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Prefácio à primeira edição de O Castelo de Otranto (Horace Walpole)

083f33c8b08e3ccce110aaa4053cb4b1Filho mais novo do primeiro ministro Sir Robert Walpole, Horace Walpole foi um conde, membro do parlamento inglês, perito em artes, escritor e colecionador. Foi educado em Cambridge e viajou por um longo tempo pela França e Itália. Entre suas obras mais famosas estão Some Anecdotes of Painting in England (1762), um compêndio em três volumes da história da arte inglesa, e O Castelo de Otranto (1764), romance considerado o precursor da literatura gótica.

Um dos grandes interesses de sua vida foi sua casa na cidade de Twickenham. Conhecida como Strawberry Hill, ela foi transformada em uma atração pública, e adornada, ao longo dos anos, com motivos góticos: galerias, arcadas, torres, muralhas, pinturas e antiguidades. Sua construção foi um grande estímulo para a retomada do estilo gótico na arquitetura doméstica inglesa, em uma época de crescente interesse pela cultura medieval. Já no âmbito literário, o estímulo foi o romance O Castelo de Otranto, cujo prefácio selecionamos nesta compilação.

A obra foi apresentada, primeiramente, como a tradução de um genuíno manuscrito italiano do século XVI, mas a farsa foi desmentida um ano depois, no prefácio à segunda edição. O maior mérito de Otranto foi provocar a retomada, na literatura, da fantasia e do sobrenatural, elementos próprios dos romances medievais, que haviam sido preteridos em favor das narrativas mais realistas e voltadas para assuntos cotidianos, em voga à época. A obra funcionou como um estopim para uma profícua tradição de narrativas que combinavam histórias de horror e terror, cenários medievais e eventos sobrenaturais. O prefácio aqui apre- sentado legou uma interessante reflexão a respeito do que viria se tornar a base da poética gótica.

Leia aqui o ensaio completo.

(*) Esse ensaio faz parte da coletânea As Artes do Mal: textos seminais, organizada por Júlio França e Ana Paula Araújo. Adquira o livro aqui.


O sublime e o grotesco em “O Conde Lopo”, de Álvares de Azevedo (Fernando Monteiro de Barros)

ghosts_008“Publicado postumamente em 1886, o poema narrativo O Conde Lopo não figura entre as obras de Álvares de Azevedo mais valorizadas por nossa crítica e historiografia literárias. Eivado de um byronismo radical, o texto inscreve-se na tradição gótica da literatura, surgida na Inglaterra em 1764 com o romance O castelo de Otranto, de Horace Walpole, que instalou, no imaginário ocidental, os castelos medievais em decadência e a natureza em seu aspecto noturno como espaços paradigmáticos das narrativas de terror. Entrecruzando vários aspectos do Romantismo negro, o texto de Álvares de Azevedo articula elementos tanto sublimes quanto grotescos nos seus versos, principalmente nas representações do feminino enquanto cortesã infernal e fantasma lúbrico.”

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