Arquivo da tag: gótico

Heathcliff: a representação gótica sublime do Mal em O Morro dos Ventos Uivantes (Alessandro Yuri Alegrette)

Resultado de imagem para wuthering heights“Este artigo procura apontar as prováveis origens de Heathcliff dentro da tradição literária inglesa e do romance gótico. Considerado pela crítica literária uma das grandes criações da escritora inglesa Emily Brontë, Heathcliff reúne em sua composição todas as características do vilão. Misterioso, cruel e capaz de cometer atos terríveis, alguns para demonstrar o amor intenso que sente por sua amada, esse personagem desafia a continuidade das convenções morais e sociais do século XIX. Assim, procuro ressaltar alguns aspectos sinistros desse personagem, que provavelmente tem suas origens no contexto histórico da era vitoriana, em obras clássicas da literatura inglesa e nas criaturas monstruosas, destacando-se dentre elas, o vampiro que aparece de forma recorrente em textos góticos publicados nesse período.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Republicamos esse ensaio aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.

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Deslocamentos e identidades no Gótico australiano: o caso de “Picnic at Hanging Rock” e “Piquenique na Montanha Misteriosa” (Luciana Rassier e Cynthia Costa)

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“O romance Picnic at Hanging Rock, de Joan Lindsay (1967), e sua adaptação cinematográfica homônima dirigida por Peter Weir (1975), comercializada no Brasil como Piquenique na Montanha Misteriosa, têm intrigado leitores e espectadores há mais de quatro décadas.

Ambientadas na Austrália rural de 1900, as narrativas ilustram o gênero gótico australiano ao tratar do misterioso desaparecimento de três alunas e uma professora de um internato repressor, durante um piquenique na montanha. Partindo das relexões de Linda Hutcheon (2011) sobre adaptações, analisamos em que medida as narrativas literária e cinematográfica dialogam; já as reflexões de Susan Bassnett (2006) e Kristi Siegel (2004) sobre relatos de viagem femininos nos permitem pensar as temáticas da sexualidade feminina e do deslocamento no espaço como metáfora da transformação do indivíduo.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Ilha do Desterro. Republicamos aqui, com autorização das próprias autoras, com fins puramente acadêmicos.


O Gótico feminino na Literatura Brasileira: um estudo de Ânsia Eterna, de Júlia Lopes de Almeida (Ana Paula Santos)

Resultado de imagem para JULIA LOPES DE ALMEIDA“Desde a sua origem na Inglaterra do século XVIII, a ficção gótica contou com uma significativa contribuição de escritoras. Da relação entre o Gótico e a escrita feminina originou-se uma tradição ficcional que Ellen Moers (1976) nomeou de “Gótico feminino”. A adoção de uma perspectiva aliada aos interesses da mulher trouxe para o Gótico horrores específicos: os segredos domésticos; os abusos físicos e/ou psicológicos; e o cotidiano dominado por figuras patriarcais opressoras. Propõe-se, nesta dissertação, em primeiro lugar, descrever as principais características das obras do Gótico feminino, tendo por base teórica os estudos empreendidos por David Punter (1996) e Fred Botting (1996), bem como as proposições de Anne Williams (1995) a respeito dos enredos e das principais temáticas dessa tradição. Buscamos ainda demonstrar que esta linhagem do Gótico ofereceu às escritoras brasileiras do século XIX recursos para retratarem a difícil condição da mulher na sociedade. Para tal, empreendemos uma análise da obra da escritora carioca Júlia Lopes de Almeida, cujo livro de contos Ânsia Eterna (1903) apresenta amplas consonâncias com a tradição feminina da literatura gótica.”

Leia a dissertação completa aqui.


A alegoria e o fantasma no Gótico brasileiro: Cornélio Penna e Lúcio Cardoso (Fernando Monteiro de Barros)

Resultado de imagem para casa fantasmagorica“A literatura gótica, desde o seu início, apresenta um cenário que transcende as fronteiras endógenas das ilhas britânicas. O mundo mediterrâneo, em romances como o pioneiro O castelo de Otranto, de Horace Walpole (1764), bem como a Transilvânia de Drácula, remete a um espaço marcado por estruturas mais arcaicas face à modernização e ao “progresso” do norte europeu. Os conceitos de alegoria e de fantasma permitem endossar uma categoria do gênero Gótico exógena ao seu cenário europeu de origem: o Gótico brasileiro, que, em comum com o Gótico do sul dos Estados Unidos, o Southern Gothic, além de apresentar um cenário ambientado no novo mundo e de clima ensolarado, apresenta também uma cenografia textual marcada pelo passado latifundiário e escravocrata que, no século XX, avulta como ruína e espaço tenebroso. Neste contexto, inscrevem-se obras de alguns autores da literatura nacional, como Cornélio Penna e Lúcio Cardoso, romancistas que surgiram nos anos de 1930 e situaram-se em uma corrente antípoda ao regionalismo social da época. Em narrativas como A menina morta, de Penna, publicado em 1954, e Crônica da casa assassinada, de Lúcio, de 1959, encontramos o traço gótico do passado que assombra o presente, em cenários brasileiros da época colonial e imperial, fantasmaticamente representados enquanto ruína alegórica do Brasil patriarcal pré-republicano e pré-moderno, nos quais os personagens, alguns com traços vampirescos, também demonstram ressonâncias dos tipos frequentes dos romances góticos, como o aristocrata malévolo e a donzela perseguida. Assim, muito mais do que destacar uma literatura gótica produzida no Brasil por autores como Álvares de Azevedo e Cruz e Sousa, que não apresentam a cor local em seus textos “góticos”, tais textos literários apresentam aspectos do Gótico perpassando elementos que compõem a história e a cultura das terras brasileiras.”

