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O demônio da perversidade (Edgar Allan Poe)

poe-portrait-bri-hermanson“Edgar Allan Poe (1809-1849) foi um dos principais escritores da ficção gótica e de horror estadunidense. Produziu uma obra diversificada, com contos, poemas e ensaios, mas obteve modesto reconhecimento crítico durante sua vida. Ainda que sua obra possa ser afiliada ao Romantismo, Poe foi um escritor metódico, que prezava a técnica. Nesse sentido, não era um adepto da inspiração, mas defendia que, para alcançar determinados efeitos estéticos – dentre os quais o medo e os seus correlatos, por exemplo –, era preciso utilizar recursos narrativos específicos. Essa preocupação com os aspectos materiais da obra pode ser notada no artesanato formal que caracterizam seus poemas e narrativas, especialmente em sua pièce de résistance, o poema narrativo ‘O corvo’ (1845).

A maior parte da obra em prosa de Edgar Allan Poe é composta por contos que tematizam a morte, a loucura, o duplo e a obsessão. Seus narradores são, em grande parte, personagens pouco confiáveis. Seu campo semântico é o do medo e do horror, com metáforas sombrias e pesadelares. Entre suas narrativas mais conhecidas estão os contos ‘A queda da casa de Usher’ (1839), ‘O gato preto’ (1843), ‘O coração delator’ (1843) e ‘O barril de Amontillado’ (1846).

Apesar de ter deixado uma considerável obra crítica, Poe nunca se debruçou especificamente sobre a literatura de horror. Daí termos selecionado para compor essa antologia os primeiros parágrafos de uma narrativa ficcional, ‘O demônio da perversidade’ (1845), publicado ao fim da vida do escritor. Na abertura do conto, o narrador, em tom ensaístico, analisa a perversidade como o impulso humano com o poder de levar o ser humano à ruína.

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(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


Horror e Paideia (João Gabriel Lima)

“(…) Se o horror já foi, no passado, um instrumento para a formação moral do homem, tendemos agora a afirmar que ele só raramente exerce essa função. Antes tudo, isto se deve ao fato de que a sociedade contemporânea é avessa a tudo o que persiste no espírito – e não é outro o mogreek-tragedy-masktivo de nossos esforços em minimizar os efeitos traumáticos. Tentamos, de todas as formas, evitar os traumas na formação das crianças e na vida dos adultos, sem parar e refletir sobre o que eles despertam mais além da ansiedade momentânea. Não se quer com isso dizer, é claro, que se deve traumatizar deliberadamente sempre que desejarmos ensinar algo a alguém. Isso seria ridículo e perverso. Mas o horror paideico, sendo um ‘trauma’ no âmbito narrativo, teve sempre a exigência de transmitir a ética comunitária. O horror artístico, seu sucessor, embora tenha gestado, em sua história, obras de alta complexidade e questionamento moral, parece estar cada vez mais indiferente a essa exigência. Hoje, raras são as vezes em que constatamos uma alteração ética profunda produzida por uma obra de horror. (…)”

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