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Há perigo na esquina: ficção e realidade nos espaços do medo de João do Rio (Pedro Sasse)

“Na literatura do medo, a ambientação é fundamental para a produção de seus efeitos estéticos. Esse trabalho pretende des­crever os espaços do medo no Rio de Janeiro do início do século XX, a partir de duas victorian-man-with-top-hat-on-a-cobbled-street-at-night-lee-avisonobras de João do Rio: Dentro da noite, uma coletânea de contos sobre os terrores e deturpações da ci­dade, abordando temas como tortura, suicídios e deformações; e A alma encantadora das ruas, uma coletânea de crônicas sobre o lado menos glamoroso da Belle Époque carioca, veremos a visão social e histórica do autor sobre os mesmos temas. Através de uma leitura comparativa, visa-se demonstrar como, na litera­tura de medo urbano, as fronteiras entre os espaços ficcionais e os espaços reais são difusas, e como essa característica contribui para a produção do medo como efeito de recepção.”

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Espaços tropicais da literatura do medo: traços góticos e decadentistas em narrativas ficcionais brasileiras do início do século XX (Júlio França)

“Nas narrativas ficcionais, a construção do locus horribilis é essencial para a produ1e97210e8af65ca92df38efa0fac92f0ção do medo como efeito de recepção. As características objetivas dos espaços narrativos são tão importantes quanto a percepção subjetiva que personagens e os próprios leitores têm do ambiente. Tais percepções não são, na maioria das vezes, idiossincráticas, mas respondem a determinadas condições culturais. Buscando descrever como o tempo histórico da narração afeta as paisagens do medo, tomamos três contos de Gastão Cruls (‘Noites brancas‘, ‘No embalo da rede‘ e ‘O espelho‘), para demonstrar a influência da estética e da visão de mundo gótico-decadentistas em narrativas brasileiras do início do século XX.”

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Ao embalo da rede (Gastão Cruls)

“(…) Infelizmente, com horror de mim mesmo, eu já me venho estudando há algum tempo, e de um médico cheguei mesmo a indagar se não seria melhor fugir ao casamento. Mas, tu não conheces a heshrouded_corpse_1853diondez da minha vida nestes últimos meses, a visita frequente aos necrotérios, o desejo irresistível de assistir às exumações mais horrendas, o gozo que me dão as câmaras mortuárias e os ofícios fúnebres… Há coisas que a gente não sabe como confessar, tanta é a degradação que traduzem. (…)

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O Castelo de Otranto (Horace Walpole)

“(…) O horror da visão, a ignorância de todos ao redor quanto às circunstâncias em que ocorrera aquela dsc02000desgraça e, acima de tudo, o tremendo fenômeno à sua frente, suprimiram a voz do príncipe. Assim mesmo seu silêncio durou mais tempo do que a dor faria prever. Fixou os olhos naquilo que inutilmente desejava não passasse de mera visão; e parecia menos atento à sua perda, do que ensimesmado no estupendo objeto que a havia provocado. Tocou, examinou o elmo fatal; nem mesmo as remanescentes partes misturadas, que ainda sangravam, do jovem príncipe podiam desviar os olhos de Manfredo do prodígio à sua frente. (…)”

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