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Couro ruim é que chama ferrão de ponta: a respeito da violência em Grande Sertão: Veredas (João Pedro Bellas e Júlio França)

1AberturaO presente artigo propõe uma leitura de Grande sertão: veredas (1956), de Guimarães Rosa, sob a perspectiva das “poéticas do mal”. Partimos de observações e descrições feitas em um artigo anterior, em que demonstrávamos ser o medo um elemento temático e estrutural fundamental no romance rosiano. Dando continuidade a essa abordagem, nossa proposta é considerar especificamente a violência, tanto em sua dimensão temática quanto em sua função formal na narrativa. A hipótese a ser desenvolvida é que a violência também se configura como um elemento essencial da história de Riobaldo, não possuindo em si mesma um valor positivo ou negativo, uma vez que surge ora como um produto dos receios experimentados pelo protagonista, ora como um meio de conciliar e superar os seus temores.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente em PragMATIZES – Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura, n. 18 (2020). Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Aspectos góticos na estrutura narrativa de “Sarapalha”, de Guimarães Rosa (Júlio França e Daniel Augusto P. Silva)

Resultado de imagem para sarapalha guimarães rosa“Este artigo tem por objetivo analisar a construção narrativa do conto “Sarapalha”, escrito por Guimarães Rosa e publicado em Sagarana (1946). Partimos da hipótese de que a estrutura do texto se baseia em elementos próprios da poética do gótico literário, tais como a apresentação do espaço como locus horribilis, a presença de personagens com aspectos monstruosos, a exploração, no plano temático, da morte e da doença, e, sobretudo, a criação de uma temporalidade circular e fantasmagórica.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Revista Nonada, v. 2, n. 29 (2017). Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Meu tio o Iauaretê e a experiência abissal (Josué Godinho)

Resultado de imagem para meu tio iauaretê onça“Este texto busca formular perguntas e problematizar a natureza da violência que se encena no conto ‘Meu tio o Iauaretê’, de João Guimarães Rosa. Neste conto há um tipo de violência que está na ordem do absurdo, destituída de razão ou explicação aparentes. A violência que ali se encena, pela absurdidade e pela carência de fundo e razão, não parece admitir da crítica respostas satisfatórias, abalando, inclusive, os conceitos de representação e de representação da violência. “Meu tio o Iauaretê”, questionando as bases de qualquer racionalidade, se insere na ordem de uma violência crua e desprovida de sentidos, impactante por sua carência de motivações aparentes além da dissolução de limites entre o humano e o animal – espécie de monstruosidade – e por sua esterilidade. Interessa-nos a experiência abissal dessa violência que não se deixa reduzir e que mesmo depois do fim da fala dissemina-se para além do texto, incômoda e renitente. Tal leitura terá apoio teórico, principalmente, de Jacques Derrida.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Em Tese, V. 22, N. 2, 2016. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


A hora e a vez do sertão: o grotesco em Guimarães Rosa (Francis Paulina Lopes da Silva)

“(…) Em geral designando uma região basicamente rural e anacrônica, o sertão opõe-se à cidade, considerada como o centro mais avançado de progresso e civilização. É a terra sem lei, sem limites, dominada pevidas-secas-1lo mais forte. Mas em Rosa, os grandes sertões se confundem com a realidade humana, em que predomina o sistema de valores do jagunço. Nessa região misteriosa, ilimitada, múltipla e ambígua, coexistem Deus e o Demo, sossego e confusão, heróis e monstros. E nesse microcosmo se debate o homem, em sua eterna busca existencial. Aí então, tem lugar o grotesco, que invade os sonhos, quebra as expectativas, rompe a lógica existencial, ora gerando os conflitos, ora até mesmo se incorporando à rotina cruel do sertanejo, que busca sobreviver nessas regiões inóspitas. (…)”

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