftianos, como os desdobramentos espaciais do locus horribilis, a ausência de uma estrutura patriarcal como em O Castelo de Otranto, e as amplificações cósmicas do horror gótico. Desta forma, muito mais do que reconhecer o conto de Lovecraft como exemplar do gênero gótico, preferimos considerá-lo como uma narrativa eivada de goticismos. Neste sentido, a topoanálise faz-se chave de investigação privilegiada para tais suposições. O fantástico no conto se consubstancia tanto na concepção todoroviana de tensão entre o real e o sobrenatural como na acepção defendida por David Roas, segundo a qual o sobrenatural tem a palavra final. E, na narrativa, fato e ficção se interpolam, uma vez que a história norte-americana é recriada ficcionalmente enquanto constructo goticista.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n.4. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.

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A influência de Edgar Allan Poe na escrita de H.P. Lovecraft: o narrador lovecraftiano e o narrador de Poe (Daniel Iturvides Dutra)

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“O presente artigo visa analisar como Edgar Allan Poe foi uma influência importante no desenvolvimento do estilo literário de H.P. Lovecraft. Discutiremos como Lovecraft se apropriou dos recursos narrativos de Poe e os reinventou a sua maneira, criando assim sua própria forma de narrar. Para tanto, faremos uma análise comparativa de contos de Poe e de Lovecraft para compreender como se deu a influência.”

Leia o ensaio completo aqui.

 

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O homus lovecraftus contra a Modernidade (Alexander Meireles da Silva)

“Este artigo visa analisar a presença de um homus lovecraftus dentro da ficção do escritor norte-americano Howard Phillips Lovecraft ligada às narrativas comumenteResultado de imagem para mitos de cthulhu chamadas de Mitos de Cthulhu. Para tanto, considera-se de que forma o pensamento de H. P. Lovecraft sobre a ostensiva presença dos imigrantes na América do início do século vinte foi traduzida em sua teratologia ficcional. Os contos “Dagon” (1917), “O Chamado de Cthulhu” (1926) e “A sombra em Innsmouth” (1927) compõem o corpus a ser analisado por meio do suporte teórico de, dentre outros, Edmund Burke (2013), Jeffrey Jerome Cohen (2000), Marshall Berman (1986) e Mary Douglas (2012). Especificamente a análise demonstrará como ao mesmo tempo em que o homus lovecraftus anuncia a inexorável chegada da Modernidade e tenta compreender seu alcance, ele se revela incapaz de suportar seu impacto sobre sua identidade.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 4, v.4.. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Algumas imagens do Catolicismo nos contos de H.P. Lovecraft (Alfredo Cruz)

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“Partindo da leitura de três contos de H. P. Lovecraft – “Ar frio” (1926/1928), “Sonhos na Casa da Bruxa” (1932/1933) e “O assombro nas trevas” (1935/1936) – procurou-se tecer algumas considerações a respeito da representação do catolicismo na obra ficcional deste autor. Concluiu-se que a marca desta é, antes do mais, uma interessante ambiguidade.”

Leia o ensaio completo aqui.

 

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 4, v.4.. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Sonhos na Casa da Bruxa (H. P. Lovecraft)

Resultado de imagem para the dreams in the witch house“[…] o esqueleto parcialmente esmagado de um enorme rato deformado, cujas anormalidades anatômicas são, até hoje, tema de debates e fonte de singular reticência entre os membros do departamento de anatomia comparada da Universidade de Miskatonic. Muito pouco a respeito desse esqueleto foi divulgado, mas os trabalhadores que o encontraram sussurravam horrorizados sobre os longos pelos marrons aos quais estava ligado. Os ossos das patas minúsculas, comentava-se, denotam características preênseis mais típicas de um macaco pequeno que de um rato; enquanto o crânio diminuto, com suas selvagens presas amarelas, é de uma anomalia inigualada, parecendo de certos ângulos, uma paródia monstruosamente degradada de um crânio humano em formato muito pequeno. os trabalhadores benzeram-se de medo quando deram com tal blasfêmia, porém mais tarde acenderam velas de gratidão na Igreja de Santo Estanislau, por sentirem que nunca mais os abafados, estridentes e espectrais risos seriam ouvidos novamente.”

Leia aqui o conto completo, em inglês.


Ar Frio (H. P. Lovecraft)

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“[…] válvula de escape para a raiva e o desespero surgidos de fazer a experiência de uma cidade que, se antes havia parecido glamorosa, passou a aplicar repetidos golpes na [sua] autoestima ao negar-lhe um trabalho apesar de suas habilidades e ao forçá-lo a refugiar-se num buraco dominado pelo crime e infestado de ratos.”

Leia aqui o conto completo, em inglês.


O Assombro nas Trevas (H. P. Lovecraft)

Resultado de imagem para the haunter of the dark lovecraft“O homem era um irlandês robusto, e a Blake pareceu estranho que não fizesse muito mais do que se persignar e balbuciar coisas sobre as pessoas jamais falarem a respeito daquela construção. Quando Blake o pressionou, o policial irlandês disse às pressas que o padre italiano advertia a todos contra a igreja, jurando que outrora um mal monstruoso havia habitado o lugar e lá deixado sua marca. O próprio irlandês ouvira histórias lúgubres contadas à meia voz por seu pai, que relembrava certos sons e rumores da infância. Nos velhos tempos uma seita vil reunia-se lá – uma seita clandestina que invocava coisas terríveis dos ignotos abismos da noite. Fora preciso um excelente padre para exorcizar o que então surgiu, embora algumas pessoas dissessem que apenas a luz poderia bani-lo. Se o padre O’Malley estivesse vivo ele teria muitas histórias para contar. Mas naquele ponto não havia mais nada a fazer, salvo esquecer a igreja. Ela já não prejudicava ninguém, e seus proprietários estavam mortos ou vivendo em lugares distantes. […] Um dia a cidade tomaria a frente e assumiria a posse da construção devido
à inexistência de herdeiros, mas essa medida não resultaria em nada de bom. O melhor seria deixá-la ruir com o passar dos anos e não mexer com coisas que devem descansar para sempre em abismos sombrios.”

Leia aqui o conto completo, em inglês.