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Ambiguidade e terror em “Outra volta do parafuso” (Ana Paula A. Santos)

turn-of-the-screw-cover-detail“(…) Carrol também diz que as histórias de casas malignas ‘são, em geral, assombradas pelos pecados de seus antigos moradores. Ou seja, essas histórias envolvem uma narrativa de repetição baseada na reencenação de um passado totalmente repugnante’. Ora, Bly é, senão, um lugar assombrado por moradores antigos da propriedade que morreram tragicamente e que, segundo a preceptora, única capaz de notá-los, estão atrás de algum tipo de vingança ou compensação. Os mistérios que envolvem a casa são tantos que ela se torna abominável para nós, que desconfiamos de sua segurança. E, se admitimos que uma casa deve ser um lugar onde nos sintamos protegidos, a casa de Bly está bem longe disso com seus segredos do passado revivido e terríveis fantasmas que aparecem repentinamente para assombrar os moradores. (…)”

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A volta do parafuso (Henry James)

“(…) O dia estava bastante cinzen­to, mas ainda não havia cessado a luz da tarde, o que me permitiu, ao transpor a porta, não apenas reconhecer as minhas luvas, que estavam sobre uma cadeira, junto TheTurnOftheScrewIllustrationByLyndWard565a uma grande janela, como, também, notar a presença de uma pessoa do outro lado da janela, a olhar para dentro através da vidraça. Bastou que eu desse apenas um passo na sala: a visão foi clara e instantânea. A pessoa que olhava, fixamente, para dentro, era a pessoa que já me havia aparecido. Surgiu, assim, de novo, não digo com maior nitidez, pois isso seria impossível, mas com uma proximidade que revelava um progresso em nossas relações e que me fez, logo que a vi, perder o fôlego e ficar gelada da cabeça aos pés. Era o mesmo, era o mes­mo, e eu podia vê-lo, essa vez, como o vira antes, da cintura para cima, pois, embora a sala de jantar estivesse situada no andar térreo, a janela não descia até o terraço em que ele estava de pé. Tinha o rosto muito per­to da vidraça, mas essa segunda e mais próxima visão teve sobre mim, por estranho que pareça, o único efeito de mostrar-me quão intensa havia sido a primeira. Não permaneceu ali senão alguns segundos — mas o bas­tante para convencer-me de que também me havia visto e reconhecido. Quanto a mim, era como se eu o houvesse estado olhando durante anos e o houvesse conhecido sempre. Essa vez, no entanto, aconteceu algo que não havia acontecido antes. Seu olhar, fixo em mim através da vidraça e ao longo do aposento, era profundo e duro como da primeira vez, mas afastou-se de minha pessoa por um momento, durante o qual pude segui-lo e ver que se fixava, sucessivamente, em vários objetos. Incontinenti, tive um duplo e instantâneo choque: a certeza de que ele não viera por minha causa. Viera em busca de outra pessoa. (…)”

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