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Literatura nas sombras: usos do horror na ficção brasileira do século XIX (Lainister de Oliveira Esteves)

40 Best 3D Fantasy Places HD Wallpapers 1920x1080“O objetivo deste trabalho é analisar o horror na ficção brasileira do século XIX. Para identificar as diferentes formas de imaginação literária do horror presentes na literatura do período são analisadas obras publicadas em livros, jornais de grande circulação e periódicos acadêmicos. Para os propósitos aqui expressos, o horror não configura um gênero específico, é, primordialmente, um dispositivo que permite organizar textos diversos nos quais ele está presente e dos quais faz emanar determinado efeito. A investigação inicialmente toma como objeto a literatura gótica surgida na Europa do século XVIII: a transformação por ela efetuada nos hábitos de leitura e o lugar central que ocupa no debate estético romântico. A análise desse fenômeno permite estabelecer paralelos com a produção literária brasileira e entender de que forma a consagração do paradigma crítico realista levou o horror à condição de vertente literária desviante quando considerados os cânones literários brasileiros.”

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Um sussuro nas trevas; uma revisão da recepção crítica e literária de “Noite na taverna”, de Álvares de Azevedo (Jefferson Donizeti de Oliveira)

“Este trabalho objetiva uma revisão da recepção crítica e literária de Noite na taverna, de Álvares de Azevedo. Com sua Noite na taverna, esse poeta romântico criou uma peça singular em nossas letras, que goz1300x734_2467_The_inn_2d_horror_architecture_fantasy_picture_image_digital_artou de grande popularidade desde então. Busco, a partir disso, elencar e comentar os mais relevantes estudos críticos sobre a obra, além de relacionar uma série de ‘emulações’ da novela, produzidas sob sua inspiração e dividindo com ela o mesmo clima macabro e de espírito de grupo. Cumpre lembrar que, apesar do seu ‘sucesso’ literário, Noite na taverna não foi suficiente para criar entre nós uma tradição de literatura fantástica. Cabe ainda, ao apontar influxos (ainda que indiretos) da literatura de horror no romantismo brasileiro, apresentar uma reflexão sobre os motivos góticos no projeto estético de Álvares de Azevedo.”

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Assombramento (Afonso Arinos)

“(…) Súbito, uma luz indecisa, coada por alguma janela próxima, fê-lo vislumbrar um vulto branco, esguio, semelhante a uma grande serpente, coleando, sacudindo-se. O vento trazia vozes estranhas das socavsnapshot_00-40-00_2011-02-11_12-30-35as da terra, misturando-se com os lamentos do sino, mais acentuados agora.

Manuel estacou, com as fontes latejando, a goela constrita e a respiração curta. A boca semi-aberta deixou cair a faca: o fôlego, a modo de um sedenho, penetrou-lhe na garganta seca, sarjando-a e o arneiro roncou como um barrão acuado pela cachorrada. Correu a mão pelo assoalho e agarrou a faca; meteu-a de novo entre os dentes, que rangeram no ferro; engatilhou a garrucha e apontou para o monstro; uma pancada seca do cão no aço do ouvido mostrou-lhe que sua arma fiel o traía. A escorva caíra pelo chão e a garrucha negou fogo. O arneiro arrojou contra o monstro a arma traidora e gaguejou em meia risada de louco:

– Mandingueiros do inferno! Botaram mandinga na minha arma de fiança! Tiveram medo dos dentes da minha garrucha! Mas vocês hão de conhecer homem, sombrações do demônio! (…)

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Figurações do gótico e de seus desmembramentos na literatura brasileira de 1843 a 1932 (Maurício Cesar Menon)

