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Esteticismo fin-de-siècle: o grotesco decadente (Daniel Augusto P. Silva)

fotoblog“Desenvolvida na Europa e no Brasil a partir do final do século XIX até meados do século XX, a ficção decadente se notabilizou por sua atração pelo artificial e por aquilo que contraria as leis da natureza. Nessa ficção, a descrição de objetos grotescos, antinaturais, foi realizada a partir de uma linguagem bastante trabalhada e estetizada. Paradoxalmente, em diversas narrativas, tal esteticismo promoveu a percepção do grotesco como algo belo e refinado. Para demonstrar exemplos do grotesco decadente, esse artigo propõe a análise de Monsieur de Phocas (1901), de Jean Lorrain, de Dança do Fogo: o Homem que não queria ser Deus (1922) e de Kyrmah: Sereia do vício moderno (1924), dois romances de Raul de Polillo.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Flores monstruosas: a estética do grotesco na ficção decadente (Daniel Augusto)

Resultado de imagem para huysmans a rebours“À primeira vista, pode parecer paradoxal afirmar que a literatura decadente, reconhecida por seu caráter aristocrático, pelo seu pessimismo e por sua busca por refinamento, tenha produzido sistematicamente figuras grotescas. A comparação soa ainda mais inusual quando se constata a utilização do termo grotesco para descrever algumas obras de arte que provocariam um efeito cômico, como, por exemplo, caricaturas. Além disso, os estudos sobre essa categoria estética, mesmo quando não a associam diretamente a artes populares, quase não dão destaque à literatura fin-de-siècle como uma de suas realizações históricas. Para estabelecer essa relação, é preciso buscar uma delimitação do conceito de grotesco. Tal tarefa se mostra complexa, pois, ao longo da história, a palavra grotesco foi empregada para designar objetos bastante diversificados entre si, a ponto de ter seu sentido conceitual diluído. Do estilo de Rabelais a formas de arte decorativa italiana, de música, de dança e até mesmo a um grupo tipográfico, o termo teve ora sentido de substantivo, ora de adjetivo.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios das Jornadas FantásticasRepublicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


O realismo grotesco e o grotesco onírico em “Romance Negro”, de Rubem Fonseca (Luís Otávio Hott)

Resultado de imagem para romance negro rubem fonseca“O presente estudo tem como objetivo analisar as estratégias narrativas que viabilizam a representação da estética do realismo grotesco no conto “Romance negro”, presente na obra Romance negro e outras histórias, de Rubem Fonseca, propondo a consideração desta estética literária operando a partir de duas vias principais na obra do autor: a realidade grotesca, abjeta, assustadora, aterradora; e a realidade dos sonhos, o onirismo como forma de escapar da realidade e criar assim uma realidade própria, que serve como forma de protesto frente ao mundo reificado da sociedade capitalista moderna. Ambas representações são atingidas através de suas relações com a estética do grotesco, concebida por sua capacidade de unir paradoxos, neste caso, o paradoxo do sonho e da realidade.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Scripta, v. 20, n. 39 (2016). Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Linguagens do insólito: a construção estilístico-textual do grotesco na ficção decadente (Daniel Augusto)

Resultado de imagem para la bas huysmans“Tanto a literatura gótica quanto a ficção fantástica empregaram técnicas características da poética do grotesco para criar personagens e situações não apenas sobrenaturais, mas também capazes de causar horror e repulsa como efeitos de recepção. Por gerar seres disformes, sem unidade aparente e de difícil subsunção a categoias racionais, a arte grotesca é, de fato, pródiga em produzir tanto a hesitação própria ao fantástico quanto o medo essencial às narrativas de horror. No final do século XIX, a ficção decadente, tributária dessas duas tradições literárias, em sua busca por experiências estéticas originais e intensa, valeu-se sistematicamente de procedimentos típicos do grotesco literário. Este trabalho irá se centrar na descrição dos elementos grotescos no plano estilístico, como a partir do uso recorrente de neologismos e de palavras raras, de construções sintáticas inesperadas, além de inversões na ordem típica das estruturas sintagmáticas. Ao contrário do que a crítica muitas vezes apontou, tal estilo de escrita não foi fruto de uma erudição vazia ou de simples dialetantismo artístico; na verdade, sua utilização foi intencional, voltada exatamente para intensificar a fruição estética. A fim de demonstrar o emprego dessas estratégias textuais e estilísticas empregadas pela ficção decadente, analisamos trechos do romance Là-bas (1891), de J.-K. Huysmans, e o conto “Agonia por semelhança”, publicado por Gonzaga Duque em Horto de Mágoas (1914).”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, nº 05. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


Um oásis de horror: o grotesco em Romance negro e outras histórias, de Rubem Fonseca (Luís Otávio Hott)

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“O presente estudo tem como objetivo analisar as estratégias narrativas que viabilizam a representação de diferentes aspectos do grotesco na obra Romance negro e outras histórias, de Rubem Fonseca, propondo a consideração do grotesco como gênero discursivo, estética literária, atitude e prática cultural, operando a partir de duas vias principais: o grotesco como representação estética predominante na contemporaneidade e o grotesco como forma de transgressão dos códigos sociais vigentes na sociedade capitalista moderna.”

 

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Os desdobramentos estéticos do medo cósmico: o riso bakhtiniano, o horror lovecraftiano (Júlio França e João Pedro Bellas)

Resultado de imagem para horror cósmico lovecraft“O artigo propõe a comparação entre as noções de “medo cósmico” formuladas por H. P. Lovecraft (2007) e Mikhail Bakhtin (2010), com especial atenção aos seus desdobramentos estéticos: no primeiro caso, o sublime de orientação burkeana observável na reflexão crítica e na ficção do escritor norte-americano; no segundo, a teoria do grotesco proposta pelo ensaísta russo a partir de seus estudos sobre a cultura popular medieval. O objetivo é demonstrar que embora o sublime e o grotesco sejam entendidos, por Lovecraft e Bakhtin, respectivamente, como consequências de um mesmo fenômeno antropológico – a percepção do papel insignificante do homem no cosmos – as duas categorias estéticas são empregadas para descrever obras artísticas que produzem efeitos de recepção tradicionalmente entendidos como antagônicos: o horror e o humor. A hipótese proposta para compreender tal paradoxo baseia-se no estudo de Noël Carroll (1999) sobre as relações de contiguidade entre o medo e o riso.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n.4. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.


A categoria estética do grotesco e as poéticas realistas: uma leitura de “Violação”, de Rodolfo Teófilo (Júlio França)

Resultado de imagem para violação rodolfo teófilo“O objetivo deste artigo é demonstrar como as poéticas realistas da literatura são tributárias de procedimentos estéticos característicos do que se convencionou chamar de arte grotesca. Para ilustrar essa hipótese, tomamos uma narrativa do Naturalismo oitocentista brasileiro, Violação (1898), do escritor cearense Rodolfo Teófilo. Antes, porém, propomos uma descrição do conceito de grotesco com o qual trabalhamos, a partir das contribuições de Victor Hugo (2009), Wolfgang Kayser (2002), Mikhail Bakhtin (2010) e Geoffrey Galt Harpham (2006).”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente em Figurações do real: literatura brasileira em foco, Relicário Edições (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.