Arquivo da tag: Literatura Brasileira

Rubem Fonseca: a representação da violência e das relações de poder enquanto agressão ao leitor no conto “O Cobrador” (Antonio Guizzo)

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“Em  linguagem concisa, contundente e perturbadora, a literatura de Rubem Fonseca procura revelar, nos menores detalhes, a violência, as diferenças econômicas, erotismo e as relações de poder surgidas nas grandes metrópoles. Nesta perspectiva, este artigo pretende analisar o conto “O cobrador”, no qual a voz do elemento marginalizado exibirá, por meio da violência, as falhas da sociedade moderna e conduzirá o leitor à incomoda reflexão sobre seus princípios, valores e leis, ora pela empatia, ora pela aversão ao indivíduo transgressor e seu discurso.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Terra Roxa e outras terras, v.21. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

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O fascínio do crime: João do Rio e as raízes da Literatura Policial no Brasil (Júlio França e Pedro Sasse)

Imagem relacionada“Levando em conta a escassez de personagens detetivescas heroicas em narrativas literárias brasileiras, o artigo “O Fascínio do Crime: João do Rio e as Raízes da Literatura Policial no Brasil”, de Julio França e Pedro Sasse, adota a  categoria crítica Ficção de Crime, de John Scaggs, para demonstrar que as narrativas de thriller criminais possuem raízes profundas em nossa literatura e toma a produção literária de João do Rio como exemplo pioneiro dessa tendência. Além disso, sustenta que o Suspense Criminal, categoria crítica baseada no conceito de crime novel, de Julian Symons, é a principal forma da Ficção de Crime no Brasil. Nessas produções, o protagonismo não é dado nem ao detetive, nem ao desvelamento do enigma, mas ao criminoso em si, aos atos que este comete e aos motivos que o levaram a tal. Ao considerar os folhetins e as crônicas de crime no Brasil na segunda metade do século XIX e no início do século XX como predecessores do Suspense Criminal entre nós, os autores elegem João do Rio como um dos primeiros nomes a inaugurar essa vertente em sua forma plena com o foco nos crimes e nas atrocidades a que está submetido o homem urbano.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro Configurações da Narrativa Policial. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


O Gótico feminino na Literatura Brasileira: um estudo de Ânsia Eterna, de Júlia Lopes de Almeida (Ana Paula Santos)

Resultado de imagem para JULIA LOPES DE ALMEIDA“Desde a sua origem na Inglaterra do século XVIII, a ficção gótica contou com uma significativa contribuição de escritoras. Da relação entre o Gótico e a escrita feminina originou-se uma tradição ficcional que Ellen Moers (1976) nomeou de “Gótico feminino”. A adoção de uma perspectiva aliada aos interesses da mulher trouxe para o Gótico horrores específicos: os segredos domésticos; os abusos físicos e/ou psicológicos; e o cotidiano dominado por figuras patriarcais opressoras. Propõe-se, nesta dissertação, em primeiro lugar, descrever as principais características das obras do Gótico feminino, tendo por base teórica os estudos empreendidos por David Punter (1996) e Fred Botting (1996), bem como as proposições de Anne Williams (1995) a respeito dos enredos e das principais temáticas dessa tradição. Buscamos ainda demonstrar que esta linhagem do Gótico ofereceu às escritoras brasileiras do século XIX recursos para retratarem a difícil condição da mulher na sociedade. Para tal, empreendemos uma análise da obra da escritora carioca Júlia Lopes de Almeida, cujo livro de contos Ânsia Eterna (1903) apresenta amplas consonâncias com a tradição feminina da literatura gótica.”

Leia a dissertação completa aqui.


Dentro da Noute: Contos Góticos

Dentro-da-Noute-CapaO Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico tem a honra de divulgar o lançamento da antologia Dentro da Noute: Contos Góticos, editada pelo Projecto Adamastor e organizada por Ricardo Lourenço. Com um total de vinte e sete textos, treze de autores portugueses, como Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco, e quatorze de autores brasileiros, como Machado de Assis e Inglês de Sousa, Dentro da Noute pretende exibir uma amostra das manifestações da poética gótica nas letras luso-brasileiras.

