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Dentro da Noute: Contos Góticos

Dentro-da-Noute-CapaO Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico tem a honra de divulgar o lançamento da antologia Dentro da Noute: Contos Góticos, editada pelo Projecto Adamastor e organizada por Ricardo Lourenço. Com um total de vinte e sete textos, treze de autores portugueses, como Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco, e quatorze de autores brasileiros, como Machado de Assis e Inglês de Sousa, Dentro da Noute pretende exibir uma amostra das manifestações da poética gótica nas letras luso-brasileiras.

Dentro da Noute está disponível gratuitamente em formato EPUB e MOBI. Tenha acesso aos links para download aqui.


As ruínas da homossexualidade: o gótico em “Bom-Crioulo”, de Adolfo Caminha (Leonardo Mendes)

Unknown“As relações entre o gótico e a homossexualidade têm sido estreitas desde o aparecimento do que a crítica considera as primeiras manifestações literárias do gênero, todas obras de escritores ingleses: The Castle of Otranto (1764), de Horace Walpole, Vatheck (1786), de William Beckford, e The Monk (1796), de Matthew Gregory Lewis. No caso das primeiras incursões literárias por cenários góticos de decadência e mistério, a homossexualidade aparece mais claramente como aspectos das vidas desses autores do que como conteúdos tematizados em suas obras. Em 1785 Beckford foi exilado da Inglaterra em virtude de suas relações com um homem mais jovem. Entre as várias indicações de que Matthew Lewis fosse homossexual, destaca-se a de seu amigo Byron, que atribuiu ao autor de The Monk o gosto de ter homens como amantes. Quanto a Walpole, seu arquivista Wilmarth Lewis limitou-se a declarar sua ignorância sobre qualquer documento que comprovasse predileções homossexuais patentes no comportamento do escritor inglês.

Ainda que aparentemente só biográficas, as relações entre os autores dos primeiros romances góticos e a homossexualidade devem nos alertar. Talvez exista um intercâmbio intelectual entre o apreço por ambientes de ruínas e mistérios e a articulação de sexualidades problemáticas em sentido amplo.”

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Cuidado! Cão feroz: os elementos fóbicos em “O cão de Baskerville”, de Sir Arthur Conan Doyle, e “O Cachorro dos Mortos”, de Leandro Gomes de Barros (Alexander Meireles da Silva e Bruno Silva de Oliveira)

The_Hound_of_Baskerville_by_martinorona“Nenhuma temática é própria e exclusiva de nenhum autor ou de um movimento literário, um tema trabalhado no Romantismo no século XVIII pode ser utilizado por um escritor do Simbolismo no início do século XX. Essa retoma de assuntos narrativos não se aplica apenas a um distanciamento temporal, mas espacial também como pode ser percebido no romance O cão dos Baskerville (1902), do inglês Arthur Conan Doyle e no cordel O cachorro dos mortos (1919), do brasileiro Leandro Gomes de Barros. Observa-se pontos de convergência referente a alguns elementos diegéticos das duas obras, tais como o medo da figura do cachorro e a presença do sobrenatural.

[…]

Colocando de lado o enquadramento temporal, o objetivo deste trabalho é destacar e analisar os elementos narrativos que constituem e trabalham para a implementação da áurea fóbica no espaço e do medo nos personagens.”

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O profano, o maldito e o marginal: o conto fantástico na literatura brasileira (Karla Menezes Lopes Niels)

52426f167c9e969d3a63d037aa2708d2“Os contos de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo, têm sido considerados como aqueles que inauguram uma produção de cunho fantástico no Brasil que se deu à margem do cânone. A publicação dos contos, em 1855, ensejou uma série de narrativas que foram igualmente consideradas como fantásticas e que na impossibilidade de se circunscrever em determinada escola ou corrente literária foram deixadas de lado. É o caso, por exemplo, d’ A trindade maldita: contos de botequim, de Franklin Távora e dos contos ‘As ruínas da Glória‘, ‘A guarida de pedra’ e ‘As bruxas‘, de Fagundes Varela – obras que esteticamente se afastaram do projeto nacionalista iniciado pelo Romantismo e levado a cabo pelas escolas posteriores. O artigo então se propõe a esclarecer como e por que grande parte da produção fantástica do Brasil ficou esquecida até a segunda metade do século XX, quando do surgimento das primeiras antologias de contos fantásticos que resgataram essa vertente marginalizada da literatura brasileira.”

