Arquivo da tag: Horror

O Medo nas crianças de Clarice Lispector (Carolina Luiza Prospero)

criança com medo“Neste trabalho, buscaremos investigar a temática do medo em contos de Clarice Lispector que tenham crianças como personagens principais. O medo está presente em muitas das narrativas da autora, assumindo um papel de destaque no desenvolvimento de suas histórias. No caso da infância, ele surge como resposta à prematuridade das descobertas que a autora impõe às suas personagens. Comparando os textos de Lispector com alguns dos mais famosos contos da literatura de horror – como William Wilson e O gato preto, de Edgar Allan Poe – esperamos esclarecer os elementos que aproximam e que afastam a autora deste gênero literário, investigando o seu papel nesta tradição”.

Leia aqui o ensaio completo.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente Anuário de Literatura vol. 13, n. 2, 2008. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 

 


O monstro (J.-K. Huysmans)

9879ef3bafd830487992d10f54bb8879cde250bd_00“Joris-Karl Huysmans foi um escritor e crítico de arte francês, cuja variada obra é composta tanto por romances naturalistas quanto decadentes, além daqueles de cunho religioso. Foi bastante atuante nos periódicos da época, como o Le Voltaire, em que defendia o trabalho dos pintores impressionistas contra as reprimendas de diversos intelectuais do período.

Suas obras revelam, em diversos momentos, poéticas relacionadas a efeitos de recepção negativos, como o horror, a repulsa e o grotesco. É o caso de Às avessas (1884), considerada a obra paradigmática da decadência literária, que apresenta uma visão de mundo bastante desencantada e explicita uma série de transgressões morais, e de Là-bas (1891), em que o ocultismo e o satanismo são temas centrais do enredo que gira em torno da história de Gilles de Rais, o personagem histórico acusado pelo estupro e assassinato de diversas crianças.

Selecionamos para nossa antologia o ensaio ‘O Monstro’, publicado em Certains (1889). Nele o autor traça um panorama das principais manifestações da monstruosidade em diferentes realizações artísticas ao longo da história. O seu principal objetivo é comprovar a hipótese de que as monstruosidades teriam praticamente desaparecido das artes e não mais existiriam na contemporaneidade finissecular. Huysmans acredita que os monstros perderam progressivamente a capacidade de horrorizar, ao se aproximarem do burlesco e do cômico. Apesar desse fenômeno, ele defende que o final do século XIX, com seu avanço científico, ofereceria novos instrumentos para a criação de monstros. Após longo período sem criarem formas monstruosas originais e verdadeiramente assustadoras, os artistas deveriam se utilizar dos conhecimentos científicos sobre os microorganismos, as larvas e os vermes para engendrar novas criaturas aterrorizantes.”

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


O demônio da perversidade (Edgar Allan Poe)

poe-portrait-bri-hermanson“Edgar Allan Poe (1809-1849) foi um dos principais escritores da ficção gótica e de horror estadunidense. Produziu uma obra diversificada, com contos, poemas e ensaios, mas obteve modesto reconhecimento crítico durante sua vida. Ainda que sua obra possa ser afiliada ao Romantismo, Poe foi um escritor metódico, que prezava a técnica. Nesse sentido, não era um adepto da inspiração, mas defendia que, para alcançar determinados efeitos estéticos – dentre os quais o medo e os seus correlatos, por exemplo –, era preciso utilizar recursos narrativos específicos. Essa preocupação com os aspectos materiais da obra pode ser notada no artesanato formal que caracterizam seus poemas e narrativas, especialmente em sua pièce de résistance, o poema narrativo ‘O corvo’ (1845).

A maior parte da obra em prosa de Edgar Allan Poe é composta por contos que tematizam a morte, a loucura, o duplo e a obsessão. Seus narradores são, em grande parte, personagens pouco confiáveis. Seu campo semântico é o do medo e do horror, com metáforas sombrias e pesadelares. Entre suas narrativas mais conhecidas estão os contos ‘A queda da casa de Usher’ (1839), ‘O gato preto’ (1843), ‘O coração delator’ (1843) e ‘O barril de Amontillado’ (1846).

