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O passageiro das trevas: estética e psicologia do monstro em Frankenstein (Maria Cristina Cardoso Ribas e Thiago dos Santos Braz da Cruz)

1303-lras-13-o+mason-williams-tattoo+frankenstein“As experiências transformadoras que marcaram a modernidade foram inscritas, em parte da literatura universal, junto às (de) formações do homem – tanto físicas quanto morais. Dizemos que a configuração de personagens na pele de monstros abomináveis representou tanto uma tentativa de exteriorizar e compartilhar aspectos dissimulados ou particulares do ser humano em crise quanto manifestações da resistência desse sujeito (moderno) ao discurso do poder. O objetivo da pesquisa é mostrar como a figura do monstro na literatura universal pode acionar um mecanismo de recusa dos paradigmas elogiados no período, ao mesmo tempo em que reproduz ‘o outro’ humano (arquétipo sombra (JUNG, 2002) dentro do humano – o lado inconsciente dos homens, segundo a psicanálise de Jung, estudada por Mednicoff (2008). Observamos que tais seres, reconhecidos como bizarros, têm encontrado, na sua passagem pela literatura e por outras linguagens, ampla acolhida na recepção contemporânea. Aqui, nos deteremos na difundida obra da literatura gótica Frankenstein, de Mary Shelley (1831), entendendo a preconizada deformidade do personagem monstruoso não somente como marca de excludência, complexo de inferioridade ou ode à vitimização, mas também como transgressão do modelo vigente e alternativa à sobrevivência. A perspectivização do monstro é entendida por nós como resistência à forma perfeita e, ao mesmo tempo, busca do ser pela própria autonomia através da quebra de expectativas, recusa à massificação, transgressão de normas sociais e reconfiguração identitária.”

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A Questão Cosmogônica em “Frankenstein” de Mary Shelley (Lilian Cristina Corrêa)

“O interesse pela origem da vida sempre foi um fator intrigante em toda a história da humanidade, ora em simples forma de curiosidade diante do enigma da existência, ora de maneira mais concreta, através de experiências e tentativas de criação. De fato, tal sede de sabedoria faz sentido em vista dos conhecimentos científicos e literários, baseados em descobertas. Assim, percebe-se que o homem sempre buscou novas formas de criar vida, ou mesmo de aprimorá-la.

Nesse contexto, Mary Shelley apresenta Frankenstein ou O Prometeu Moderno, narrando a trajetória de um jovem que descobre o segredo da criação da vida a partir da matéria inanimada, criando um ser que, mais tarde, jura-lhe vingança e, ao mesmo tempo, provoca no leitor um certo encantamento ao deparar com o mosaico que constitui a narrativa.”

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Frankenstein (Mary Shelley)

not-detected-272493“Foi numa monótona noite de novembro que vi a consumação de meus esforços. Com uma ansiedade que beirava a agonia, reuni ao meu redor os instrumentos de vida que poderiam infundir uma centelha de ser na coisa inanimada que jazia a meus pés. Já era uma da manhã; a chuva tamborilava lugubremente contra as vidraças, e minha vela já estava quase consumida, quando, pelo fraco clarão da luz quase extinta, vi abrirem-se os fundos olhos amarelados da criatura; ele respirou fundo e um movimento convulsivo agitou-lhe os membros.”

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Frases (III)

shelley“Eu, de minha parte, tentava pensar numa história (…) que pudesse trazer à tona os medos secretos de nossa natureza e que despertasse um terror capaz de nos fazer estremecer – uma história que deixasse o leitor com medo de olhar ao seu redor, que lhe enregelasse o sangue e lhe acelerasse as batidas do coração. Se eu não atingisse esses objetivos, minha história de terror não seria digna do nome.”

Mary Shelley. “Introdução” a Frankenstein.