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Formas e funções do grotesco na narrativa decadente (Daniel Augusto P. Silva)

15514122457“O objetivo deste trabalho é investigar como o grotesco se manifesta na narrativa decadente, quais são seus efeitos de recepção e por que foi sistematicamente empregado na literatura fin-de-siècle. Ao longo do ensaio, defenderemos a hipótese de um grotesco decadente, que teria apresentado características formais específicas. Observamos que, além de estarem associadas a doenças e a comportamentos sexuais entendidos como transgressivos, as figuras grotescas da Decadência literária são apresentadas a partir de uma linguagem bastante hermética, detalhista e pictórica, típica da écriture artiste. Para demonstrarmos algumas dessas configurações, analisamos o conto “Morte do Palhaço” (1914), de Gonzaga Duque.”

Leia aqui o artigo completo.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XIV Congresso Internacional Abralic (2019). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Os olhos (Domício da Gama)

dep933-fa5a7316-c103-4a93-9fa2-0d6144d42fb5“Domício da Gama (1862-1925) fez parte da fundação da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira de número 33, e escolheu como patrono Raul Pompeia. Em 1919, assumiu a presidência da Instituição. Apesar de ter contribuído para jornais brasileiros e ter escrito diversos contos e crônicas, ele adquiriu renome não por suas obras literárias, mas por sua carreira diplomática. Entre 1911 e 1918, desempenhou as funções de Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, sucedendo a Joaquim Nabuco, e, em seguida, foi escolhido como ministro das Relações Exteriores no governo de Delfim Moreira.

Sua obra literária está circunscrita à publicação de textos em jornais e de dois livros de contos: Contos a meia tinta (1891) e Histórias curtas (1901), sendo este último uma atualização do primeiro. Em algumas de suas narrativas, Domício da Gama adota procedimentos característicos da ficção decadente, como os cenários degradados e degradantes, as personagens que traduzem uma visão de mundo pessimista e a linguagem que denota bastante preocupação estética. Em Obsessão, por exemplo, texto presente em Histórias curtas (1901), aborda-se o sadismo como uma patologia e exploram-se as relações entre crueldade e erotismo. No conto, o protagonista, encarcerado e em meio a uma crise de fundo religioso, narra a história de sua perversa e violenta volúpia em relação à sua esposa, interpretando a origem de tais desejos como uma ‘possessão’ maligna que lhe faz perder o controle sobre os próprios desejos.

Também tributário da poética decadente, o texto selecionado para esta antologia nunca foi editado pelo autor em um livro. Trata-se do conto Os olhos, publicado em 1898, na Revista Brasileira, coordenada por José Veríssimo. É uma narrativa em primeira pessoa na qual a personagem principal expressa suas emoções após o enterro de uma pessoa querida. Ao dirigir-se a uma praia e contemplar o mar, o protagonista depara-se com um universo sobrenatural de trevas e seres aterrorizantes.”

Leia aqui o conto completo.

(*) Esse conto faz parte da coletânea Páginas Perversas: narrativas brasileiras esquecidas, organizada por Maria Cristina Batalha, Júlio França e Daniel Augusto P. Silva. Adquira o livro aqui.


Volúpias da estesia: a prosa de ficção decadente de Raul de Polillo (Julio França e Daniel Augusto P. Silva)

Resultado de imagem para kyrmah sereia“Este artigo tem por objetivo investigar as relações entre gosto estético sofisticado e crueldade sexual na prosa de ficção decadente de Raul de Polillo (1898−1979), autor desconhecido do público leitor e praticamente ignorado pelos estudos literários brasileiros. A partir da análise de seus dois romances, Dança do fogo: o Homem que não queria ser Deus (1922), e Kyrmah: Sereia do vício moderno (1924), propõe-se analisar como a combinação entre fruição estética e sadismo gera horror como efeito de recepção.”

Leia o ensaio completo aqui.

 

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.