Dentro da Noute está disponível gratuitamente em formato EPUB e MOBI. Tenha acesso aos links para download aqui.


As ruínas da homossexualidade: o gótico em “Bom-Crioulo”, de Adolfo Caminha (Leonardo Mendes)

Unknown“As relações entre o gótico e a homossexualidade têm sido estreitas desde o aparecimento do que a crítica considera as primeiras manifestações literárias do gênero, todas obras de escritores ingleses: The Castle of Otranto (1764), de Horace Walpole, Vatheck (1786), de William Beckford, e The Monk (1796), de Matthew Gregory Lewis. No caso das primeiras incursões literárias por cenários góticos de decadência e mistério, a homossexualidade aparece mais claramente como aspectos das vidas desses autores do que como conteúdos tematizados em suas obras. Em 1785 Beckford foi exilado da Inglaterra em virtude de suas relações com um homem mais jovem. Entre as várias indicações de que Matthew Lewis fosse homossexual, destaca-se a de seu amigo Byron, que atribuiu ao autor de The Monk o gosto de ter homens como amantes. Quanto a Walpole, seu arquivista Wilmarth Lewis limitou-se a declarar sua ignorância sobre qualquer documento que comprovasse predileções homossexuais patentes no comportamento do escritor inglês.

Ainda que aparentemente só biográficas, as relações entre os autores dos primeiros romances góticos e a homossexualidade devem nos alertar. Talvez exista um intercâmbio intelectual entre o apreço por ambientes de ruínas e mistérios e a articulação de sexualidades problemáticas em sentido amplo.”

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Cuidado! Cão feroz: os elementos fóbicos em “O cão de Baskerville”, de Sir Arthur Conan Doyle, e “O Cachorro dos Mortos”, de Leandro Gomes de Barros (Alexander Meireles da Silva e Bruno Silva de Oliveira)

The_Hound_of_Baskerville_by_martinorona“Nenhuma temática é própria e exclusiva de nenhum autor ou de um movimento literário, um tema trabalhado no Romantismo no século XVIII pode ser utilizado por um escritor do Simbolismo no início do século XX. Essa retoma de assuntos narrativos não se aplica apenas a um distanciamento temporal, mas espacial também como pode ser percebido no romance O cão dos Baskerville (1902), do inglês Arthur Conan Doyle e no cordel O cachorro dos mortos (1919), do brasileiro Leandro Gomes de Barros. Observa-se pontos de convergência referente a alguns elementos diegéticos das duas obras, tais como o medo da figura do cachorro e a presença do sobrenatural.

[…]

Colocando de lado o enquadramento temporal, o objetivo deste trabalho é destacar e analisar os elementos narrativos que constituem e trabalham para a implementação da áurea fóbica no espaço e do medo nos personagens.”

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O profano, o maldito e o marginal: o conto fantástico na literatura brasileira (Karla Menezes Lopes Niels)

52426f167c9e969d3a63d037aa2708d2“Os contos de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, têm sido considerados como aqueles que inauguram uma produção de cunho fantástico no Brasil que se deu à margem do cânone. A publicação dos contos, em 1855, ensejou uma série de narrativas que foram igualmente consideradas como fantásticas e que na impossibilidade de se circunscrever em determinada escola ou corrente literária foram deixadas de lado. É o caso, por exemplo, d’ A trindade maldita: contos de botequim, de Franklin Távora e dos contos ‘As ruínas da Glória‘, ‘A guarida de pedra’ e ‘As bruxas‘, de Fagundes Varela – obras que esteticamente se afastaram do projeto nacionalista iniciado pelo Romantismo e levado a cabo pelas escolas posteriores. O artigo então se propõe a esclarecer como e por que grande parte da produção fantástica do Brasil ficou esquecida até a segunda metade do século XX, quando do surgimento das primeiras antologias de contos fantásticos que resgataram essa vertente marginalizada da literatura brasileira.”

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