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Heróis, nevrosados e fatais: os vilões decadentes (Daniel Augusto P. Silva)

Image result for ficção decadente huysmans“A ficção decadente é, essencialmente, uma literatura de vilões. Em suas páginas, são minuciosamente explicitadas algumas das ações mais transgressivas para a sociedade do final do século XIX. Nessas narrativas, acompanhamos não apenas o desenrolar de crimes violentos e de ações cruéis, mas também a exploração sistemática de taras e de transgressões diversas. A fim de realizarem seus desejos por sensações intensas e por novas experiências estéticas, as personagens decadentes agem deliberadamente contra a ordem social e contra as leis. Ao longo dessa busca, elas não se importam com as consequências morais de suas escolhas e se tornam símbolos de maldade e de vilania. […] Para identificar como surgem na ficção decadente essas personagens caracterizadas como más e torpes, propomos a análise de quatro romances: Às Avessas (1884), de J.-K. Huysmans, a obra paradigmática da decadência; Monsieur de Phocas (1901), de Jean Lorrain; Dança do Fogo: o Homem que não queria ser Deus (1922) e Kyrmah: sereia do vício moderno (1924), ambas narrativas escritas por Raul de Polillo, um autor brasileiro praticamente desconhecido das letras nacionais e mesmo por parte da crítica especializada. “

Leia o ensaio completo aqui.

(*) Esse ensaio foi publicado originalmente nos anais do III Congresso Internacional Vertentes do Insólito Ficcional (SEPEL 2016). Republicamos aqui, com autorização do própriao autor, com fins puramente acadêmicos.


Linguagens do insólito: a construção estilístico-textual do grotesco na ficção decadente (Daniel Augusto)

Resultado de imagem para la bas huysmans“Tanto a literatura gótica quanto a ficção fantástica empregaram técnicas características da poética do grotesco para criar personagens e situações não apenas sobrenaturais, mas também capazes de causar horror e repulsa como efeitos de recepção. Por gerar seres disformes, sem unidade aparente e de difícil subsunção a categoias racionais, a arte grotesca é, de fato, pródiga em produzir tanto a hesitação própria ao fantástico quanto o medo essencial às narrativas de horror. No final do século XIX, a ficção decadente, tributária dessas duas tradições literárias, em sua busca por experiências estéticas originais e intensa, valeu-se sistematicamente de procedimentos típicos do grotesco literário. Este trabalho irá se centrar na descrição dos elementos grotescos no plano estilístico, como a partir do uso recorrente de neologismos e de palavras raras, de construções sintáticas inesperadas, além de inversões na ordem típica das estruturas sintagmáticas. Ao contrário do que a crítica muitas vezes apontou, tal estilo de escrita não foi fruto de uma erudição vazia ou de simples dialetantismo artístico; na verdade, sua utilização foi intencional, voltada exatamente para intensificar a fruição estética. A fim de demonstrar o emprego dessas estratégias textuais e estilísticas empregadas pela ficção decadente, analisamos trechos do romance Là-bas (1891), de J.-K. Huysmans, e o conto “Agonia por semelhança”, publicado por Gonzaga Duque em Horto de Mágoas (1914).”

Leia o ensaio completo aqui.

(*)Esse ensaio foi publicado originalmente na Revista Abusões, nº 05. Republicamos aqui, com autorização dos próprios autores, com fins puramente acadêmicos.