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Do Naturalismo ao Gótico: as três versões de “Demônios”, de Aluísio Azevedo (Julio França e Marina Sena)

“O presente artigo tem por objetivo refletir sobre a influência da estética gótica na poética naturalista do escritor Aluísio Azevedo. Para tanto, propomos uma leitura de seu conto ‘Demônios‘, uma narrativa de cunho fantástico em que diversos elementos grotescos e mórbidos contribuem para a produção do horror como efeito de recepção. O conto de Azevedo possui três versões: uma em folhetim e duas em livro. A primeira vDEMONIOSersão foi publicada sob o formato de folhetim no periódico Folha Nova durante o mês de janeiro de 1891; a segunda faz parte da coletânea de contos Demônios, de 1893, organizada pelo próprio autor e publicada pela editora Teixeira Irmãos; e a terceira integra o volume Pegadas, de 1898, organizado e publicado pela editora Garnier. As duas últimas versões da narrativa são significantemente mais curtas do que o folhetim: a segunda difere da primeira por conta da exclusão de um longo episódio de cunho moralizante, e na terceira edição há modificações ainda mais significativas, pois Aluísio Azevedo retirou diversas passagens, sobretudo os trechos com teor sexual explícito e as descrições mais repulsivas. Pretende-se mostrar como essas mudanças, longe de eliminar o caráter gótico da narrativa de Azevedo, afastam-no ainda mais da fatura naturalista.”

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Do castelo à casa-grande: o “Gótico brasileiro”, em Gilberto Freyre (Fernando Monteiro de Barros)

3405326726_ed56dea81b“A partir da topografia do romance gótico inglês, expressa no castelo mal-assombrado, estabelecemos uma teoria do que seria possivelmente um “Gótico brasileiro”, evidenciado no elemento topográfico da casa-grande segundo o constructo que dela faz o sociólogo pernambucano Gilberto Freyre em Casa-grande & senzala, no qual encontramos fortes traços de literariedade. As recentes teorias acerca do Gótico sulista norte-americano, que estabelecem a herança escravocrata como seu principal elemento, contribuem para nossa tese sobre a casa-grande em Freyre, que, fantasmática e alegórica, afigura-se como verdadeiro espaço paratópico, em que o real da investigação sociológica mescla-se ao irreal do imaginário literário.”

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Percepções da história e da crítica literárias acerca dos desdobramentos do Gótico na literatura brasileira do século XIX e o despontar do século XX (Maurício César Menon)

“Nas últimas décadas parece estar surgindo um interesse maior em torno do estudo da literatura gótica e de seus desmembramentos, como a literatura de terror e a de horror, bem como da forma como se manifestaram em terra brasileira. Este artigo pretende traçar um breve mapeamento sobre as percepções de alguns dos principais historiadores e críticos literários sobre tais manifestações na literatura brasileigothic-1920-1080-wallpaperra. Seja no silêncio a respeito do assunto, seja nos comentários muitas vezes econômicos, as ideias desses estudiosos se revelam e fornecem pistas sobre autores e obras que incorporaram elementos do Gótico europeu e de seus derivados, revelando possíveis caminhos para pesquisas que busquem aprofundar a matéria, bem como revelar seu perfil. Selecionou-se um recorte de tempo, para este estudo, que prioriza o século XIX, pelo fato de a tradição crítica e canônica brasileira não aasileirpontar muito para essa época, quando se trata do tema aqui estudado. Neste estudo, busca-se também elencar, ao longo do texto, uma série de obras, algumas das quais foram relegadas a um segundo plano ou que sequer estiveram em evidência em nossa história literária. Não se pretende aqui trazer respostas dirigidas a estudiosos dessas espécies de narrativa, mas sim contribuir, mesmo que parcialmente, com possíveis estudos sobre formação do cânone nacional.”

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