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Construção da sensibilidade burguesa por meio do espaço em “The Mysteries of Udolpho” de Ann Radcliffe (Natália Cortez do Prado)

933b04edd1b688b41d16891a1c2cfb5e“Em fins do século XVIII, Ann Radcliffe se estabeleceu como uma das romancistas mais famosas de sua época, atingindo o ápice de sua carreira com seu quarto romance, intitulado The Mysteries of Udolpho (1794). Apesar de ser um dos romances góticos ingleses mais importantes, ele ainda apresenta questões pouco exploradas pelos críticos. The Mysteries of Udolpho possui uma das características mais fortes das obras de Radcliffe: a minuciosa elaboração do espaço. Em vista disso, este estudo analisa e discute as funções do espaço, o qual está organizado em natural e construído. A análise centra na maneira como esse aspecto temático-estrutural se relaciona com as ações e relações pessoais da protagonista Emily com as demais personagens. Discutimos como diferentes tipos de espaço tornam-se essenciais por participarem de forma enfática na construção ideológica das personagens, no que diz respeito à associação entre sentimentalismo e racionalidade. Assim, a relação entre espaço e personagens nesse romance expressa aspectos importantes da complexa construção da sensibilidade burguesa na Inglaterra do século XVIII.”

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Uma floresta gótica nos trópicos: o locus horribilis no conto “Inferno Verde” (Hélder Brinate)

Resultado de imagem para inferno verde alberto rangel“Os ambientes religiosos – igrejas, monastérios, abadias, catedrais etc. – despontam também como espaços privilegiados do medo. Neles predominam duas experiências paradoxais: a sensação de proteção divina e a de ameaça. Por um lado, enquanto local de segurança, as construções de cultos religiosos assomam-se como sítio sagrado e imaculado, refúgio às aflições e atrocidades sofridas pelas personagens. Por outro, é nessa área beatificada que se encontram clérigos transgressores que, ao buscarem consumar seus desejos sórdidos e/ou sexuais, configuram-se como típicos vilões góticos em seu próprio covil. As florestas aparecem como outro importante elemento topográfico nas narrativas góticas. Seu aspecto tétrico e imprevisível é reforçado por uma retórica excessiva e hiperbólica, cuja ênfase adjetival delineia uma natureza intimidante e arrebatadora, diante da qual o homem e suas construções estão fadados à ruína. Espaço do medo per si, ao demarcar as fronteiras entre o conhecido e o desconhecido, as florestas são ainda habitadas por seres que transgridem as leis civilizatórias (…)”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente no livro de ensaios das Jornadas FantásticasRepublicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Shakespeare: a invenção do Gótico (Aparecido Donizete Rossi)

Imagem relacionada“Em um dos prefácios de O castelo de Otranto (The Castle of Otranto, 1764), primeiro romance gótico e primeira obra da ficção gótica, o autor Horace Walpole afirma que ―o grande mestre da natureza, Shakespeare, foi o modelo que copiei. A menção direta a Shakespeare na obra que funda a ficção de terror e horror ao articular medo e sobrenatural maligno em uma arquitetura artística convida, de pronto, em razão de seu peculiar gesto ilocutório-iterativo, a buscar a interação entre duas perspectivas: quais as (im)possíveis razões que levaram Walpole a imputar a Shakespeare (autor e obra) o modelo-chave do gênero-modo ficcional inventado em O castelo de Otranto? E quais seriam as (im)possíveis relações entre o gótico e a obra do Bardo? Perseguir as conjunções, disjunções e injunções entre esses dois ângulos, por meio de uma breve análise da história crítica da peça Tito Andrônico, constitui o objetivo do artigo que aqui se propõe.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


“Todos os seus dentes eram ideias”: a representação de gênero no conto “Berenice”, de Edgar Allan Poe (Greicy Bellin)