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


As convenções góticas em Os 120 Dias de Sodoma (Nicole Ayres Luz)

Resultado de imagem para marques de sadeOs 120 Dias de Sodoma ou A Escola da Libertinagem, produzido em 1785 e publicado apenas no século XX, pelo polêmico Marquês de Sade, é uma obra simbólica do sadismo na literatura. O enredo apresenta quatro aristocratas libertinos, que trancafiam um grande grupo de pessoas, vítimas e ajudantes de seu projeto, em um castelo suíço durante quatro meses para a realização de orgias e torturas diversas, organizadas por ciclos, do mais básico ao mais intenso nível de violência. Os libertinos podem ser classificados como personagens monstruosos, de acordo com análises como as de Jeffrey Jerome Cohen e Julio Jeha, e, mais especificamente, como sádicos, termo derivado da obra do Marquês e cunhado pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing. Os personagens sadianos são devotos da libertinagem, como a uma religião, visando unicamente sua própria satisfação. A perversão sem limites de tais personagens horroriza o leitor, provocando medo artístico, conceito desenvolvido por Júlio França. Por meio desse tipo de reação, percebe-se que é possível experimentar uma sensação de prazer durante a leitura de obras onde predomina a maldade, pela consciência de seu caráter ficcional; a ameaça, portanto, não é real, o que possibilita a fruição estética. Observa-se também o papel do cenário sombrio na construção da narrativa para gerar esse efeito de medo. O castelo de um dos libertinos, localizado numa região isolada da Suíça, possui múltiplos ambientes, devidamente equipados para os fins de experimentação cruel dos protagonistas. Controladas e punidas em caso de desvio das regras estabelecidas pelos sádicos, em um ambiente desconhecido, atemorizante e afastado da civilização, as vítimas se encontram sem salvação possível. Considerando os personagens aristocratas monstruosos, o cenário lúgubre do castelo onde ocorrem os abusos e o pessimismo inerente à narrativa de Sade, o presente trabalho pretende descrever o romance como uma obra gótica.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XV Congresso Internacional da ABRALIC. Republicamos aqui, com autorização da próprioa autora, com fins puramente acadêmicos. 


Dentro da Noute: Contos Góticos

Dentro-da-Noute-CapaO Grupo de Pesquisa Estudos do Gótico tem a honra de divulgar o lançamento da antologia Dentro da Noute: Contos Góticos, editada pelo Projecto Adamastor e organizada por Ricardo Lourenço. Com um total de vinte e sete textos, treze de autores portugueses, como Alexandre Herculano e Camilo Castelo Branco, e quatorze de autores brasileiros, como Machado de Assis e Inglês de Sousa, Dentro da Noute pretende exibir uma amostra das manifestações da poética gótica nas letras luso-brasileiras.

Dentro da Noute está disponível gratuitamente em formato EPUB e MOBI. Tenha acesso aos links para download aqui.


As ruínas da homossexualidade: o gótico em “Bom-Crioulo”, de Adolfo Caminha (Leonardo Mendes)

Unknown“As relações entre o gótico e a homossexualidade têm sido estreitas desde o aparecimento do que a crítica considera as primeiras manifestações literárias do gênero, todas obras de escritores ingleses: The Castle of Otranto (1764), de Horace Walpole, Vatheck (1786), de William Beckford, e The Monk (1796), de Matthew Gregory Lewis. No caso das primeiras incursões literárias por cenários góticos de decadência e mistério, a homossexualidade aparece mais claramente como aspectos das vidas desses autores do que como conteúdos tematizados em suas obras. Em 1785 Beckford foi exilado da Inglaterra em virtude de suas relações com um homem mais jovem. Entre as várias indicações de que Matthew Lewis fosse homossexual, destaca-se a de seu amigo Byron, que atribuiu ao autor de The Monk o gosto de ter homens como amantes. Quanto a Walpole, seu arquivista Wilmarth Lewis limitou-se a declarar sua ignorância sobre qualquer documento que comprovasse predileções homossexuais patentes no comportamento do escritor inglês.

Ainda que aparentemente só biográficas, as relações entre os autores dos primeiros romances góticos e a homossexualidade devem nos alertar. Talvez exista um intercâmbio intelectual entre o apreço por ambientes de ruínas e mistérios e a articulação de sexualidades problemáticas em sentido amplo.”

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