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Morfina (Humberto de Campos)

“(…) – A esposa, agora entregue a si mesma, continuava a tomar morfina, absorvendo doses espantosas. Uma tarde, achando-se em casa, encheu a seringa, e meteu a agulha na parte anterior dapicture of lady on bed with tb_fixed_thumb[2] coxa. Apertou o sifão. O líquido desapareceu da agulha. No mesmo instante, porém, a pobre rapariga soltou um grito. Uma nódoa vermelha surgira-lhe diante dos olhos. E essa nódoa se transformou em chamas, em labaredas enormes, que a envolviam como se a tivessem precipitado numa fogueira. Um calor intenso, infernal, subia-lhe pelo corpo todo, e tudo era vermelho, tudo era fogo ante os seus olhos horrivelmente abertos. As mãos na cabeça, o pavor estampado na face, a infeliz gritou para a criada, que lhe fazia companhia: “Chamem meu marido, que eu estou morrendo!”. (…)”

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Ecos da Pulp era no Brasil: “O monstro e outros contos”, de Humberto de Campos (Ana Carolina de Souza Queiroz)

“(…) O aspecto fluido da narrativa pode logo ser percebido. O modo como o narrador não ambiesqueletos-modelos-99enta o leitor de forma alguma, em relação ao espaço, época ou tempo, também é um traço típico nas histórias Pulp. O início tem como função fornecer apenas uma breve introdução: mostrar o personagem e quem ele é, para depois desenrolar um dramático evento na vida do mesmo. A rapidez da narrativa tem esse como um dos fatores de origem: perante os outros aspectos da história, como o terror e o drama dos acontecimentos, não muito importa os pensamentos dos personagens ou quando se dá o desenrolar dos fatos. O mais importante não é descrever de modo intenso e extenso o caráter psicológico ou físico das pessoas, tampouco o lugar ou o mundo onde eles vivem. (…)”

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O insólito em “Contos Amazônicos”: Inglês de Sousa sob a perspectiva da Literatura do Medo (Raphael Camara)

“Inglês de Souza utilizou, em Contos Amazônicos, mitos e lendas que povoam o imaginário do interiorano dessa região. Os elementos sobrenaturais e a emoção do medo são presenças marcantes em alguns cbird_skeleton_by_xmalawixheartx-d51w1v9ontos da obra, muito embora ela tenha sido considerada pela crítica literária, ao longo dos anos, como pertencente ao Naturalismo, estilo de época que se apresenta como evolucionista, racional e empenhado em representar a realidade tal como ela é. O presente artigo busca realizar uma leitura da obra citada sob o viés da ‘Literatura do Medo’, utilizando como arcabouço teórico um estudo sobre esta emoção como efeito estético, intitulado ‘O Estranho’, de Sigmund Freud. Como forma de exemplificação desta nova leitura, analisaremos o conto ‘Acauã’, demonstrando os artifícios narrativos usados pelo autor para causar medo.”

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Os olhos que comiam carne (Humberto de Campos)

“(…) De pé, os olhos escancarados, a boca aberta e muda, os braços levantados numa atitude de pavor, e de pasmo, Paulo Fernando corre na direção da porta, que adivinha mais do que vê, e abre-a. E o que xerxes_break__s_eye_by_bloody_aliice-d46a00xenxerga, na multidão de médicos e amigos que o aguardam lá fora, é um turbilhão de espectros, de esqueletos que marcham e agitam os dentes, como se tivessem aberto um ossário cujos mortos quisessem sair. Solta um grito e recua. Recua, lento, de costas, o espanto estampado na face. Os esqueletos marcham para ele, tentando segurá-lo. (…)”

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