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As ruínas da homossexualidade: o gótico em “Bom-Crioulo”, de Adolfo Caminha (Leonardo Mendes)

Unknown“As relações entre o gótico e a homossexualidade têm sido estreitas desde o aparecimento do que a crítica considera as primeiras manifestações literárias do gênero, todas obras de escritores ingleses: The Castle of Otranto (1764), de Horace Walpole, Vatheck (1786), de William Beckford, e The Monk (1796), de Matthew Gregory Lewis. No caso das primeiras incursões literárias por cenários góticos de decadência e mistério, a homossexualidade aparece mais claramente como aspectos das vidas desses autores do que como conteúdos tematizados em suas obras. Em 1785 Beckford foi exilado da Inglaterra em virtude de suas relações com um homem mais jovem. Entre as várias indicações de que Matthew Lewis fosse homossexual, destaca-se a de seu amigo Byron, que atribuiu ao autor de The Monk o gosto de ter homens como amantes. Quanto a Walpole, seu arquivista Wilmarth Lewis limitou-se a declarar sua ignorância sobre qualquer documento que comprovasse predileções homossexuais patentes no comportamento do escritor inglês.

Ainda que aparentemente só biográficas, as relações entre os autores dos primeiros romances góticos e a homossexualidade devem nos alertar. Talvez exista um intercâmbio intelectual entre o apreço por ambientes de ruínas e mistérios e a articulação de sexualidades problemáticas em sentido amplo.”

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Uma revisitação do gótico na Literatura Italiana Contemporânea (Claudia Fernanda de Campos Mauro)

1189252092_4464“Este trabalho tem como objetivo fazer uma leitura crítica do romance Il castello di Eymerich, do escritor italiano Valerio Evangelisti. Publicado em 2001, o romance narra mais uma aventura do inquisidor Nicolas Eymerich, chamado para, supostamente, livrar o Castelo de Montiel de influências demoníacas. A ação se passa em 1369, quando o rei de Castilha Pedro o Cruel sofre ameaças do meio-irmão e pretendente ao trono Henrique de Trastamara. O Castelo de Montiel não é, porém, uma construção qualquer; construído conforme um desenho muito antigo, traçado por mestres da Cabala, possui paredes que parecem possuir vida própria e sua fundação se perde em um labirinto de galerias. Algo de muito assustador, porém, começa a agir no meio de toda aquela estrutura. Eymerich deve descobrir que força do mal aterroriza o castelo e deve exterminá-la. Pretendemos demonstrar de que modo Evangelisti concentra toda a tensão da narrativa no próprio castelo e em função dele; é daí que partem e é para aí que se dirigem todos os movimentos das personagens. O castelo é, portanto, o grande inimigo a ser combatido pela mente fria, pela inteligência e pela astúcia do inquisidor. Nesta leitura proposta, gostaríamos de levantar algumas questões relativas ao (neo)gótico (e ao fantástico de modo geral) na literatura italiana contemporânea, partindo da ideia do próprio Valerio Evangelisti, que chama o tipo de literatura criada por ele de fantagotica, na qual as referências ao gótico do século XIX são muito marcantes. O próprio escritor classifica Il castello di Eymerich como um ‘romance gótico’.”

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As ligações criminais do gótico (Julio Jeha)

“Gótico e ficção de crime se encontram unidos desde a origem e apenas o racionalismo de críticos modernistas os separou no século XX. Este artigo busca mostrar essa ligação por meio da análise de tex4435424-4x3-340x255tos fundacionais, tanto da literatura gótica quanto da ficção de detetive, mostrando como traços de uma estão presentes na outra. A comparação percorre o modernismo e o pós-modernismo para mostrar que essas duas manifestações literárias se encontram unidas pelo crime.”

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O sublime e o grotesco em “O Conde Lopo”, de Álvares de Azevedo (Fernando Monteiro de Barros)

ghosts_008“Publicado postumamente em 1886, o poema narrativo O Conde Lopo não figura entre as obras de Álvares de Azevedo mais valorizadas por nossa crítica e historiografia literárias. Eivado de um byronismo radical, o texto inscreve-se na tradição gótica da literatura, surgida na Inglaterra em 1764 com o romance O castelo de Otranto, de Horace Walpole, que instalou, no imaginário ocidental, os castelos medievais em decadência e a natureza em seu aspecto noturno como espaços paradigmáticos das narrativas de terror. Entrecruzando vários aspectos do Romantismo negro, o texto de Álvares de Azevedo articula elementos tanto sublimes quanto grotescos nos seus versos, principalmente nas representações do feminino enquanto cortesã infernal e fantasma lúbrico.”

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Hamlet revisitado: um olhar para Shakespeare sob a luz da estética gótica (Thiago Sardenberg)

“(…) Um dos maiores nomes do drama ocidental, William Shakespeare, trabalhou com incontestáveHamlet_by_Mephistis impulsos góticos em algumas de suas peças mais célebres. A grandeza da obra de Shakespeare pode ser atribuída, entre outros fatores, à sua capacidade de permanecer atemporal – assim como o impulso gótico, ela atravessa gerações, adaptando-se e assim mantendo-se relevante. As peças de Shakespeare continuam a ser (re)lidas e (re)pensadas, e, nesse processo, novas nuances são invariavelmente atribuídas à elas.

O presente ensaio, à luz dessa ideia, buscou investigar como podemos perceber esses impulsos góticos em Hamlet, relacionando assim um dos escritores mais influentes da história da literatura a uma tradição literária que é, muitas vezes, vista com certo demérito. (…)”

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A noção de crime no apocalipse zumbi em “The Walking Dead” (Claudio Vescia Zanini)

twdO objetivo deste trabalho é discutir o conceito de crime no universo ficcional proposto pela série de TV estadunidense The Walking Dead. Parte-se da ideia que o cenário proposto pelo universo ficcional da série – um mundo dominado por mortos dotados de movimento e instinto, onde apenas uma minoria permanece sem ser afetada pela nova condição – acarreta mudanças significativas no que diz respeito às noções de identidade, sobrevivência, interação social e ética, afetando as relações entre os personagens e a ideia básica do que seja crime.”

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De Charles Perrault a Angela Carter: uma releitura da personagem Chapeuzinho Vermelho no conto “A Companhia dos Lobos” (Fabianna Simão Bellizzi Carneiro e Alexander Meireles da Silva)

“Este trabalho fará um recorte no conto ‘A companhia dos lobos’ da escritora inglesa Angela Carter, tendo como suporte teórico textos de autores que pontuaram relevantes análises críticas a respeito da inserção feminina em vários campos da sociedade contemporânea. Daí que temas como gênero, identidade, feminismo e comparativismo serão de fundamental importância para este trabalho, que se pretende analítico e não conclusivo. Portanto, teremos alcançado nossos objetivos na medida em que conseguirmos problematizar a questão feminina não somente pelo viés da escrita das mulheres, mas imbricada a outros temas que são de fundamental importância para pensarmos a condição feminina pós-moderna.”

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