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A quadrilha de Jacó Patacho (Inglês de Sousa)

“(…) Neste ponto de suas reminiscências, a Anica foi assaltada por uma ideia medonha imagesque lhe fez correr um frio glacial pela espinha dorsal, ressecou-lhe a garganta e inundou-lhe de suor a fronte. Saraiva! Mas era este o nome do famigerado tenente de Jacó Patacho, cuja reputação de malvadez chegara aos recônditos sertões do Amazonas, e cuja atroz e brutal lascívia excedia em horror aos cruéis tormentos que o chefe da quadrilha infligia às suas vítimas. Seria aquele tapuio de cara bexigosa e ar pacífico o mesmo salteador da baía do Sol e das águas do Amazonas, o bárbaro violador de virgens indefesas, o bandido, cujo nome mal se pronunciava nos serões das famílias pobres e honradas, tal o medo que incutia? Seria aquele homem de maneiras sossegadas e corteses, de falar arrastado e humilde, o herói dos estupros e dos incêndios a fera em cujo coração de bronze jamais pudera germinar o sentimento da piedade? (…)”

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Sob o estigma da bruxa: o medo e o sobrenatural em “A Feiticeira”, de Inglês de Sousa (Raphael da Silva Camara)

Witches'Familiars1579“(…) A bruxa esteve no imaginário ocidental durante um longo período de tempo, como uma figura monstruosa e profana, ligada a rituais mágicos e ao demônio. Entre os séculos XIV e XVII, o Ocidente sofria com as guerras, a violência, a escassez de alimentos e principalmente com a peste negra, tornando-se angustiada, impotente e enferma. Tais atrocidades, no pensamento do homem medieval e da religião, eram provocadas pela ira divina, buscando punir a humanidade por seus pecados. Logo, era necessário apontar e penitenciar os agentes de satã, verdadeiros culpados que comprometiam a segurança da comunidade, para que a mesma não viesse a sofrer novamente.(…)”

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A feiticeira (Inglês de Sousa)

Screen Shot 2015-04-02 at 9.06.34 PM“A Mucoim, vendo o efeito daquelas palavras mágicas, soltou urros de fera e atirou-se contra o tenente, procurando arrancar-lhe os olhos com as aguçadas unhas. O moço agarrou-a pelos raros e amarelados cabelos e lançou-a contra o esteio central. Depois fugiu, sim, fugiu, espavorido, aterrado. Ao transpor o limiar, um grito o obrigou a voltar cabeça. A Maria Mucoim, deitada com os peitos no chão e a cabeça erguida, cavava a terra com as unhas, arregaçava os lábios roxos e delgados, e fitava no rapaz aquele olhar sem luz, aquele olhar que parecia querer traspassar-lhe o coração.”

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Um convite ao excesso: monstruosidade e perversão em “O Baile do Judeu”, de Inglês de Sousa (Raphael Camara)

“(…) Talvez o ambiente que melhor se encaixe nesta descrição seja a Amazônia.baile-campos-eliseos_1865 Suas terras inexploradas, tribos exóticas, animais ferozes, enfermidades desconhecidas e obstáculos terríveis que a própria natureza proporciona são fonte de mistério e maravilhamento, abrindo um amplo leque de possibilidades a serem exploradas pelos ficcionistas. De fato, boa parte dos seres fantásticos e mitos populares de nossa cultura parecem encontrar moradia exatamente nas regiões que abrangem a Amazônia, tornando-a local ideal para inúmeras narrativas que possuam o sobrenatural como tema. (…)”

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O Baile do Judeu (Inglês de Sousa)

“(…) As risadas e exclamações ruidosas dos convidados, o tropel dos novos espectadores, que chegavam em chusma do interior da casa e da rua, acotovelando-se para ver por sobre a cabeça dos outros; sonatCozy-Classics-English-Country-Dancingas discordantes do violão, da rabeca e da flauta e, sobretudo, os grunhidos sinistramente burlescos do sujeito de chapéu desabado, abafavam os gemidos surdos da esposa de Bento de Arruda, que começava a desfalecer de cansaço e parecia já não experimentar prazer algum naquela dança desenfreada que alegrava tanta gente. (…) “

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