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Meu tio o Iauaretê e a experiência abissal (Josué Godinho)

Resultado de imagem para meu tio iauaretê onça“Este texto busca formular perguntas e problematizar a natureza da violência que se encena no conto ‘Meu tio o Iauaretê’, de João Guimarães Rosa. Neste conto há um tipo de violência que está na ordem do absurdo, destituída de razão ou explicação aparentes. A violência que ali se encena, pela absurdidade e pela carência de fundo e razão, não parece admitir da crítica respostas satisfatórias, abalando, inclusive, os conceitos de representação e de representação da violência. “Meu tio o Iauaretê”, questionando as bases de qualquer racionalidade, se insere na ordem de uma violência crua e desprovida de sentidos, impactante por sua carência de motivações aparentes além da dissolução de limites entre o humano e o animal – espécie de monstruosidade – e por sua esterilidade. Interessa-nos a experiência abissal dessa violência que não se deixa reduzir e que mesmo depois do fim da fala dissemina-se para além do texto, incômoda e renitente. Tal leitura terá apoio teórico, principalmente, de Jacques Derrida.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Em Tese, V. 22, N. 2, 2016. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


A hora e a vez do sertão: o grotesco em Guimarães Rosa (Francis Paulina Lopes da Silva)

“(…) Em geral designando uma região basicamente rural e anacrônica, o sertão opõe-se à cidade, considerada como o centro mais avançado de progresso e civilização. É a terra sem lei, sem limites, dominada pevidas-secas-1lo mais forte. Mas em Rosa, os grandes sertões se confundem com a realidade humana, em que predomina o sistema de valores do jagunço. Nessa região misteriosa, ilimitada, múltipla e ambígua, coexistem Deus e o Demo, sossego e confusão, heróis e monstros. E nesse microcosmo se debate o homem, em sua eterna busca existencial. Aí então, tem lugar o grotesco, que invade os sonhos, quebra as expectativas, rompe a lógica existencial, ora gerando os conflitos, ora até mesmo se incorporando à rotina cruel do sertanejo, que busca sobreviver nessas regiões inóspitas. (…)”

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