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“Gótico no Brasil”, “Gótico Brasileiro”: o caso de Fronteira, de Cornélio Pena (Júlio França)

Resultado de imagem para fronteira cornelio penna“Fronteira (1935), obra de estreia de Cornélio Pena (1896-1958), vem atraindo, nos últimos anos, a atenção de muitos estudiosos da literatura gótica no Brasil, tais como Fernando Monteiro de Barros (2014) e Josalba Fabiana dos Santos (2012). Os estudos contemporâneos têm aprofundado a percepção de Luís Costa Lima, que, no livro “A perversão do trapezista” (1976), primeiro chamou atenção para os aspectos góticos do romance do escritor petropolitano. A comunicação ora proposta pretende justamente desenvolver essa hipótese, ao descrever “Fronteira” como uma das primeiras e mais bem acabadas realizações do que iremos chamar de “Gótico Brasileiro”, em oposição à ideia de ‘Gótico no Brasil'”.

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(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos Anais do XVI Encontro Abralic. Republicamos aqui, com autorização do próprio autor, com fins puramente acadêmicos.


No limiar da fronteira: aspectos do gótico na obra de Cornélio Penna (Ana Paula Santos)

“O presente trabalho propõe uma análise do romance Fronteira (1935), de Cornélio PennaFRONTEIRA, sob o viés da estética gótica. A obra de Penna, reconhecida por inaugurar na Literatura Brasileira uma ficção de teor psicológico, apresenta traços característicos da literatura gótica que, no século XVIII, foi consolidada por autores como Ann Radcliffe, Clara Reeve e Matthew Lewis, em sua fase de maior sucesso, e, posteriormente, por autores como Mary Shelley, Bram Stoker e Oscar Wilde – além de influenciar, até hoje, diversas literaturas e mídias. Tal estética compõe-se por um conjunto de características específicas que garantiram êxito à literatura gótica em sua capacidade de causar medo e prazer estético aos leitores do século XVIII. Dentre estas características, destacam-se a presença do sobrenatural, a exploração de crimes e tabus culturais, e a constituição de um topos literário que se define principalmente por locais abandonados, claustrofóbicos e aterrorizadores. Todos esses elementos aparecem de forma recorrente em Fronteira, motivo pelo qual o presente trabalho propõe uma leitura que leve em consideração tais aspectos no entendimento da obra. Ademais, busca-se, a partir desta análise, refletir sobre a influência exercida pela literatura gótica no âmbito literário, pois, mesmo sem se firmar como um gênero à parte, tal literatura constituiu-se como um fenômeno que transcendeu, cultural e historicamente, suas origens – fazendo-se presente até mesmo em nossa Literatura Brasileira.”

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O castelo (quase) vazio: algo de gótico em “Fronteira”, de Cornélio Pena (Josalba Fabiana dos Santos)

“O romance brasileiro Fronteira (1935), de Cornélio Penna, possui algumas características góticas bastante relevantes, sendo que a principal é a reconfiguração do castelo medieval no sobrado de uma típica família patriarcal mineira de fins do século XIX. Todavia, essas características surgem em meio a um conflito que se dá na literatura brasileira de um modo geral e na de Cornélio Penna em particular com a tradição europeia. É uma relação de constante admiração e repúdio. O gótico em Fronteira parece assim uma cicatriz, ele assinala o texto como o resultado desse embate, dessa luta.”

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