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O Intruso, de H. P. Lovecraft: o unheimlich no espelho (Carla Larissa dos Santos de Souza e Ramiro Giroldo)

32649c7063aab8ab6e2a9ddd029b0fc9“Este texto toma como objeto o conto ‘O intruso’, de H. P. Lovecraft e tem como objetivo a leitura do personagem que dá nome ao título como uma peculiar figura do unheimlich, que só compreende a sua natureza no confronto com o outro. Embasa-se em noções formuladas por Sigmund Freud em ‘O inquietante’ e, também, em formulações de Noel
Carroll acerca do monstro, em A filosofia do horror ou os paradoxos do coração. O texto contempla, ainda, o olhar cunhado por Lovecraft na obra O horror sobrenatural na literatura. A articulação aqui apresentada busca discutir como a ambientação gótica e a atmosfera dela decorrente se relacionam no conto com o efeito unheimlich, bem como o jogo ficcional travado entre o familiar e o desconhecido.”

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 10 (2019.3). Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


O horror sobrenatural na literatura – introdução (H. P. Lovecraft)

11492c6d1ad064d7e58d072c18e5794bHoward Phillips Lovecraft (1890-1937) foi um escritor estadunidense que ficou conhecido por seus contos de horror e de weird fiction publicados em diversas pulp magazines. Apesar de sua vasta produção – que inclui também poemas e ensaios –, Lovecraft nunca teve reconhecimento literário durante a vida. Foi somente a partir da segunda metade do século XX que suas narrativas começaram a ganhar popularidade, sendo apreciadas por diversos nomes do cinema e da literatura de horror, como Guillermo del Toro, Stephen King e Neil Gaiman.

Ainda que tenha sido fortemente influenciado por autores como Edgar Allan Poe, Lorde Dunsany, Robert Chambers e Algernon Blackwood, Lovecraft criou um universo ficcional ímpar. É comum dividir sua obra em três fases: a dos Contos Macabros (1905-1920); a do Ciclo dos Sonhos (1920-1927); e a dos Mitos de Cthulhu (1925-1935). Essa última é responsável por caracterizar o estilo do escritor, pois compreende um conjunto de narrativas em que foi desenvolvida a ideia de horror cósmico, isto é, o horror experimentado quando somos confrontados por fenômenos que estão além de nossa capacidade de compreensão – um sentimento decorrente da percepção da insignificância do ser humano diante da grandiosidade e vastidão do universo.

“O horror sobrenatural na literatura” começou a ser escrito em 1925, foi publicado pela primeira vez em 1927, na revista The Recluse, mas sofreu alterações importantes em 1933 e 1934. O ensaio completo consiste fundamentalmente em uma história crítica da literatura fantástica e da literatura gótica. No excerto por nós selecionado – que correspondente à abertura do texto –, Lovecraft legitima o medo como uma poderosa emoção estética, e apresenta a narrativa de horror cósmico como o tipo superior de weird fiction.

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Horror e empatia: a figura do cientista em “Do Além” (1934), de H.P. Lovecraft (Marina Sena)

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“O presente trabalho busca analisar, a partir do estudos sobre empatia de Simon Baron-Cohen, como se dão vínculos emocionais estabelecidos entre leitor e personagem monstruosa. Procurarei demonstrar que a descrição que Baron-Cohen faz de constructos empáticos, e do indivíduo localizado no grau zero de empatia, é uma chave para se compreender melhor o arquétipo do cientista na literatura de horror. Como estudo de caso será analisado o cientista do conto “Do além” (1934), de H. P. Lovecraft, que ultrapassa o limite do que deve e pode ser conhecido.”

Leia o ensaio completo aqui.


O papel do outro no horror cósmico de H.P. Lovecraft (Bruno da Silva Soares)

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“Cabe entender que essas intertextualidades e adaptações além de contribuírem para a apreciação contemporânea da obra do autor, tornando-o um símbolo canônico do gênero do Horror, não seriam a única possibilidade de comparatismo que a obra de Lovecraft possibilita. Ao lidar com a relação de expectativa do “Outro”, aqui referido no conceito freudiano de reafirmação individual do “Eu” a partir da perspectiva de outrem, o autor cria imbricações culturais comuns ao seu tempo: limitar a dinâmica literária entre o herói modelo, branco, anglo-saxão e culturalmente tido como superior por deter a razão; versus o subalterno caricatural, na forma do latino americano, oriental e africano, desprovido de formação moral e escolástica, dado a superstições e que acaba – em sua ignorância – sendo o portador das desgraças do Horror Cósmico ao mundo.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional (SEPEL 2016). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Do inominável ao cientificamente explícito: monstros lovecraftianos (Aparecido Donizete Rossi e Nathalia Scotuzzi)

Resultado de imagem para cthulhu“Um dos pontos temáticos da obra de H. P. Lovecraft mais reconhecidos e comentados são seus monstros peculiares e inéditos. Cthulhu, por exemplo, é um dos monstros mais conhecidos da cultura pop dos séculos XX e XXI. Apesar disso, a crítica comumente considera apenas um grupo de seus monstros como paradigma para toda a sua obra: seres gelatinosos e tentaculares, impossíveis de serem descritos com precisão. A intenção desse artigo é demonstrar que Lovecraft apresentou, no percurso de sua carreira, diferentes tipos de monstruosidades, por vezes amorfos e inomináveis, mas por outras descritos cientificamente. Pretendemos, assim, elencar cada uma dessas categorias de monstruosidades e analisar suas implicações dentro de cada obra, a partir das reflexões de Luiz Nazário e Noël Carroll.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, nº 04. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


