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A peste (João do Rio)

“(…) Então veio-me um louco desejo de chorar, um desejo desvairado. Fiz um vagoPeste-Negra-2 gesto. O funcionário abriu-me a porta e eu saí tropeçando, desci o morro a correr quase, entre os empregados num vaivém constante e as macas que subiam com as podridões. Um delírio tomava-me. As plantas, as flores dos canteiros, o barro das encostas, as grades de ferro do portão, os homens, as roupas, a rua suja, o recanto do mar escamoso, as árvores, pareciam atacados daquele horror de sangue maculado e de gangrena. Parei. Encarei o sol, e o próprio sol, na apoteoso de luz, pareceu-me gangrenado e pútrido. Deus do céu! Eu tinha febre. Corri mais, corri daquela casa, daquele laboratório de horror em que o africano deus selvagem da Bexiga, Obaluaiê, escancarava a face deglutindo pus. E atirei-me ao bonde, tremendo, tremendo, tremendo…”

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A alma encantadora das ruas (João do Rio)

“Oh! sim, as ruas têm alma! Há ruas honestas, ruas ambíguas, ruas sinistras, ruas nobres, deMG_1377licadas, trágicas, depravadas, puras, infames, ruas sem história, ruas tão velhas que bastam para contar a evolução de uma cidade inteira, ruas guerreiras, revoltosas, medrosas, spleenéticassnobs, ruas aristocráticas, ruas amorosas, ruas covardes, que ficam sem pinga de sangue…”

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Há perigo na esquina: ficção e realidade nos espaços do medo de João do Rio (Pedro Sasse)

“Na literatura do medo, a ambientação é fundamental para a produção de seus efeitos estéticos. Esse trabalho pretende des­crever os espaços do medo no Rio de Janeiro do início do século XX, a partir de duas victorian-man-with-top-hat-on-a-cobbled-street-at-night-lee-avisonobras de João do Rio: Dentro da noite, uma coletânea de contos sobre os terrores e deturpações da ci­dade, abordando temas como tortura, suicídios e deformações; e A alma encantadora das ruas, uma coletânea de crônicas sobre o lado menos glamoroso da Belle Époque carioca, veremos a visão social e histórica do autor sobre os mesmos temas. Através de uma leitura comparativa, visa-se demonstrar como, na litera­tura de medo urbano, as fronteiras entre os espaços ficcionais e os espaços reais são difusas, e como essa característica contribui para a produção do medo como efeito de recepção.”

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O Grotesco: um corpo estranho na literatura do medo no Brasil (Raphael Camara)

“O ensaio visa refletir sobre a categoria estética do Grotesco e suas implicações na literatura dthe_grotesque_by_muirin007-d3c48jdo medo brasileira, a partir dos estudos de Wolfgang Kayser, Mikhail Bakhtin e Geoffrey Galt Harpham. Meu objetivo específico é pensar, em caráter inicial, sobre as relações que podem ser estabelecidas entre essa categoria estética e a literatura do medo no Brasil, analisando assim os diversos modos de produção do efeito grotesco, causado especialmente por personagens monstruosas. Como corpus de análise, serão utilizadas narrativas brasileiras, publicadas entre o fim do século XIX e início do século XX, dos autores Inglês de Sousa, João do Rio e Monteiro Lobato.”

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“A alma encantadora das ruas” e “Dentro da noite”: João do Rio e o medo urbano na literatura brasileira (Julio França)

cropped-niebla“(…) Quando não é personificado e transformado na própria personagem monstruosa ­­ – casos, por exemplo, da mansão Crane em The Haunting of Hill House (1959), de Shirley Jackson, e do Hotel Overlook, em The Shinning (1977), de Stephen King, dois romances já clássicos do gênero –, o espaço narrativo é sempre responsável direto por conferir à personagem monstruosa grande parte de seu poder de provocar o medo e outras emoções correlatas. Mais do que um simples elemento constitutivo do texto narrativo, o espaço, na literatura do medo, pode se transformar em um topos literário, como ocorre nos inúmeros contos que tematizam locais mal-assombrados. (…)”

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O mal e a cidade: o “medo urbano” em “Dentro da Noite”, de João do Rio (Julio França e Pedro Sasse)

711e8455703238623ab0e6ab11bcfc1f_large“Através da leitura de alguns contos do livro Dentro da noite, de João do Rio,  o ensaio descreve dois aspectos da literatura do medo no Brasil: (i) o caráter não sobrenatural das fontes do medo artístico no Brasil e (ii) a ascensão do espaço urbano como o ambiente privilegiado para as manifestações do mal moderno em narrativas ficcionais brasileiras.”

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Um monstro entre nós: a ascensão da literatura gótica no Brasil da Belle Époque (Alexander Meireles da Silva)

“Diferente do que pode ser observado na Literatura Norte-Americana, a Literatura Gótica no Brasil apareceu durante o Ultra-Romantismo, através de Álvares de Azevedo e o seu Noite na taverna (1855), mas 818-la-belle-epoquenão criou raízes devido a diferentes razões. No entanto, semelhante às criaturas que habitam a sua narrativa, a Literatura Gótica ressurgiu das trevas no Brasil do início do século vinte para mais uma vez assombrar a cena literária brasileira. Esse ressurgimento ocorreu durante o período histórico conhecido como a República Velha (1889-1930) e, mais especificamente, na época da Belle Époque carioca (1889-1918), quando a ciência e o progresso mudaram a face do Rio de Janeiro. Ao lançar luzes sobre esse obscuro e pouco explorado momento da Literatura Brasileira este trabalho busca contribuir para o entendimento do desenvolvimento do Fantástico e do próprio romance em nosso meio. Para realizar este propósito este artigo pretende demonstrar como os escritores Coelho Neto e João do Rio desempenharam um papel chave no desenvolvimento da Literatura Gótica brasileira pelo diálogo que suas obras apresentaram com as convenções literárias da Literatura Gótica Britânica e Norte-Americana.”

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