Apesar de ter deixado uma considerável obra crítica, Poe nunca se debruçou especificamente sobre a literatura de horror. Daí termos selecionado para compor essa antologia os primeiros parágrafos de uma narrativa ficcional, ‘O demônio da perversidade’ (1845), publicado ao fim da vida do escritor. Na abertura do conto, o narrador, em tom ensaístico, analisa a perversidade como o impulso humano com o poder de levar o ser humano à ruína.

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


O horror sobrenatural na literatura – introdução (H. P. Lovecraft)

11492c6d1ad064d7e58d072c18e5794bHoward Phillips Lovecraft (1890-1937) foi um escritor estadunidense que ficou conhecido por seus contos de horror e de weird fiction publicados em diversas pulp magazines. Apesar de sua vasta produção – que inclui também poemas e ensaios –, Lovecraft nunca teve reconhecimento literário durante a vida. Foi somente a partir da segunda metade do século XX que suas narrativas começaram a ganhar popularidade, sendo apreciadas por diversos nomes do cinema e da literatura de horror, como Guillermo del Toro, Stephen King e Neil Gaiman.

Ainda que tenha sido fortemente influenciado por autores como Edgar Allan Poe, Lorde Dunsany, Robert Chambers e Algernon Blackwood, Lovecraft criou um universo ficcional ímpar. É comum dividir sua obra em três fases: a dos Contos Macabros (1905-1920); a do Ciclo dos Sonhos (1920-1927); e a dos Mitos de Cthulhu (1925-1935). Essa última é responsável por caracterizar o estilo do escritor, pois compreende um conjunto de narrativas em que foi desenvolvida a ideia de horror cósmico, isto é, o horror experimentado quando somos confrontados por fenômenos que estão além de nossa capacidade de compreensão – um sentimento decorrente da percepção da insignificância do ser humano diante da grandiosidade e vastidão do universo.

“O horror sobrenatural na literatura” começou a ser escrito em 1925, foi publicado pela primeira vez em 1927, na revista The Recluse, mas sofreu alterações importantes em 1933 e 1934. O ensaio completo consiste fundamentalmente em uma história crítica da literatura fantástica e da literatura gótica. No excerto por nós selecionado – que correspondente à abertura do texto –, Lovecraft legitima o medo como uma poderosa emoção estética, e apresenta a narrativa de horror cósmico como o tipo superior de weird fiction.

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


A ironia (quase) invisível na narrativa de Poe (Andréa Sirihal Werkema)

0348bffefd8be52774947a421a85513c180f631e_hq“Poe pode ser caracterizado, em sua extrema modernidade, como um criador ou renovador de gêneros literários, incluindo-se aí não apenas as narrativas policiais e científicas ou o conto de horror moderno. Interessa a esta comunicação o exame de um gênero difícil de precisar, mas facilmente reconhecível para os frequentadores da ficção poesca: trata-se de contos que misturam referências eruditas, literárias e/ou filosóficas, a uma atmosfera totalmente irrealista, com a presença de narradores não-confiáveis envoltos em enredos estereotipados de horror, no limite do clichê da narrativa gótica. Este é, evidentemente, um gênero paródico, em que comparece a ironia no seu sentido mais próximo da ironia romântica, ou seja, uma ironia formal e de gênero. Esboça-se então um problema de adequação da ficção de Poe a seu público leitor: há um leitor popular, visado pelos periódicos que publicaram os contos de Poe, que absorve ansioso as peripécias que avançam para o clímax de horror; e há um posterior leitor analítico, reflexo do próprio autor, que procura nas entrelinhas do texto a releitura de um gênero estereotipado, visível apenas nesta convivência problemática de elementos díspares. A leitura pelas margens do conto Berenice norteará a presente tentativa de caracterização de um gênero.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do Congresso Para Sempre Poe, realizado na UFMG em 2009. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Horror e empatia: a figura do cientista em “Do Além” (1934), de H.P. Lovecraft (Marina Sena)

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“O presente trabalho busca analisar, a partir do estudos sobre empatia de Simon Baron-Cohen, como se dão vínculos emocionais estabelecidos entre leitor e personagem monstruosa. Procurarei demonstrar que a descrição que Baron-Cohen faz de constructos empáticos, e do indivíduo localizado no grau zero de empatia, é uma chave para se compreender melhor o arquétipo do cientista na literatura de horror. Como estudo de caso será analisado o cientista do conto “Do além” (1934), de H. P. Lovecraft, que ultrapassa o limite do que deve e pode ser conhecido.”