A morfologia do Horror – construção e percepção na obra lovecraftiana (Alcebíades Diniz Miguel)

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“O horror ficcional é uma das constantes na produção cultural do século XX, como um reflexo que acompanha o horror político. Esse horror culturalmente produzido, que é estético, podemos vislumbrar em vasta produção da indústria cultural – que cobre as mais diversas mídias e formas de representação –, tendo seu momento inicial na ficção fantástica dos séculos XVIII-XIX. Na década de 1920-30, o escritor norte-americano Howard Phillips Lovecraft retomaria essa tradição do fantástico, acrescentando novos significados, formas, usos e estratégias. Neste trabalho, nossa meta foi realizar um panorama da ficção de horror abordando analiticamente elementos das narrativas de seu criador, H. P. Lovecraft.”

Leia a dissertação completa aqui.


Diálogo entre H.P. Lovecraft e Arthur Machen: uma análise comparativa de The Dunwich Horror e The Great God Pan (Shirley de Souza Gomes Carreira)

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“Em seu ensaio sobre o horror sobrenatural na literatura, H. P. Lovecraft dedica parte de um capítulo à obra de Arthut Machen, por quem nutria admiração e a quem atribuía a capacidade de elaborar um “êxtase do medo” inalcançável aos outros escritores do gênero. The Great God Pan, primeira e mais conhecida obra de Machen, foi publicada no ano em que Lovecraft nasceu e este a menciona mais de uma vez em seus escritos, admitindo publicamente que ela o havia inspirado na escrita de alguns dos seus textos. Este trabalho propõe a análise do conto “The Dunwich Horror“, de Lovecraft, e da novela The Great God Pan, de Machen, a fim de verificar os pontos de convergência entre as obras.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n.4. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Lovecraft e os matizes goticistas em “The Dreams in the Witch-House” (Fernando M. de Barros e Luciana Colucci)

Imagem relacionada“O conto “Dreams in the Witch-House”, do norte-americano H. P. Lovecraft, publicado em 1933, apresenta várias nuances goticistas em sua tessitura. Por Goticismo compreendemos aquilo que se aproxima da estética gótica. Há convergências assim como há também inovações do conto em questão em relação ao modelo gótico tradicional. Os pontos de intersecção que mais se fazem notar são o espaço da casa mal assombrada, a figura monstruosa da bruxa, bem como de seu familiar, o peso do passado opressor que assombra o presente, a presença da tradição como potência ameaçadora, a apresentação de uma modernidade desencantada, com fortes traços decadentistas e expressionistas, estéticas aparentadas do Gótico, e a semelhança com o enredo do chamado Gótico masculino, em que o feminino avulta como força destruidora. Os diferenciais em relação ao Gótico tradicional assumem aspectos inovadores e marcadamente lovecraftianos, como os desdobramentos espaciais do locus horribilis, a ausência de uma estrutura patriarcal como em O Castelo de Otranto, e as amplificações cósmicas do horror gótico. Desta forma, muito mais do que reconhecer o conto de Lovecraft como exemplar do gênero gótico, preferimos considerá-lo como uma narrativa eivada de goticismos. Neste sentido, a topoanálise faz-se chave de investigação privilegiada para tais suposições. O fantástico no conto se consubstancia tanto na concepção todoroviana de tensão entre o real e o sobrenatural como na acepção defendida por David Roas, segundo a qual o sobrenatural tem a palavra final. E, na narrativa, fato e ficção se interpolam, uma vez que a história norte-americana é recriada ficcionalmente enquanto constructo goticista.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n.4. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


A influência de Edgar Allan Poe na escrita de H.P. Lovecraft: o narrador lovecraftiano e o narrador de Poe (Daniel Iturvides Dutra)

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“O presente artigo visa analisar como Edgar Allan Poe foi uma influência importante no desenvolvimento do estilo literário de H.P. Lovecraft. Discutiremos como Lovecraft se apropriou dos recursos narrativos de Poe e os reinventou a sua maneira, criando assim sua própria forma de narrar. Para tanto, faremos uma análise comparativa de contos de Poe e de Lovecraft para compreender como se deu a influência.”

Leia o ensaio completo aqui.

 

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O homus lovecraftus contra a Modernidade (Alexander Meireles da Silva)

“Este artigo visa analisar a presença de um homus lovecraftus dentro da ficção do escritor norte-americano Howard Phillips Lovecraft ligada às narrativas comumenteResultado de imagem para mitos de cthulhu chamadas de Mitos de Cthulhu. Para tanto, considera-se de que forma o pensamento de H. P. Lovecraft sobre a ostensiva presença dos imigrantes na América do início do século vinte foi traduzida em sua teratologia ficcional. Os contos “Dagon” (1917), “O Chamado de Cthulhu” (1926) e “A sombra em Innsmouth” (1927) compõem o corpus a ser analisado por meio do suporte teórico de, dentre outros, Edmund Burke (2013), Jeffrey Jerome Cohen (2000), Marshall Berman (1986) e Mary Douglas (2012). Especificamente a análise demonstrará como ao mesmo tempo em que o homus lovecraftus anuncia a inexorável chegada da Modernidade e tenta compreender seu alcance, ele se revela incapaz de suportar seu impacto sobre sua identidade.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n. 4, v.4.. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.