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A Confissão do Moribundo (Lindorf França)

lastprayer“Lindorf França nasceu em São Paulo em 1836 e morreu, no Rio de Janeiro, aos 22 anos de idade. Durante sua curta vida, foi estudante, poeta, instrutor de latim e de francês para crianças e ainda trabalhou como funcionário da Secretaria de Polícia Fluminense. Participou também da comissão editorial do jornal Arcádia Paulistana, voltado para o mundo acadêmico de São Paulo, no qual exerceu a função de vice-presidente.

Em virtude de seu falecimento prematuro, sua produção artística foi bastante exígua. Publicou alguns poemas de cunho romântico em periódicos como O GuayanáRevista do AteneuCamélia. Postumamente, seus textos poéticos foram editados no volume Sempre-vivas (1863). As poucas referências críticas existentes sobre Lindorf dizem respeito à relação de proximidade estética que estabeleceu com a obra de Álvares de Azevedo. Tal aproximação se deve, além da semelhança artística, a um ensaio intitulado Duas Palavras sobre Manuel Antônio Álvares de Azevedo, no qual o jovem autor faz comentários bastante elogiosos e entusiasmados sobre a obra do poeta paulista. Hélder Garmes (1993, p. 166) aponta que Lindorf França foi um dos primeiros a comentar academicamente a obra de Álvares, por quem nutrira ‘verdadeira admiração d[e] discípulo’.

A confissão do moribundo foi publicado em 1856, em três números subsequentes do jornal O Guayaná. A narrativa se desenvolve a partir do relato de um velho, nos seus minutos finais de vida, que decide contar a um padre os eventos responsáveis por sua desgraça. As histórias narradas são marcadas tanto pela sensibilidade exaltada do protagonista quanto pelos diversos crimes que cometera. As transgressões, perversões e crueldades perpetradas pelo protagonista, motivadas por paixões não correspondidas e por ciúmes que nutre por distintas mulheres, são os elementos que aproximam a narrativa de Lindorf de Noite na taverna (1855).”

Leia aqui o conto completo.

(*) Esse conto faz parte da coletânea Páginas Perversas: narrativas brasileiras esquecidas, organizada por Maria Cristina Batalha, Júlio França e Daniel Augusto P. Silva. Adquira o livro aqui.