“O romance gótico surgiu na Europa em meados do século XVIII. No início do século XIX, a literatura gótica desmembrou-se na Literatura de Terror/Horror, na Literatura de Mistério/Suspense, nas Histórias de Fantasmas, no Conto Policial e, até mesmo, nas Narrativas de Ficção Científica. Todas essas categorias evoluíram e encontraram no século XX um fértil terreno para sua propagação, fazendo parte, até os dias de hoje, de todo um corpus literário que possui grande aceitação. É comum encontrar estudos estrangeiros sobre esse assunto, devido à forte tradição que alguns países mantiveram no gênero. No Brasil, todavia, são poucos o3d-abstract_other_gothic-forest_36295s estudos levantados em favor da questão, embora nos últimos anos eles tenham surgido de maneira mais efetiva. Permanece essa constatação e sobra um questionamento: não teria o Brasil caminhado pelos domínios do terror/horror, do assombroso, do mistério e do suspense? A historiografia literária, a crítica e estudos à parte fornecem algumas pistas a respeito, no entanto, na maioria das vezes, não tratam do assunto com grande empenho. Tornou-se lugar-comum, dessa forma, afirmar que os escritores brasileiros pouco se aventuraram, principalmente no século XIX, em compor histórias de teor sombrio ou macabro. Esta tese, portanto, tem como objetivo primordial trazer à luz ou à discussão textos, reconhecidamente canônicos ou não, nos quais se nota maior ou menor ligação com o gótico ou com seus descendentes. Para isso, escolheu-se trabalhar com algumas figuras que integram as temáticas do gênero, mostrando de que forma elas aparecem em textos brasileiros. Sendo assim, trata-se de um trabalho de cunho antológico cujo objetivo é proporcionar ao leitor uma visita a textos mais desconhecidos da maioria, muitas vezes tidos como marginais ou periféricos, como também direcionar alguns olhares a textos já conhecidos. Espera-se, dessa forma, trazer contribuição para os estudos já existentes como também para eventuais estudos posteriores, ajudando a resgatar, assim, uma parcela, mesmo que pequena, da memória literária nacional que insiste em permanecer na sombra.”

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O satanás de Iglawaburg (Adelpho Monjardim)

lucifer-rising“(…) Confesso, que sem ser medroso, naquela noite tive medo do diabo, ente que eu cria só para assustar crianças. Em tropel galgamos, os quatro, a escadaria de pedra que dava acesso ao último compartimento do torreão. O quarto estava aberto e fracamente iluminado por um lampião de querosene, colocado sobre uns caixotes. Reinava grande desordem naquele depósito de velharia impres­táveis. A janela estava aberta. Entramos no aposento. De Radeck nem sinal. Deparei com a tela de Satanás. Diante da realidade era bem apagada a descrição feita por Nicoláo. O Satanás que ali estava era o verdadeiro rei do Averno com toda a sua hediondez; meio corpo nu, ligeiramente encurvado, mãos crispadas e garras aduncas. E que olhar temeroso! Olhei para Nicoláo. Mortalmente páli­do, o seu corpo tremia. – Radeck! Radeck! Como louco se pôs a gritar. (…)”

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Os olhos que comiam carne (Humberto de Campos)

“(…) De pé, os olhos escancarados, a boca aberta e muda, os braços levantados numa atitude de pavor, e de pasmo, Paulo Fernando corre na direção da porta, que adivinha mais do que vê, e abre-a. E o que xerxes_break__s_eye_by_bloody_aliice-d46a00xenxerga, na multidão de médicos e amigos que o aguardam lá fora, é um turbilhão de espectros, de esqueletos que marcham e agitam os dentes, como se tivessem aberto um ossário cujos mortos quisessem sair. Solta um grito e recua. Recua, lento, de costas, o espanto estampado na face. Os esqueletos marcham para ele, tentando segurá-lo. (…)”

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Um prego! Mais outro prego!… (Adelino Magalhães)

imagem09“(…) Oh! a mesma cidade que ele veria semanas depois, num mortal aspecto de devastação, maltrapilhada na sujeira de secas folhas, de panos, de restos orgânicos, relaxadamente descosidos no silêncio de suas ruas, mal percorridas por um ou outro veículo, não raro com uma serventia fúnebre, a apavorar os poucos transeuntes macilentos e preocupados que passavam como sombras!…

E se o vento levantava uma nuvem de pó, levavam os sombrios andantes rapidamente, estertorosamente, o lenço ao nariz como que procurando se resguardar, desvairadamente, do furacão da peste!…

Eles, sombras no meio da Sombra daquele pesadelo – sombras de medo, numa tétrica insegurança, numa tétrica desconfiança de cada passo que davam…”

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