Resultado de imagem para berenice edgar allan poe ilustraçao“O objetivo do presente artigo é analisar as representações de gênero no conto “Berenice”, de Edgar Allan Poe (1809-1849), dentro da perspectiva que considera o gênero enquanto relação, o que se observa na narrativa a partir da constatação de uma dependência emocional entre Egeu, o narrador, e sua prima Berenice, por quem ele se apaixona. Observa-se que a representação da figura feminina no conto em questão está atrelada a um imaginário social no qual a beleza feminina aparece associada à morte, à doença, à destruição e à decadência, conforme as análises de Elizabeth Bronfen (1992) e Sandra Gilbert e Susan Gubar (1979), características estas que também podem ser observadas na representação do personagem masculino, permitindo uma análise que aproxime os dois. A representação de gênero também será associada ao contexto literário em que Poe produziu sua obra, tendo em vista a importância de sua inserção na vertente do Romantismo gótico que empresta várias de suas características ao conto “Berenice”.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Scripta Uniandrade, v. 15, n. 2Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


Aspectos inovadores na escrita gótica: “O morro dos ventos uivantes” (Alessandro Yuri Alegrette)

Resultado de imagem para wuthering heights illustrationsO morro dos ventos uivantes, único romance da autora inglesa Emily Brontë tem gerado reações contraditórias que oscilam entre o fascínio e a repulsa entre os leitores, desde sua primeira publicação em 1847. Neste artigo, dois elementos peculiares em sua estrutura narrativa são analisados: o que chamamos de “espacialidade gótica”, que se evidencia nas descrições do cenário principal – Wuthering Heights, a antiga e sinistra casa que dá título ao romance –, e a composição de seu protagonista, Heathcliff, que reúne todas as características do vilão, cujas origens remetem ao contexto histórico da Inglaterra e criaturas monstruosas, destacando-se, dentre elas, o vampiro que aparece de forma recorrente em textos góticos publicados no século XIX”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na revista Scripta Uniandrade, v. 15, n. 2Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Volúpias da estesia: a prosa de ficção decadente de Raul de Polillo (Julio França e Daniel Augusto P. Silva)

Resultado de imagem para kyrmah sereia“Este artigo tem por objetivo investigar as relações entre gosto estético sofisticado e crueldade sexual na prosa de ficção decadente de Raul de Polillo (1898−1979), autor desconhecido do público leitor e praticamente ignorado pelos estudos literários brasileiros. A partir da análise de seus dois romances, Dança do fogo: o Homem que não queria ser Deus (1922), e Kyrmah: Sereia do vício moderno (1924), propõe-se analisar como a combinação entre fruição estética e sadismo gera horror como efeito de recepção.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Acadêmica Todas as Musas, n.1 (2017). Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


Lovecraft e os matizes goticistas em “The Dreams in the Witch-House” (Fernando M. de Barros e Luciana Colucci)

Imagem relacionada“O conto “Dreams in the Witch-House”, do norte-americano H. P. Lovecraft, publicado em 1933, apresenta várias nuances goticistas em sua tessitura. Por Goticismo compreendemos aquilo que se aproxima da estética gótica. Há convergências assim como há também inovações do conto em questão em relação ao modelo gótico tradicional. Os pontos de intersecção que mais se fazem notar são o espaço da casa mal assombrada, a figura monstruosa da bruxa, bem como de seu familiar, o peso do passado opressor que assombra o presente, a presença da tradição como potência ameaçadora, a apresentação de uma modernidade desencantada, com fortes traços decadentistas e expressionistas, estéticas aparentadas do Gótico, e a semelhança com o enredo do chamado Gótico masculino, em que o feminino avulta como força destruidora. Os diferenciais em relação ao Gótico tradicional assumem aspectos inovadores e marcadamente lovecraftianos, como os desdobramentos espaciais do locus horribilis, a ausência de uma estrutura patriarcal como em O Castelo de Otranto, e as amplificações cósmicas do horror gótico. Desta forma, muito mais do que reconhecer o conto de Lovecraft como exemplar do gênero gótico, preferimos considerá-lo como uma narrativa eivada de goticismos. Neste sentido, a topoanálise faz-se chave de investigação privilegiada para tais suposições. O fantástico no conto se consubstancia tanto na concepção todoroviana de tensão entre o real e o sobrenatural como na acepção defendida por David Roas, segundo a qual o sobrenatural tem a palavra final. E, na narrativa, fato e ficção se interpolam, uma vez que a história norte-americana é recriada ficcionalmente enquanto constructo goticista.”

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(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, n.4. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.