Leia o ensaio completo aqui.


A temática da ciência em “Palestra a horas mortas” (1900), de Medeiros e Albuquerque (Marina Sena)

Imagem relacionada“O presente artigo tem como objetivo demonstrar de que forma o conhecimento e o pseudoconhecimento relacionado ao campo da medicina são utilizados para narrar atos transgressivos, descrever cenários de horror e caracterizar como “transtornadas” personagens que possuam o desejo de conhecimento excessivo ou que ultrapassem os limites impostos pela sociedade. Para tal, será analisado o conto “Palestra a horas mortas” (1900), de Medeiros e Albuquerque”.

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.

 


O Horror na Literatura Gótica e Fantástica (Rhuan Felipe Scomacao da Silva)

Resultado de imagem para gótico e horror“Logo, a literatura de horror em si se ramifica em vários outros gêneros, e nessa grande gama serão encontrados todos os diferentes graus do horror: psicológico, social, alegórico, gótico, ficção científica, fantasia,  entre muitas outras divisões, os quais possuem como função primordial causar o sentimento tão comumente relatado por Lovecraft: o medo. Se colocarmos a definição de horror como sendo um intenso medo e dor, no estado físico, ou medo e desânimo, no estado psicológico, o gênero não pode ficar preso apenas nos conceitos sobrenaturais, pois o horror lidará com a humanidade, com a vida e aquilo que ela propicia ao ser humano. Tendo isso em vista, trataremos o horror como Todorov apresenta, deixemos de lado apenas a classificação por gênero, e nos foquemos naquilo de maior aderência desse tipo de escrita: a tendência em causar o medo. Uma das mais usuais dúvidas entre os leitores e estudiosos do gênero horror/terror é exatamente essa diferença, o porquê de alguns títulos serem discriminados como horror e outros como terror.”

Leia o ensaio completo aqui.

* Esse ensaio foi publicado originalmente em O Demoníaco na Literatura. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


A morfologia do Horror – construção e percepção na obra lovecraftiana (Alcebíades Diniz Miguel)

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“O horror ficcional é uma das constantes na produção cultural do século XX, como um reflexo que acompanha o horror político. Esse horror culturalmente produzido, que é estético, podemos vislumbrar em vasta produção da indústria cultural – que cobre as mais diversas mídias e formas de representação –, tendo seu momento inicial na ficção fantástica dos séculos XVIII-XIX. Na década de 1920-30, o escritor norte-americano Howard Phillips Lovecraft retomaria essa tradição do fantástico, acrescentando novos significados, formas, usos e estratégias. Neste trabalho, nossa meta foi realizar um panorama da ficção de horror abordando analiticamente elementos das narrativas de seu criador, H. P. Lovecraft.”

Leia a dissertação completa aqui.


Imagens do medo: o horror no cinema e na televisão (Michel Goulart da Silva)

Resultado de imagem para cinema de horror ilustração“Possivelmente a primeira lembrança quando nos referimos ao cinema de horror é o cinema expressionista alemão. O medo e o sobrenatural estavam presentes antes disso, como em uma das primeiras adaptações de Frankenstein (1910), no filme estudante de praga (1913) […]. Contudo, parece que é na Alemanha que o horror começa a ganhar forma, em grande medida por conta da incorporação da estética expressionista ao cinema. Tendo como um de deus marcos iniciais o filme O gabinete do Dr. Caligari (1919), o expressionismo é “uma corrente que buscava expressar, por meio de distorções, as impressões que o mundo exterior provocava no artista” (SILVA, 2009, p. 56). São características desse cinema “o referencial fantástico, a deformação expressiva, o isolamento, a monstruosidade e a maldade como personagem e herói” (SILVA, 2009, p. 56).”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n. 02.  Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.