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Gótico Feminino x Gótico Masculino: uma análise das vertentes góticas setecentistas (Ana Paula Araújo dos Santos)

2db5417e-d007-4274-b974-09104fafaefd“No presente trabalho, parto da reflexão sobre os efeitos de terror e de horror como base para uma divisão do Gótico em dois ‘gêneros’ – um feminino e um masculino. O objetivo é ressaltar que a divisão entre Gótico feminino e masculino não se restringe ao gênero dos autores – pelo contrário, ela permite, sobretudo, reconhecer como as narrativas pertencentes às duas vertentes lidaram com diferentes estratégias de produção do medo em seus leitores. Para tal feito pretendo empreender uma análise comparativa entre os romances pertencentes ao período clássico do Gótico: Os mistérios de Udolpho (1794) e O italiano (1797), de Ann Radcliffe, e O monge (1796), de Matthew Lewis.”

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XIV Congresso Internacional Abralic (2019). Republicamos aqui, com autorização da própria autora, com fins puramente acadêmicos.


O gótico masculino e a tese do feminino em “Luz no subsolo”, de Lúcio Cardoso (Fernando Monteiro de Barros)

“Publicado em 1936 e reconhecido como o primeiro romance dentro da linha introspectiva a partir da qual seu autor é definido pela história da literatura brasileira (AYALA, 1986: 449), A luz no subsolo foi considerado por Mário de Andrade um romance ‘estranho e assombrado’ (apud CARELLI, 1996: 628), chamando a atenção da crítica pelo seu ‘clima de mistério e alucinação’ (ALMEIDA, 1996: 698). A luz no subsolo é o primeiro romance de atmosfera de Lúcio Cardoso. Em um clima fantasmagórico, ele cria personagens ‘extraordinários, portadores de questões cruciais’, afirma o crítico Mario Carelli em Corcel de fogo: vida e obra de Lúcio Cardoso (CARELLI, 1988: 166). O romance deixou Mário de Andrade desconcertado por seu desprezo pelas questões sociais e políticas no momento histórico conturbado que foi o final da década de 30 (CARELLI, 1988: 33). Em carta a Lúcio Cardoso, o escritor paulista afirma que, ao lê-lo, ‘não sabia em que mundo estava, inteiramente despaisado’ (apud MARTINS, 1997: 12). Entretanto, apesar do traço universalista desta narrativa que transcendia o regionalismo para apresentar a busca do sujeito do século XX por uma ‘verdade’ existencial, o substrato social e geográfico é inequívoco na apresentação de um etos patriarcal mineiro arruinado após o fim da Primeira República, o que nos faz refutar o ‘despaisamento’ atribuído por Mário de Andrade à obra.”

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